Medida Interdição de trecho de praias já é discutido por especialistas em ataque de tubarões Proibição temporária de banho de mar em algumas áreas está sendo avaliada, uma vez que causaria impactos social e econômico ao estado

Publicado em: 06/06/2018 09:27 Atualizado em:

Especialistas em estudos com incidentes com tubarão já discutem a interdição parcial de trechos das praias no litoral pernambucano. A ideia de proibir banho de mar em algumas áreas já vinha sido falada desde 2014, mas com o ataque de mais uma vítima no último domingo, na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, a possibilidade voltou a ser reavaliada. A restrição, no entanto, divide opniões dentro do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit), uma vez que pode causar impactos social e economico ao estado.  

“Essa medida não pode ser adotada sem maturidade, evidências científicas ou planejamento detalhado de cada etapa. Nosso objetivo é salvar vidas, com a colaboração da sociedade. Neste momento, fazemos a opção de menor impacto, mantendo o lazer e fortalecendo nosso trabalho de prevenção e fiscalização”, afirmou. Segundo Bastos, está em curso um levantamento das placas pichadas ou danificadas para substituição. 

Em reunião, realizada nesta terça-feira (5), com o Cemit, já ficou definida novas ações para prevenir acidentes nos trechos considerados mais perigosos da orla: igrejinha de Piedade, em Jaboatão, onde ocorreram os dois últimos casos, Edifício Acaica, Castelinho e 2° Jardim, esses três últimos em Boa Viagem, no Recife.  

O engenheiro de pesca Jonas Rodrigues, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, informa que a interdição das prais seria em situação extrema, principalmente quando houver um risco maior de ataques. "Em dias de chuva com lua cheia e maré alta, quando a água do mar tiver mais turva e em fins de semana, que houver feriado e a praia fica muito cheia, seria melhor manter esses trechos fechados para banho. Uma intedição temporária, como acontece na Austrália e nos Estados Unidos", comenta. Outras medidas como o uso de bandeirolas sinalizando áreas mais perigosas (na cor vermelha) e mais adequadas (na cor verde) também podem ser implatadas. 

Foi num final de semana e em um mesmo trecho, o igrejinha, em Piedade, onde ocorreram os dois últimos ataques de tubarão no estado. Dos 65 casos registrados pelo Cemit desde 1992, 12 aconteceram nessa área da praia. A última vítima, o jovem José Ernesto Ferreira da Silva, 18, morreu na madrugada de segunda-feira (4), após ser mordido por um animal marinho no domingo em Piedade.  Em 15 de abril, Pablo Diego Inácio de Melo, 30 anos, foi atacado no mesmo local e teve uma perna e um braço amputados. 

Segundo Jonas Rodrigues, o comitê já definiu que haverá a expansão do horário dos guarda-vidas até as 18h (uma hora a mais de turno), aumento do efetivo para reforçar a fiscalização e orientar banhistas. Em paralelo, o Cemit fará um estudo de viabilidade para maior controle ou restrição parcial de alguns trechos da orla em horários específicos.  A ampliação do horário dos guarda-vidas começa no próximo fim de semana, com o Grupamento Marítimo dos Bombeiros. 

“Estaremos complementando as ações de orientação. Serão realizadas palestras, dentro do projeto Comunidade Segura, em escolas estaduais da Região Metropolitana, abordando temas relativos à prevenção de afogamentos, educação ambiental e conscientização sobre os fatores de risco. Temos 110 placas de alerta e postos de guarda-vidas, e os incidentes ocorrem não por desconhecimento, mas por descumprimento das orientações. De todo modo, vamos utilizar um bote inflável para entrar na água e recolher as pessoas que se colocam em risco”, disse o tenente-coronel André Ferraz, comandante do GBMar.


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