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Dia Obesidade exige respeito e seriedade Cerca de 40 milhões de brasileiros sofrem da doença, que tem seu dia de combate lembrado hoje e é tema de campanha de entidades em Pernambuco

Por: Ana Paula Neiva - Diário de Pernambuco

Publicado em: 11/10/2017 07:41 Atualizado em: 11/10/2017 08:12

Camila Serrano de Souza travou luta com a balança. Foto: Paulo Paiva/ DP
Camila Serrano de Souza travou luta com a balança. Foto: Paulo Paiva/ DP

Ao voltar de um intercâmbio no Canadá, a estudante pernambucana Camila Serrano de Souza, 23, chegou ao Brasil com 20 kg a mais, resultado do excesso de frituras e da falta de exercício. A partir daí, travou uma guerra com a balança. Tentou dietas da moda, mas, em março de 2016, procurou a ajuda médica. Em seis meses, saiu de quase 80 quilos para 58. Deixou de ser sedentária e transformou seus hábitos alimentares, livrando-se da obesidade. Camila fazia parte de um grupo que sofre de doença metabólica crônica, que cresceu 60% nos últimos 10 anos, atingido mais da metade dos brasileiros.

Neste 11 de outubro, se comemora o Dia Mundial de Combate à Obesidade. E amanhã, das 9h às 13h, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e a Associação Brasileira para Estudo da Obesidade divulgarão a campanha “Obesidade, eu trato com Respeito” no Marco Zero.

 “O pior é que eu nem me sentia gorda. A gente parece que se acostuma. Vai comprando roupas mais largas, ficando desleixada sem nem perceber”, desabafou a jovem, que conseguiu deixar para trás a forma errada de comer e cuidar mais da saúde. Com 1,63 metro de altura, Camila chegou a vestir roupas 44, e hoje usa peças 36. “Foi uma mudança muito grande. Além de mais saudável, estou mais bonita e feliz”, comemorou. Antes do tratamento, a estudante tinha Índice de Massa Corporal de 30,2, valor já considerado obesidade pela Organização Mundial de Saúde. A taxa para um adulto saudável deve estar entre 18 e 25. Agora, ela tem 22,2.

A endocrinologista Maria Amazonas, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Pernambuco, faz um alerta sobre os riscos da doença. “Obesidade não tem cura. É preciso conscientizar as pessoas. É considerada uma doença crônica desde 2014. Além de reduzir a qualidade de vida, favorece o surgimento de diabetes, doenças cardiovasculares, asma, gordura no fígado e até câncer.”


Um a cada cinco brasileiros (o que equivale a 40 milhões de pessoas), é obeso. Segundo o Ministério da Saúde, a doença prevalece mais no sexo feminino (19,6%), enquanto afeta 18,1% dos homens. Os dados são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril pelo MS. Em uma década, a quantidade de pessoas obesas no Recife cresceu de 11,9% para 20%.

Maria Amazonas ressalta que é necessário tratamento contínuo, muitas vezes com medicação. “Não acredito em fórmulas mirabolantes, mas drogas bem administradas trazem benefícios aos pacientes”, defendeu. Segundo ela, a Associação Americana de Endocrinologia Clínica já preconiza medicamentos em pacientes com IMC acima de 27. “Quando a pessoa já tentou exercícios e dieta, e não obteve resultado, o remédio é uma alternativa. Há medicações que podem ser usadas até por cardiopatas”, explicou.

Entre as dietas de moda, a médica condena o uso de gonadotrofina coriônica humana (HCG), o hormônio da gravidez. O HCG foi usado dessa forma pela primeira vez entre as décadas de 1950 e 1970, pelo médico britânico Albert Simeons, que investigava a ação do hormônio em uma síndrome metabólica e notou que pacientes emagreceram após o uso. Ao comparar o uso de hormônio com placebo, todas mostraram que o HCG não surtia efeito.

Já a cirurgia bariátrica é indicada quando o paciente está com IMC em torno de 40 e já passou por outros tratamentos. A gastretomia vertical Sleeve, desenvolvida pelo canadense Michel Gagner, é menos agressiva. “O estômago é grampeado em forma de tubo, que vai do esôfago ao duodeno. Reduz-se o estômago em até 80%”, explicou o cirurgião Walter França. Na redução retira-se parte do fundo gástrico, região que produz o hormônio grelina, responsável pela sensação de fome. A cirurgia, além de promover a perda de peso, ajuda a controlar a diabetes, pressão alta e reduz os medicamentos de uso contínuo.



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