CRIME MPF faz nova denúncia por corrupção na Operação Torrentes Grupo que inclui ex-comandante do Corpo de Bombeiros e ex-secretário-executivo de Defesa Civil do Maranhão reduziu a menos da metade a entrega de filtros e menos de uma de cada cesta básica comprada.

Publicado em: 27/06/2018 18:52 Atualizado em:

Setenta mandados judiciais foram cumpridos em novembro pela Operação Torrentes. Foto: Peu Ricardo/DP (Setenta mandados judiciais foram cumpridos em novembro pela Operação Torrentes. Foto: Peu Ricardo/DP)
Setenta mandados judiciais foram cumpridos em novembro pela Operação Torrentes. Foto: Peu Ricardo/DP
Treze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF/PE) na esfera da Operação Torrentes, pela prática dos crimes de corrupção ativa qualificada, corrupção passiva qualificada, tráfico de influência, peculato e lavagem de dinheiro. Informe distribuído nesta quarta-feira indica que é a quinta denúncia relativa à operação e ela foi concretizada na terça-feira. O valor desviado equivale a R$ 12 milhões. Além de penas de no mínimo dois anos de prisão, uma eventual condenação pela Justiça Federal podem envolver pagamento de multa, ressarcimento dos danos e perda dos cargos públicos ou cassação das aposentadorias, no caso dos oficiais.

Segundo o MPF/PE, entre janeiro de 2013 e agosto de 2014, no Recife e em São Luís (MA), Ricardo José Padilha Carício, Rafaella Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ítalo Henrique Silva Jaques e Daniel Pereira da Costa Lucas agiram em conjunto e contando com o auxílio de José Bezerra dos Santos e Carlos Roberto de Souza Lima, que solicitaram vantagem. Ricardo, Rafaella, Ítalo e Daniel pagaram vantagem indevida de mais de  R$ 185 mil a João Vanderley Costa Pereira, então comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Maranhão, Carlos Robério dos Santos, secretário-executivo de Defesa Civil do Maranhão e a ao assessor jurídico Manoel Henrique Santos Lima. 

O objetivo era determinar a prática de atos necessários para que o Corpo dos Bombeiros do Maranhão e a Defesa Civil do Maranhão aderissem a duas atas de registro de preços celebradas pela Casa Militar de Pernambuco, contratando a FJW da Cunha Filho Alimentos, administrada por Ricardo Padilha, Rafaela Carrazzone e Italo Jaques. Em seguida, seriam desviados para a empresa e seus administradores aproximadamente R$ 7,2 milhões de que o comandante dos bombeiros tinha posse, mediante pagamentos para aquisição, com sobrepreço, de filtros e cestas básicas. A investigação revelou que a prática de sobrepreço alcançou apenas os filtros, embora tanto os filtros como as cestas foram entregues parcialmente.

Ainda segundo o MPF/PE, para o desvio de verbas em favor da empresa, João Vanderley Costa contou com o auxílio de Manoel Teixeira, Manoel Henrique Santos, Rafael Lima de Araújo e Marcelo Martins Ribeiro. As investigações apontaram que houve o pagamento pela aquisição de 116.181 filtros e 65.000 cestas básicas, mas, na verdade, foram entregues menos da metade dos filtros (exatos 54.501 unidades, 46,91% do total) e menos de uma de cada cesta básica (exatos 11.930 cestas, 18,35% do total). Após o desvio, Ricardo Padilha, Rafaella Carrazzone, Ítalo Jaques e Daniel Pereira teriam efetivado o pagamento de vantagens indevidas a João Vanderley, Carlos Robério e Manoel Henrique.

O MPF/PE informou também que para ocultar a origem criminosa e a propriedade dos recursos obtidos com os desvios, Ricardo Padilha, Rafaella Carrazzone, Ítalo Jaques,  Daniel Pereira, João Vanderley e Manoel Henrique teriam acertado que os pagamentos seriam realizados a partir da conta bancária de Daniel Pereira e não da empresa contratada (FJW da Cunha Filho). Além disso, também seriam repassados para as contas de Manoel Henrique e de uma terceira pessoa, apesar de serem destinados a João Vanderley. O MPF/PE também informou ter oferecido denúncia contra Taciana Santos Costa.

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