Diario nos Municípios Olinda tem folia o ano inteiro Os blocos e agremiações da Cidade Patrimônio da Humanidade participam de atividades durante todos os meses nas ruas, ladeiras e praças

Por: Ana Paula Neiva - Diário de Pernambuco

Publicado em: 08/06/2018 07:59 Atualizado em: 08/06/2018 08:10

Bloco das Conxitas fazem ensaios a partir de setembro, sempre aos domingos. Foto: Roberto Ramos/DP
Bloco das Conxitas fazem ensaios a partir de setembro, sempre aos domingos. Foto: Roberto Ramos/DP

Quem gosta de animação, Olinda é o endereço certo. Noite ou dia, a cidade nunca para. Mesmo fora do período de Carnaval, o município sempre tem  festa.  A animação toma conta das ladeiras da Cidade Alta nos 12 meses do ano.  Embalando moradores e turistas que visitam a terra do frevo e mantendo viva a tradição e fama do folião pernambucano. São ensaios de agremiações, desfile de maracatus e arrastões de alegria. Mal acaba a Quarta-feira de Cinzas, blocos já estão se reunindo para novas prévias nas ruas.
A concentração acontece sempre nas tardes de domingo, na Praça do Carmo, no  Largo do Amparo, Mercado da Ribeira, Quatro Cantos, Guadalupe ou no Alto  da  Sé.

“Mas é a partir de setembro, com a abertura do verão, que as festas se intensificam ainda mais. A gente se preocupa e orienta os organizadores dos  blocos a pedirem apoio de policiamento ao governo do estado, pois o volume de pessoas aumenta bastante nesse período. Os ensaios geralmente são  no meio da rua, em praças, subindo e descendo as ladeiras”, comenta o  diretor de Cultura da cidade de Olinda, Rodrigo Silva.

Abertura dos festejos juninos no último sábado com desfile do bloco da Macuca. Foto: Kelvin Andrade/Máquina 3/Divulgação
Abertura dos festejos juninos no último sábado com desfile do bloco da Macuca. Foto: Kelvin Andrade/Máquina 3/Divulgação

No último fim de semana, Olinda abriu os festejos juninos com desfile do Boi da Macuca, num encontro do forró e o frevo na Cidade Alta. A concentração começou às 18h com forró de Benedito, na Sede do Cariri, no bairro de Guadalupe. Depois, o cortejo seguiu por várias ruas do Sítio Histórico, embalado pela contagiante Orquestra do Maestro Oséas, que se mistura ao repertório cancioneiro do forró tradicional de Luiz Gonzaga e Dominguinhos.  

Os blocos fazem oficinas de percussão já visando as festas de Momo.”Quem tiver interesse em participar do Carnaval já começa a ensaiar nos finais de semana”, observa Guilherme Gonzaga, do Bloco Carnavalesco de Samba Batuketu. A partir do feriado de Sete de Setembro, agremiações como as Conxitas, Sol Delas, Maracatu Badia, Bateria Cabulosa, Afoxé Alafin Oyó, Batuketu, Pitombeira fazem esquente todos os finais de semana. A Escola de Samba Preto Velho se reúne sempre no Alto da Sé aos domingos. Os horários das festas são divulgados nas redes sociais.

Já a Escola de Samba D´Breck se apresenta em sua sede no bairro Santa Teresa, no  Varadouro. Também a partir de novembro, o Clube Carnavalesco Misto Elefantes de Olinda promove uma festa aberta para venda de camisas da agremiação. É com a renda apurada no evento que o clube se organiza para  desfilar no carnaval. No ano passado, a festa aconteceu no dia 25 de  novembro, no Bar do Dé, no Largo do Amparo. Mais perto do Carnaval, o clube promove um trote na Praça Laura Nigro, na Ribeira, onde também são comercializadas as camisetas do bloco. Há ainda um cortejo de rua. As confraternizações deste ano, no entanto, ainda não têm data e locais definidos.

Este ano a cidade recebeu 3,2 milhões de pessoas durante os quatro dias de carnaval. O número equivale a quase um milhão de foliões a mais do que em  2017. No ano passado, a administração municipal estima ter registrado a  presença de 2,3 milhões de pernambucanos e turistas. Durante o carnaval de 2018, cerca de R$ 280 milhões foram injetados na economia local.

O melhor é que este ano a festa foi auto sustentável. A prefeitura não gastou um centavo. A administração informou que os R$ 8,42 milhões gastos na produção do carnaval de Olinda foram repassados aos cofres municipais. Os  patrocinadores privados investiram R$ 6 milhões e o governo do estado  ficou  responsável por R$ 2,4 milhões. A festa gerou, ainda, cerca de 105 mil  empregos diretos e indiretos e teve 96% da rede hoteleira ocupada.


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