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Agenda Pacientes de Parkinson estão sem medicamentos Na semana de conscientização sobre a enfermidade, pacientes aguardam medicação. Secretaria Estadual de Saúde licitou novo lote

Publicado em: 12/04/2018 09:51 Atualizado em: 12/04/2018 10:01

O aposentado José Bezerra, 69, substituiu o remédio por outro após prescrição médica. Foto: Marlon Diego/Esp.DP
O aposentado José Bezerra, 69, substituiu o remédio por outro após prescrição médica. Foto: Marlon Diego/Esp.DP

A Associação de Parkinson de Pernambuco programou para a última quarta-feira, Dia Mundial de Conscientização da doença, a distribuição de medicamentos a 300 associados. A agenda foi frustrada porque a Secretaria Estadual de Saúde descumpriu o prazo de entrega dos produtos, firmado com a instituição. Restou aos pacientes uma aula de pilates e mais queixas quanto ao atraso de remédios. 

Segundo a presidente da entidade, Maria José Melo Santos, o remédio Prolopa, com dosagem 200/50mg, é o carro-chefe do tratamento, mas está faltando desde janeiro na Farmácia de Pernambuco. Segundo ela, um frasco custa R$ 80 e há pacientes que chegam a usar o conteúdo de três frascos por mês. Hoje, a programação em lembrança à data continua na sede da instituição, na Rua Ubaldo Gomes de Matos, 53, Santo Antônio.

A Secretaria Estadual de Saúde reconheceu a falta do medicamento. Segundo o órgão, a licitação para aquisição está concluída. “Há três apresentações do levedopa + cloridrato de benserazida (nome comercial do Prolopa). O fármaco levodopa 100 mg benserazida 25 mg (cápsula de liberação prolongada) está com estoque para seis meses e o  levodopa 100 mg benserazida 25 mg (comprimido dispersível) com estoque suficiente para abastecer os pacientes por dois meses. Já o levodopa 200 mg benserazida 50 mg (comprimido convencional simples) teve sua licitação concluída e está em fase final de aquisição, aguardando conclusão dos trâmites para entrega pelo fornecedor”, diz a nota oficial.

Acordo
Maria José explicou que há nove anos a associação firmou acordo com o governo, na Justiça, para receber dez tipos de medicamentos e fazer a distribuição duas vezes ao mês. O repasse de abril estava previsto para ontem e hoje. Na falta do Prolopa 200/50mg, há pessoas usando o remédio de forma fracionada para não zerar o tratamento ou substituindo, com prescrição médica, pelo Prolopa bd 100/25mg. “Não é um remédio para dor. É para o tratamento. Por isso as pessoas não podem deixar de usar”, explicou a presidente da associação.

Marco Antônio Passos, 60 anos, costuma pegar sua medicação na associação. Quando não há, ele precisa desembolsar até R$ 300. O aposentado José Bezerra, 69, substituiu o remédio por outro após prescrição médica. Diagnosticado desde 2002, ele conta ter encontrado uma fórmula para conviver bem com a doença. 

“Não tenho tempo para a doença. Ela está esquecida. O segredo para viver bem é tirar o foco dela. Quando as pessoas andam de braços dados com o Parkinson, ele maltrata e você perde a visão de futuro. É como olhar e negar, achar que não tem chances. Se você esquecer, recupera a auto-estima”, acredita.

A doença:
Números
  •  200 mil pessoas, aproximadamente, sofrem com o Parkinson no Brasil hoje
  • 55 a 60 anos anos é a faixa etária comum para o aparecimento da doença, mas a prevalência aumenta dos 70 aos 75 anos
  • 1 em cada cerca de mil pessoas tem a enfermidade
  • 10% dos casos costumam aparecer antes dos 45 anos
O que é 
  • Descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, a doença neurológica afeta os movimentos
  • Causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio, alterações na fala e na escrita
  • O Parkinson ocorre por causa da degeneração das células situadas numa região do cérebro chamada substância negra
Diagnóstico
É feito com base na história clínica do paciente e no exame neurológico. Não há nenhum teste específico para o seu diagnóstico ou para a prevenção

Sintomas
Aumento gradual dos tremores, maior lentidão de movimentos, caminhar arrastando os pés, postura inclinada para frente

O tremor afeta os dedos ou as mãos, mas pode também afetar o queixo, a cabeça ou os pés. Ocorre quando nenhum movimento está sendo executado 

Tratamento
Não existe cura para a doença, porém ela pode e deve ser tratada, não apenas combatendo os sintomas, como também retardando o seu progresso



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