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Saúde Hepatite C deve fazer parte do chek up Campanha quer incorporar o Anti-HCV à checagem da saúde dos pacientes. No país, cerca de 1,5 milhão de pessoas estão com a doença e não sabem

Publicado em: 14/11/2017 08:00 Atualizado em: 14/11/2017 08:20

Hepatite C deve fazer parte do chek up. Foto: Secretaria Estadual de Saúde/Divulgação
Hepatite C deve fazer parte do chek up. Foto: Secretaria Estadual de Saúde/Divulgação

Doença silenciosa, a hepatite C demora até três décadas para dar sinais. O desenvolvimento lento confunde muitos pacientes e retarda o diagnóstico, impedindo o tratamento adequado a tempo de evitar complicações como cirrose e câncer. Tipo de hepatite viral que mais mata no Brasil, responsável por 75% dos óbitos pela doença entre 2000 e 2015, a hepatite C pode ser descoberta com um simples exame de sangue. As sociedades brasileiras de Hepatologia e Infectologia, junto com a Abbvie e a Associação Médica Brasileira, iniciaram campanha para incorporar o exame de Anti-HCV à rotina de checagem da saúde dos pacientes.

Estima-se que em todo o país existam cerca de 1,5 milhão de pessoas convivendo com a doença sem saber. Em geral, são homens e mulheres com mais de 40 anos, que viveram uma época da medicina em que as seringas eram de vidro e reutilizáveis. A hepatite C é transmitida, sobretudo, pelo contato com o sangue contaminado, por vias sexuais e, em menos escala, de mães para bebês, na chamada transmissão vertical. É por isso que a maior parte dessa população ainda não diagnosticada, para os especialistas, está nos grandes centros urbanos. São pessoas que fizeram doações de sangue, transfusão, tomaram injeções, fizeram tatuagens, colocaram piercings ou usaram drogas injetáveis antes da década de 1990. Entre 2000 e 2015, segundo dados do Ministério da Saúde, 52% dos notificados desconheciam a fonte de contaminação.

“É uma doença que não poupa idade, raça, questão financeira. É preciso avançar para fazer o diagnóstico o mais precoce possível. Hoje, diferente de 40 anos atrás, já temos tratamentos cuja taxa de cura é de 95%. São drogas com reduzido efeito colateral em relação ao passado. O gasto para tratar esses pacientes é bem menor que o investimento, no futuro, para fazer um transplantes de fígado”, alerta o presidente da sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sérgio Cimerman. Até 9% dos casos ocorrem em coinfecção com HIV.

Em Pernambuco, entre 2014 e 2017, foram notificados 604 casos de hepatite C. Em geral, das pessoas que se contaminam, 20% entram em um quadro agudo. Desse percentual, até 85% entra na fase crônica depois de seis meses. A próxima fase é a evolução para uma fibrose, que ao longo de cerca de 10 anos evolui para uma cirrose. O último estágio é o câncer. Cerca de 25% dos casos de câncer de fígado são causados por hepatite. Quando o paciente chega nesse estágio, há uma probabilidade de morte no primeiro ano após o diagnóstico de 33%.

 “A hepatite aguda é uma doença pouco sintomática, não tem icterícia (coloração amarela de tecidos e secreções). Ela pode se passar como virose, com febre, dor de cabeça, e depois evoluir. Então, só se descobre em um exame de rotina, já tardiamente”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Edmundo Lopes.
A campanha que está sendo veiculada em mídia e também na internet visa alertar aos médicos para inserir o anti-HCV no rol de exames de rotina. Sem precisar tirar sangue adicional, com poucos mililitros, é possível detectar a doença e começar a intervenção. Também são alvo da campanha os próprios pacientes, para que estejam alerta da necessidade de pedir ao médico para incluir o exame.

Entram no grupo prioritário ainda pessoas que costumam ingerir bebidas alcoólicas, já que hepatite C pode ser agravada mais rapidamente nesses casos, e também diabéticos. O vírus aumenta a resistência à insulina periférica, desencadeando a diabetes mais precocemente. A chance de um diabético ter hepatite C é de cinco a seis vezes mais alta, afirmam os especialistas.

“O exame aponta o resultado em 15 minutos. É uma questão de conscientização, como acontece por exemplo com Aids e sífilis. Já existe uma estrutura nos estados para fazer isso. E vai possibilitar que a médio e longo prazo acabemos com a hepatite C no Brasil”, acrescentou Edmundo Lopes. Em todo o mundo, há uma esforço para cumprir o protocolo lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de erradicar a doença até 2030.

*A repórter viajou para São Paulo a convite da Abbvie

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