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Olinda Uma nova era na construção das cidades com a arquitetura moderna Obra do arquiteto e urbanista Luiz Nunes, a conhecida como caixa d'água é um exemplar da arquitetura moderna

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 12/03/2018 07:53 Atualizado em: 12/03/2018 08:03

Homem-aranha escala prédio da caixa d%u2019água. Foto: Gabriel Melo/Esp DP  (Foto: Gabriel Melo/Esp DP )
Homem-aranha escala prédio da caixa d%u2019água. Foto: Gabriel Melo/Esp DP


Há nove anos, nos carnavais, uma multidão se junta em frente ao prédio do reservatório do Alto da Sé para acompanhar a descida do homem-aranha. O personagem do instrutor de rapel Jall Oliveira, 42, virou ícone do domingo de folia e acabou atraindo olhares também para uma das construções mais revolucionárias do começo dos anos de 1900 em Olinda. Obra do arquiteto e urbanista Luiz Nunes, a conhecida como caixa ‘dágua é um exemplar da arquitetura moderna ainda preservado pela ação do tempo.

Com 20 metros de altura, o equivalente a um prédio de seis andares, e 75 metros cúbicos de capacidade, o reservatório foi construído entre os anos de 1934 e 1936. Era uma época de mudança no conceito de arquitetura. Pós-revolução de 1930, o então governador Carlos de Lima Cavalcanti contrata o carioca Luiz Nunes para organizar verticalmente o estado. Com sua equipe, Nunes empreende o uso de técnica então inovadoras e que posteriomente se disseminariam. O reservatório de Olinda foi o primeiro edifício de expressão de estilo moderno no país onde foi usado o cobogó.

“No século 17, não existia abastecimento na cidade. A água vinha de poços rasos ou do Rio Beberibe. Com a regularização do fornecimento no Recife, em 1848, a população de Olinda também começou a cobrar”, conta a coordenadora técnica da Compesa Cleice Santos. O reservatório foi construído para abastecer toda a cidade. Somente a partir da décadas de 1970, o abastecimento passou a ser desmembrado com os sistemas Alto do Céu e Botafogo. Ainda hoje, a Caixa d’água distribui água, mas apenas para a região da Sé e da Ribeira. 

Nem por isso, o prédio deixou de ser ícone. Por dois motivos. Um é o elevador panorâmico que dá acesso a um mirante de vista privilegiada para as cidades irmãs. O outro é o espetáculo do homem-aranha no carnaval. “Gostava de brincar no bloco Sala da Justiça. Um ano olhei para esse prédio e vi que poderia fazer algo diferente. Passei seis meses atrás de autorização, mas valeu a pena”, conta Jall Oliveira. Morador de Olinda há 25 anos, ele diz que a sensação de olhar a cidade do alto da caixa d’água é indescritível. “É impressionante ver o tanto de criança que agora vem acompanhar. Aqui é um grande palco ao ar livre”,disse.
 



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