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IRREGULARIDADES Polícia Federal deflagra operação para coibir fraudes no Enem Estão sendo cumpridas 31 ordens judiciais de condução coercitiva e busca e apreensão em Pernambuco e outras 13 unidades da federação

Publicado em: 12/11/2017 18:45 Atualizado em: 12/11/2017 20:27

A Polícia Federal, com apoio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), deflagrou na tarde deste domingo a Operação Passe Fácil, visando coibir fraudes no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Segundo a PF, foram cumpridas 31 ordens judiciais de condução coercitiva em 13 estados - Pernambuco, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Piauí, Paraná, Rio Grande e São Paulo - e no Distrito Federal. Em todas essas unidades da federação foi possível  detectar indícios de fraudes. O caso de Pernambuco ocorreu na cidade de São José do Egito, no Sertão do estado.

A operação buscou desvendar e desarticular esquema de candidatos interessados em fraudar o certame mediante a resolução da prova por especialistas chamados de "pilotos", que posteriormente repassavam os gabaritos aos concorrentes que os contrataram, inclusive por intermédio de pontos eletrônicos.

A suspeita ocorreu porque os 31 investigados tinham algum indício como o fato de já terem sido aprovados em outros exames, em faculdades e cursos de alta concorrência, como medicina e engenharia. Outros indícios eram o gabarito idêntico ou a performance muito boa em disciplinas específicas, o que seria com o intuito de responder para passar o gabarito. Ainda não se sabe quais dos investigados eram concorrentes de fato ou realizavam a prova como pilotos. De acordo com o delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Renato Madsen, a condução era feita com cautela e discrição, para não prejudicar outros candidatos.

"As pessoas eram monitoradas por esse histórico e depois esperamos que realizassem o exame. No local da prova acontecia a abordagem discretamente, evitando entrar em salas durante a prova para não assustar ou provocar desconcentração para outros presentes. A principal forma de comunicação seria por meio do ponto eletrônico, mas estamos investigando até as formas mais básicas, como deixar respostas em banheiro, por exemplo", pontuou. "Na abordagem, os policiais apreendiam os celulares, para ver as principais formas de comunicação e a revista verificava a presença de fones ou pontos eletrônicos. Essas informações vão ser reunidas para fechar o cerco", complementou.

A ação da PF em São José do Egito foi realizada pela unidade de Patos, por questão de proximidade. Os investigados foram ouvidos e liberados. Eles terão direito de se defender e, justificada a inocência, terão as provas corrigidas normalmente. A PF esclarece que a operação não atrapalha ou prejudica a segurança do Enem.

Os resultados ainda estão sendo computados, mas já foi possível colher depoimentos e apreender celulares de investigados, o que confirmou a participação em fraudes em certames anteriores. "Um dos suspeitos chegou a confessar a participação em um esquema de anos anteriores, mas que não conseguiu passar porque não se deu bem na redação", informou o delegado.

De acordo com a PF, a operação busca garantir a lisura do certame e a igualdade entre os candidatos."Caso seja confirmada a fraude, os suspeitos serão indiciados por um ou mais crimes penais. Além disso, a investigação citou 31, mas pode aumentar esse número de envolvidos suspeitos", ressaltou. Entre os crimes estão estelionato, uso de documento falso, fraudes em certames de interesse público e associação criminosa, cujas penas ultrapassam os 25 anos de reclusão.



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