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Assaltos Restaurante fecha as portas em Boa Viagem por causa da violência "Assaltos, homicídios e guerra de tráfico nas comunidades vizinhas vêm nos assustando e assustando nossos fiéis clientes", diz nota

Publicado em: 14/11/2017 10:30 Atualizado em: 14/11/2017 11:03

Restaurante fecha as portas em Boa Viagem por causa da violência. Foto: Google Maps/ Divulgação
Restaurante fecha as portas em Boa Viagem por causa da violência. Foto: Google Maps/ Divulgação

O restaurante Escalante's Tex Mex, localizado na Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, vai fechar as portas. A decisão foi anunciada na noite desta segunda-feira por meio de nota publicada na página do estabelecimento na rede social Facebook.

No texto, os proprietários creditam à violência o motivo para o encerramento das atividades: "Assaltos, homicídios e guerra de tráfico nas comunidades vizinhas vêm nos assustando e assustando nossos fiéis clientes. Por conta disso, decidimos não manter mais nossas instalações (...) Nos últimos meses nossa casa se tornou refém da violência que se instalou na nossa cidade", diz a nota. Confira o texto na íntegra:

É com muito pesar que anunciamos o encerramento de nossas atividades na unidade Boa Viagem. Há três anos migrávamos do pequeno trailer na Avenida Domingos Ferreira para uma casa de fato – o Escalante´s estava crescendo e precisava de espaço. Durante esse tempo nos consolidamos como referência em gastronomia tex-mex em Recife e honramos a risca a cultura mexicana que tanto admiramos.
Nos últimos meses nossa casa se tornou refém da violência que se instalou na nossa cidade. Assaltos, homicídios e guerra de tráfico nas comunidades vizinhas vem nos assustando e assustando nossos fiéis clientes. Por conta disso, decidimos não manter mais nossas instalações na Rua Professor Eduardo Wanderley Filho.
Esperamos todos vocês para um adeus a este lugar incrível e com nossa identidade. Funcionaremos até o dia 9 de dezembro. No mais, a gente se encontra na unidade Candeias e, em breve, teremos uma operação na Zona Norte, no Shopping Parnamirim (antigo Texannos).

Rio - A crise econômica e a violência responderam pelo fechamento de 3.950 estabelecimentos comerciais no estado do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre deste ano, que representa alta de 31,8% em relação ao mesmo período de 2016, quando 2.996 estabelecimentos fecharam as portas. Os dados foram divulgados pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio).

Na capital fluminense, foram 1.693 estabelecimentos comerciais fechados de janeiro a março de 2017, contra 1.263, no mesmo período do ano passado, o que representa alta de 34%. O local onde foi observada a maior variação (45,3%) no número de lojas fechadas foi a região central do Rio, passando de 190, em 2016, para 276, este ano.

O presidente do CDL Rio, Aldo Gonçalves, mostrou preocupação com a insegurança no Rio: "Está havendo também assaltos a shoppings centers, o que não ocorria antes”.

A pesquisa Gastos com Segurança em Estabelecimentos Comerciais, elaborada pela entidade, revela que o comércio varejista do Rio de Janeiro gastou R$ 1,2 bilhão com segurança, entre abril de 2016 a abril deste ano. O gasto extra envolveu compra de equipamentos, alarmes, contratação de seguro e seguranças, colocação de grades, blindagem de portas e reforço de vitrines. Foram ouvidos 750 lojistas, dos quais 150 já tiveram seus estabelecimentos furtados, assaltados ou roubados. Crescimento de 20% na comparação com o ano passado.

Economia

Segundo Aldo Gonçalves, o dinheiro gasto com segurança pelos lojistas poderia estar gerando empregos: “Se esses recursos fossem aplicados para abrir novas lojas, isso geraria empregos, geraria novos impostos, ajudaria a economia. Ou, então, em treinamento de pessoal, capacitação, seria bom para os comerciários. Mas é um dinheiro que está sendo investido para conter violência e é uma soma importante”, lamentou.

Para o presidente do CDL-Rio, fica evidente que o problema da insegurança afeta muito a economia, porque além dos assaltos a lojas e arrombamentos, o assalto ao consumidor também afasta as pessoas das ruas. “Diminui o faturamento, as vendas das lojas. Isso tem prejudicado muito o comércio e, consequentemente, a economia como um todo”. Além da crise econômica que persiste no país e do desemprego, Aldo Gonçalves indicou que a falta de segurança também provoca queda nas vendas, contribuindo para o fechamento de muitas lojas.

O CDL Rio informa que tem enviado ofícios e reclamado junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública e ao governo fluminense pedindo que providências sejam tomadas no sentido de melhorar a proteção tanto das lojas, como do consumidor. Para Gonçalves, porém, a resposta do governo até o momento tem sido “inócua”.

De acordo com a pesquisa, do total de R$ 1,2 bilhão investidos na segurança dos estabelecimentos comerciais, 62% (R$ 744 milhões) foram aplicados na contratação de segurança privada e vigilantes.

Em nota para comentar o resultado do levantamento, a Secretaria de Estado de Segurança Público lembrou que, em 2016, houve uma redução de 1,5 mil policiais militares e 500 policiais civis em serviço e que está impossibilitada de realizar concurso para repor este efetivo. “Com a Reforma da Previdência, a média diária de pedidos de aposentadoria das polícias dobrou. Além disso, a Seseg lamenta ter sofrido corte de custeio da ordem de 50% no seu orçamento previsto para 2017, em relação ao ano anterior”, diz a nota.

A Secretaria de Segurança acrescenta que, como ocorre com todos os órgãos do governo fluminense, está aguardando a recuperação financeira do estado para efetuar os necessários investimentos, “além do pagamento do décimo terceiro salário, quitações das premiações do Sistema Integrado de Metas e do tempo adicional de serviço aos policias civis e militares, que continuam servindo à população fluminense”.

Com informações da Agência Brasil



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