Patrimônio Restauro da capela do Seminário Arquidiocesano de Olinda começa nesta terça

Publicado em: 25/06/2018 10:41 Atualizado em: 25/06/2018 10:48

Reforma vai contemplar parte emergencial do piso e forro do seminário. Foto: Arquivo/DP
Reforma vai contemplar parte emergencial do piso e forro do seminário. Foto: Arquivo/DP

A obra de restauro do piso e do forro da igreja de Nossa Senhora da Graça, localizada no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Graça (Seminário Maior), em Olinda, começa nesta terça (26). Na ocasião, o arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, vai assinar o contrato da obra de reforma, que inclui recursos oriundos da Lei Rouanet no valor de R,5 milhão. A cerimônia de assinatura do contrato de restauro acontecerá nas dependências do Seminário de Olinda, que pertence à Arquidiocese de Olinda e Recife. O valor contempla o restauro da parte emergencial do piso e forro (térreo e primeiro andar) da capela e de parte da bedelagem do Seminário.

O Seminário Nossa Senhora da Graça encontra-se interditado desde 2015, devido à necessidade de obras de restauro. Por questão de segurança, as atividades do Seminário Maior foram transferidas para o Centro Pastoral Arquidiocesano, no bairro da Várzea. O período da reforma é estimado em um prazo de 12 meses. A igreja de Nossa Senhora da Graça é uma das dez igrejas mais antigas do Brasil e foi construída em 1551, por Duarte Coelho, no período das Capitanias Hereditárias.

A Gestora de Projetos de Restauro e integrante da Comissão de Restauro da Arquidiocese, Tema Liége Souza Lôbo, informa que a Arquidiocese vai acompanhar a obra, com o apoio da Superintendência do Iphan/PE. Telma Liége adianta que há dois anos a Arquidiocese vem aguardando o repasse dos recursos da Lei Rouanet e a expectativa é de que, após a reforma, a igreja Nossa Senhora da Graça volte a ficar aberta ao público, com celebração de missas, inclusive.

O padre João Bosco Costa Lima, reitor do Seminário Maior, adianta que, após a reforma do espaço, por orientação do arcebispo dom Fernando Saburido, ideia é realocar um grupo de seminaristas que cursam Teologia (e que estão mais perto de concluir a formação rumo ao diaconato) para residirem no Seminário Nossa Senhora da Graça, em Olinda.

História da igreja de Nossa Senhora da Graça (1551) – Imortalizada em uma das telas do pintor Frans Post, sob o título de “View of the Jesuit Church at Olinda, Brazil” (1665, óleo sobre tela, The Detroit Institute of Arts), a igreja de Nossa Senhora da Graça é uma das dez igrejas mais antigas do Brasil.

O templo católico foi construído por Duarte Coelho, casado com Brites de Albuquerque e que assumiu a capitania hereditária de Pernambuco, instituída pelo rei de Portugal. Posteriormente, Duarte Coelho doou a igreja juntamente com as terras ao redor para os padres jesuítas, a fim de que pudessem promover a catequese dos índios e edificar um colégio.

Apesar de todas as dificuldades da época, a capitania de Duarte Coelho foi uma das poucas que deram certo no rudimentar Brasil do século XVI, e a igreja de Nossa Senhora da Graça, edificada na principal cidade dessa capitania, é uma testemunha quase inalterada desse período. Em 1567, a primitiva igreja foi aumentada, graças a um auxílio anual que fora disponibilizado pelo rei Dom Sebastião de Portugal – o lugar ganhou então o status de Real Colégio de Olinda. Esse segundo projeto foi elaborado pelo padre jesuíta Francisco Dias, que, por sua vez, tinha sido um dos colaboradores de Filipo Terzi – um arquiteto levado de Roma para Lisboa.

As obras da nova igreja foram comandadas pelo padre Antônio Pires, que também era pedreiro e carpinteiro. O terreno ao redor do templo foi utilizado pelos jesuítas para aclimatar mudas de árvores frutíferas trazidas de outros continentes. Uma parte dessa grande área verde existe até hoje, tendo sido posteriormente transformada num jardim botânico.

O colégio cresceu e se tornou referência, até que, no ano de 1630 os holandeses desembarcaram em Olinda, trazendo a guerra para a cidade. Após terem-na conquistado, habitaram por um tempo no local, mas, irritados com a resistência armada promovida pelos moradores, promoveram um incêndio (1631) onde quase todas as casas, igrejas e conventos que lá existiam foram consumidos pelo fogo.

No entanto, a igreja da Graça e o colégio não sofreram muitos danos, de maneira que acabaram conservando seu aspecto primitivo pelos séculos seguintes. Segundo um estudo de Lucio Costa, o incêndio consumiu o altar-mor, o forro e o madeiramento da cobertura, sendo que a estrutura das paredes, bem como os dois altares laterais ficaram preservados.

Em 1759, o Marquês de Pombal baniu a Companhia de Jesus de todo o Reino de Portugal, e mandou fechar todos os colégios jesuítas do Brasil, bem como as residências e missões destinadas a catequizar os indígenas. Os motivos dessa discórdia foram principalmente conflitos dos padres com colonos: os jesuítas queriam catequizar e civilizar os índios, e os colonos queriam utilizá-los como mão de obra escrava. Assim, o colégio de Olinda foi fechado, e o prédio se transformou em seminário (para formar padres seculares – ou seja, sem vinculação com ordens religiosas).

No quesito arquitetônico e artístico, a igreja é rústica. O estilo mais próximo é o maneirista, que inclusive influenciou várias outras igrejas da região. Após a expulsão dos holandeses, mais de vinte anos depois, a igreja e o Colégio de Olinda passaram por uma outra restauração, entre 1661 e 1662 – quando foi acrescentada a torre. Foi ali, nessa época, que o padre Antônio Vieira lecionou Retórica para seus discípulos. A reforma mais recente no templo data dos anos 1970.

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