Justiça Auditor David Nilo deve passar por nova perícia para comprovar necessidade de transplante Ele perdeu parte do intestino após cirurgia bariátrica e agora se alimenta pela veia. A família recorreu à justiça para que a União custeie o tratamento de isquemia intestinal nos EUA

Por: Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/06/2018 14:11 Atualizado em:

A maioria dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) decidiram, na manhã de ontem, que o auditor David Nilo da Silva deve passar por nova perícia médica que comprove a necessidade de um transplante de intestino. Após uma cirurgia bariátrica, ele perdeu parte do órgão e está se alimentando pela veia. A família recorreu à justiça para que a União custeie o tratamento de isquemia intestinal nos Estados Unidos. O processo agora volta para a 12º Vara e o juiz de origem pode determinar nova perícia ou dar sentença.

"Diante de uma modificação que a gente vê com relação à judicialização da saúde, avalio essa decisão como conservadora. Ao meu ver, os desembargadores querem ter a certeza de que realmente há indicação de transplante ou se existe outro procedimento terapêutico para preceder esse tipo de transplante", analisa o advogado da família, Felipe Moura.

Uma das justificativas levantadas pela advogada da União, Cristiane Gayão, foi que o Sistema Único de Saúde oferece outros tratamentos que podem ser feitos antes da cirurgia. De acordo com o Ministério da Saúde, o protocolo para este tipo de caso deve iniciar com a alimentação parenteral e, havendo problemas decorrente desse tratamento, deve ser feito um transplante.

A decisão prolonga a angústia da família, que torce por uma melhor qualidade de vida para David. "Vamos aguardar o juiz solicitar um novo laudo. Mesmo ficando triste, eu confio na justiça. Eu sei que quando tiver que fazer o transplante, ele fará. Os médicos peritos já constataram que ele necessitava da cirurgia e nessa nova perícia isso será comprovado novamente", comentou Isabella Nilo, esposa de David.

A cirurgia bariátrica foi realizada há quatro anos e provocou necrose nos intestinos. Em setembro ele passou por uma reconstrução intestinal e desfez a bariátrica. Chegou a ficar mais de 30 dias internado no hospital e agora está em casa dependendo de uma máquina para se alimentar. A última perícia foi realizada em setembro do ano passado por médico credenciado pelo SUS e uma equipe da Universidade de São Paulo, uma das unidades que oferece o tratamento para isquemia no Brasil.

Com apenas 10 cm do intestino delgado, atualmente David está recebendo alimentação parenteral  e acompanhamento de uma cirurgiã do aparelho digestivo. "Durante o dia ele começa a ficar muito cansado, chegou a perder sete quilos. O que ele come via oral o organismo não consegue absorver. Sem essa bomba de infusão ele teria a vida normal de volta", conta Isabella. 

A família almeja realizar o transplante em Miami. "Se aqui tivesse recurso, óbvio que preferiríamos ficar perto da nossa família, mas a chance de êxito nos Estados Unidos é bem maior. Estamos lutando pela melhor possibilidade que devolva a ele a vida normal", diz.

Mesmo com a decisão do TRT, o advogado da família diz que permanece confiante. "Diante dos argumentos proferidos durante a decisão, se ficar constatado que a indicação é de transplante, assim como a ineficiência do Sistema único de Saúde com relação a esse tipo de transplante, acredito que temos grande chance de êxito", disse Felipe Moura. 


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