Repercussão Operação da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros fecha bares na Boa Vista e causa polêmica De acordo com estabelecimentos, houve truculência por parte dos agentes. Gerentes dizem que documentação estava em dia

Por: Sávio Gabriel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/07/2018 16:25 Atualizado em: 01/07/2018 16:35

Localizado na Rua das Ninfas, o Bar do Céu foi um dos estabelecimentos fechados. Foto: Google Street View
Localizado na Rua das Ninfas, o Bar do Céu foi um dos estabelecimentos fechados. Foto: Google Street View
Uma operação realizada pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros na noite da última sexta-feira (29), no bairro da Boa Vista, tem causado repercussão nas redes sociais e está sendo questionada por gerentes de estabelecimentos do bairro. Eles acusam os agentes da PM de agirem com truculência, causando o constrangimento das pessoas que estavam no local, e contestam o fechamento dos pontos comerciais. A Polícia Militar diz que desconhece quaisquer irregularidades na operação.

Entre os estabelecimentos fechados, estão o Bar do Céu, localizado na Rua das Ninfas, e o Conchittas Bar, que fica na Manoel Borba. “Houve uma operação na rua inteira para fechar os bares”, disse Tereza Montarroyos, gerente do Bar do Céu e da Boate Metrópole. Segundo ela, os agentes que entraram no Bar do Céu revistaram, de maneira constrangedora, os clientes que estavam no local. “Quando entraram, mandaram logo as pessoas colocarem a mão na cabeça. Parecia que tínhamos cometido algum crime”, relatou.

Segundo Tereza, o Bar do Céu foi fechado mesmo após a apresentação do alvará, que estava regular. “O Corpo de Bombeiros disse que a documentação estava errada, mas são eles mesmos que emitem. Renovamos nosso alvará em abril”, disse, detalhando que a divergência foi na classificação do estabelecimento. “Argumentaram que, em vez de estar escrito ‘comércio’, deveria constar ‘boate’. Mas não consigo entender. Já recebemos o alvará daquela forma e, para renová-lo, foram feitas visitas pelos agentes”.

Apesar das queixas, Tereza reconhece que a rua, tradicional reduto LGBT da cidade, precisava ser organizada devido à grande quantidade de pessoas que frequentam o local nos fins de semana. “Havia muita aglomeração, comércio alternativo. Acredito que ação era para essa finalidade (organização), mas não entendo o fechamento dos estabelecimentos”. Na próxima terça-feira (3) representantes do bar vão ao Corpo de Bombeiros para fazer a alteração no alvará.

Em seu perfil oficial no Instagram, o Conchittas Bar afirmou que os funcionários e clientes foram divididos em dois grupos, encostados na parede e revistados. “Toda a nossa documentação, que está regularizada, foi mostrada, mas ignorada pelos responsáveis pela ação”, diz o texto. A administração do bar considera que ação tem caráter homofóbico. “O Conchittas Bar tem sofrido perseguição desde sua abertura em 2011, e com a mudança de endereço em 2016 a situação piorou”, disse o bar nas redes sociais. 

O estabelecimento acrescentou que vai “lutar até o fim” para manter as portas abertas. “Apoiamos nosso público LGBTI e defendemos a ocupação das ruas a Boa Vista, sobretudo da avenida Manoel Borba, pela comunidade LGBTI”.

Outro lado
Procurada pelo Diario, a Polícia Militar informou, em nota, que agentes do 16° BPM participaram da Operação Bar Seguro, em apoio ao Corpo de Bombeiros. “O comandante da área desconhece qualquer tipo de truculência por parte do seu efetivo”, diz a nota, acrescentando que a Polícia Militar “não compactua com qualquer tipo de abuso praticado pelos seus integrantes”. 

A PM diz ainda que o cidadão que se sentiu prejudicado poderá “formalizar a denúncia ao comandante da unidade responsável pela área, bem como na Corregedoria da SDS”. O Corpo de Bombeiros também foi procurado, mas não se posicionou até a publicação desta matéria.


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