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PF Único remanescente da Operação Torrentes deve se apresentar esta tarde Prisões têm prazo de cinco dias. Militares estão presos da Academia da PM. Empresários homens foram para o Cotel e as mulheres para a Colônia Feminina. Um PM está preso em casa, com tornozeleira eletrônica, alegando tratamento de saúde

Publicado em: 10/11/2017 07:54 Atualizado em: 10/11/2017 14:55

Prisões tem prazo de cinco dias. Foto: Peu Ricardo/ DP
Prisões tem prazo de cinco dias. Foto: Peu Ricardo/ DP

O empresário Ítalo Henrique Silva Jaques único remanescente da Operação Torrentes, deve se apresentar na tarde desta sexta-feira à Polícia Federal (PF). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, a garantia foi dada pelo advogado do empresário, sem a definição de um horário específico. Alvo de um mandado de prisão temporária, ele não foi encontrado ontem em sua residência.


De acordo com a PF, todas as prisões e buscas foram realizadas e cumpridas com sucesso ainda no dia de ontem, quando todos os presos foram levados para a audiência de custódia. Os que foram conduzidos coercitivamente foram liberados após serem ouvidos na sede da Polícia Federal, na Avenida Cais do Apolo.Todas as prisões têm validade de cinco dias. Após este prazo, a Justiça pode liberar os presos ou transformar as prisões em preventiva por prazo indeterminado. O grupo de 14 pessoas entre civis e militares chegou à sede da Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, na Zona Oeste do Recife, por volta das 15h e somente à noite, foram julgados na audiência de custódia que ocorreu na 36ª Vara da Justiça Federal.

 

Foram apreendidos documentos fiscais, computadores, mídias eletrônicas, celulares e discos rígidos. Foto: PF/ Divulgação
Foram apreendidos documentos fiscais, computadores, mídias eletrônicas, celulares e discos rígidos. Foto: PF/ Divulgação


Militares - A Juíza Carolina Souza Malta, decidiu que os Coronéis Fábio de Alcântara Rosendom Roberto Gomes de Melo Filho e Waldemir José Vasconcelos de Araújo ficarão custodiados na Academia da Polícia Militar em Paudalho, na Mata Norte de Pernambuco. O quarto militar julgado, Laurinaldo Félix do Nascimento, fica preso em regime domiciliar, com monitoramento através de tornozeleira eletrônica em virtude de estar passando por tratamento médico, previamente marcado.

Civis - Já os empresários e demais presos: Antônio Manoel de Andrade Júnior, Antônio Trajano da Rocha Neto, Heverton Soares da Silva, Ricardo Henrique Reis dos Santos, Ricardo José de Padilha Carício, João Henrique dos Santos e Daniel Pereira da Costa Lucas foram encaminhados ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, em cumprimento à ordem de prisão temporária pelo prazo de 5 dias. Também em cumprimento a essa ordem, Roseane Santos Andrade, Taciana Santos Costa e Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, esposa do empresário Ricardo Padilha, foram encaminhadas para a Colônia Penal Feminina do Recife.

Seis veículos de luxo foram apreendidos durante a operação. Foto: PF/ Divulgação
Seis veículos de luxo foram apreendidos durante a operação. Foto: PF/ Divulgação


Material apreendido
- Foram apreendidos durante a operação, seis veículos de luxo, além de documentos fiscais, computadores, mídias eletrônicas, celulares, discos rígidos que passaram por uma perícia técnica a fim de subsidiar as investigações em andamento.

Investigação - A investigação dividiu o esquema em cinco grupos criminosos: um de policiais militares reponsáveis pelos contratos e outros quatro de empresas beneficiadas no esquema. Foram presos por força de prisão temporária o tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento, o coronel Fábio de Alcântara Rosendo, o coronel Roberto Gomes de Melo Filho e o coronel aposentado Waldemir José Vasconcelos de Araújo. Segundo a PF, os quatro tiveram atuação comprovada nas fraudes e assinaram documentação. Outros sete PMs foram alvo de condução coercitiva. Entre os grupos de empresários estão os de Ricardo Padilha (prisão temporária), Rogério Fabrício Roque Neiva (condução coercitiva), Romero Fitipaldi Pontual (condução coercitiva) e Antônio Manuel de Andrade Júnior (prisão temporária). Os crimes investigados são de peculato, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e associação criminosa, cujas penas ultrapassam os 25 anos de reclusão.

As enchentes nos anos de 2010 e 2017 em Pernambuco deixaram milhares de pessoas pobres ainda mais pobres. A corrupção denunciada ontem, na Operação Torrentes, deflagrada pela Polícia Federal (PF), ainda tirou delas o direito a benefícios e provocou um efeito perigoso: a descrença na solidariedade. A investigação, feita em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF), apontou que funcionários da Casa Militar direcionavam contratos para a aquisição de bens destinados às vítimas das enchentes a grupos empresariais em troca de contrapartidas financeiras.Também foram verificados indícios de superfaturamento e não execução de contratos. Em função da quantidade de doações recebidas, a suposta quadrilha teria simulado a compra de algo que já tinha à disposição, como água mineral.

Lonas, colchões, banheiros químicos, comida e água mineral foram alvos dos 15 contratos investigados, sendo 12 referentes à Operação Reconstrução e três à Prontidão, como foram chamadas as ações emergenciais na Mata Sul em 2010 e 2017, respectivamente. O valor total do repasse dos contratos investigados é de R$ 450 milhões. Calcula-se um superfaturamento de até 30% em alguns desses contratos. Esse valor é somente uma pequena amostra do que pode ser ainda mais grave. Isso porque Pernambuco recebeu R$ 2,9 bilhões em repasses federais para realizar o socorro às vítimas das duas enchentes. A investigação começou em 2016 e não foram citados nomes de políticos no esquema. “Há serviços não executados ou mesmo nenhum bem adquirido. Nos entristece o esforço dos governos em enfrentar a situação de emergência e depois são constatados desvios dos recursos”, informou o delegado Renato Madsen, chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado. Ao todo, 71 mandados judiciais foram cumpridos, sendo 36 de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 20 de condução coercitiva em Pernambuco e no Pará. Também foram determinados o sequestro e a indisponibilidade dos bens dos principais investigados. O nome da operação faz alusão às enchentes que devastaram municípios da Mata Sul.



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