recomeço Venezuelanos refugiados fogem do país em crise e chegam a Pernambuco São 18 famílias com histórias parecidas, dividindo sete casas, com a esperança de recomeço após fim de um pesadelo

Por: Marcionila Teixeira

Publicado em: 05/07/2018 10:17 Atualizado em: 05/07/2018 10:36

Sorelys Zapata, 23, e a mulher dele, Franzheska Safe, 20, partiram da Venezuela com a filha, Felir, 4. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP- LOCAL
Sorelys Zapata, 23, e a mulher dele, Franzheska Safe, 20, partiram da Venezuela com a filha, Felir, 4. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP- LOCAL

A casa de dois andares com quatro quartos, três banheiros, sala e cozinha, localizada em um terreno ventilado e amplo em Igarassu, é um alento para as dores vividas nos últimos meses. Os primeiros venezuelanos refugiados a chegarem a Pernambuco passaram o primeiro dia no novo endereço, a ONG Aldeias Infantis. São 18 famílias com histórias parecidas, dividindo sete casas.

Deixaram parentes, bens e empregos para trás na Venezuela. Algumas caminharam dias para chegar ao Brasil. Passaram fome, dormiram na rua e em abrigos em Boa Vista, Roraima, estado que faz fronteira com o país vizinho. Agora, um colchão e um teto em um local tranquilo são sinais de vida melhor longe da nação mergulhada em uma crise econômica e política.

Sorelys Zapata, 23, e a mulher dele, Franzheska Safe, 20, partiram da Venezuela com a filha, Felir, 4. Ele era policial e ela se formaria neste mês em administração. Se ficassem, passariam fome por conta do alto custo de vida do país, onde o salário do mês não paga a cesta básica. “Vim primeiro para Roraima, mas pedi para ela vir logo depois. A situação na Venezuela está desesperadora. Também pensei que fechariam a fronteira com o Brasil”, lembra Sorelys.

Em Igarassu, o casal divide a casa com duas famílias que conheceu em um abrigo em Roraima. A enfermeira Rosa Núnez, 38, fugiu com a filha, a universitária Katiusca Pérez, 18, e o filho, o estudante José Perez, 12. “Tinha dois empregos, mas não dava para comprar comida. Nossa principal refeição era verdura e sardinha”, conta Rosa. Ambas dizem aceitar qualquer emprego.

Jessireth Del Valle, 25, chora quando se lembra do passado. Ela e o marido, Joel Ruiz, 24, eram comerciantes e viviam confortavelmente antes da crise. O negócio faliu e o casal partiu com o filho Jeremias, ainda bebê, para o Brasil. Vieram de ônibus, ao contrário de muitos, que precisam cruzar a fronteira a pé, durante dias, abastecidos apenas com água e pão.

Esse foi o caso de Sarai Alvarez, 24, e do marido, Gustavo Navarro, 23. Quando não encontraram mais remédios nem médicos nos hospitais públicos da Venezuela para o filho de cinco meses acometido pela pneumonia, perceberam que era hora de partir. Testemunharam a morte chegar perto do filho por duas vezes. Depois de caminharem por dois dias com toda a família, formada também pela filha de três anos e o filho de sete, conseguiram carona de brasileiros para cruzarem a fronteira. “O pior dia foi a chegada em Roraima. Sarai chegou antes de mim, com os mais novos, e foi para o hospital. Procurei no hospital errado. Pensei que nunca mais veria minha família.” Só a capital de Roraima tem hoje cerca de 25 mil venezuelanos, segundo dados da prefeitura.

Doações

Quem deseja doar ou se informar sobre a situação dos venezuelanos refugiados em Pernambuco pode entrar em contato pelo telefone 3443-3898. 


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