• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Direitos Humanos Prisão e tortura de padre e missionário revelados ao mundo pela primeira-dama dos EUA, Rosalynn Carter

Por: Jailson da Paz

Publicado em: 17/07/2017 12:00 Atualizado em: 17/07/2017 14:10

Matérias publicadas no Diario de Pernambuco há 40 anos durante visita da primeira dama dos EUA. Foto: Reprodução/ Arquivo DP
Matérias publicadas no Diario de Pernambuco há 40 anos durante visita da primeira dama dos EUA. Foto: Reprodução/ Arquivo DP
A história da prisão e tortura do padre Lourenço Rosebaugh e do missionário Thomas Capuano pode ser pinçada por muitos ângulos. Do conflito Igreja Católica versus o Regime Militar à pobreza das periferias recifenses nos anos 1970. Qualquer que seja a escolha, o fio condutor do caso envolvendo os norte-americanos, detidos quando puxavam uma carroça na Avenida Sul, vai estar agarrado à questão dos direitos humanos. Ampliado pela única visita de uma primeira-dama dos Estados Unidos a Pernambuco, em 8 e 9 de junho de 1977, o fato repercutiu internacionalmente.

Amarrada a eventos cronometrados e planejados em comunhão com o governo Moura Cavalcanti (1975-1979), Rosalynn Carter rompeu o planejado para ouvir os conterrâneos. E contribuiu, há 40 anos, para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acatar, em 20 de julho de 1977, o pedido de dom Helder Camara para criar a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife. Essa viria a ser o braço do bispo em defesa dos direitos humanos.

Quinze minutos apenas, revela o Diario de Pernambuco na época, foram reservados à conversa de Rosalynn com os dois religiosos. O encontro ocorreu no Consulado dos Estados Unidos, ainda hoje na Rua Gonçalves Maia, na Boa Vista. Além de ouvir relatos do que os religiosos sofreram na cela da Delegacia de Roubos e Furtos, Rosalynn recebeu uma carta reveladora das condições péssimas a que outros 19 detentos, os presos políticos, enfrentavam na Penitenciária Professor Barreto Campelo, em Itamaracá. Parentes dos presos políticos, obrigados a se despir para puderem entrar na penitenciária, assinavam a carta. Diante de si, a primeira-dama tinha elementos perfeitos à bandeira da defesa dos direitos humanos, empunhada pelo governo Jimmy Carter. No Brasil, de 1968 a 1976, 109 bispos, padres, seminaristas e freiras já haviam sido presos pela ditadura militar.

Terminado o encontro no consulado, Rosalynn Carter nada falou à imprensa. Foi assim durante as 23 horas de permanência da primeira-dama no Recife. Sem entrevistas coletivas nem declarações exclusivas a veículos de comunicação. A visita a Pernambuco teria sido agendada, segundo a Embaixada dos Estados Unidos, pelo valor sentimental para a primeira-dama. Embora em silêncio oficial, Rosalynn, ao se encontrar com o padre e o missionário, pressionou o governo do então presidente Ernesto Geisel (1974-1979), que havia prometido uma distensão lenta, segura e gradual do regime militar, mas responsável por cassar 11 mandatos parlamentares, fechar o Congresso Nacional por dois meses, criar senadores biônicos para equilibrar a gangorra política, censurar 164 filmes e peças de teatro.

O gesto de Rosallyn teve obviamente o aval do marido, diz a história. Certamente foi aplaudido por dom Helder Camara, e, para bons entendedores, era o mesmo que dizer: olha aí, apoiamos o regime em vigor do Brasil, mas está na hora de acelerar o fim dessa máquina de repressão e tortura, que, na época, moía presos políticos e comuns. No caso de Lourenço Rosebaugh e Thomas Capuano, comuns. Sujos e puxando uma carroça para apanhar restos de alimentos, para matar a fome de pobre e pessoas em situação de rua, ambos foram detidos por não estarem, conforme a comissão especial do inquérito, vestidos compatíveis com a condição social que alegavam. Logo, cadeia. A roupa dizia e diz ainda hoje, aos olhos das convenções sociais, quem você é. Assim, tal qual em 1977, detenções parecidas às do padre e do missionário norte-americanos são flagradas no Recife. Pudera. O analfabetismo diminuiu, o transporte avançou periferia adentro, mas a pobreza persiste. A concepção condenatória de quem policia pouco se alterou.


A visita que marcou a história da UR-10

Empregada doméstica Amara de Barros Silva, 77 anos. Foto:Peu Ricardo/ DP
Empregada doméstica Amara de Barros Silva, 77 anos. Foto:Peu Ricardo/ DP

A chuva deu trégua naquele dia de Corpus Christi. Ao levantar cedo, a empregada doméstica Amara de Barros Silva, 77 anos, ditou orientações à filha mais velha para os cuidados com os quatro irmãos menores. Valdemir, Jucedir, Cássia e Valdeir iriam para a Creche Tio Zé, na UR-10, no bairro do Ibura.

Matriculados, os garotos aguardavam a visita de uma “mulher importante e famosa”, a primeira-dama dos Estados Unidos. Para recepcionar Rosalynn Carter, os filhos de Amara, assim como as cerca de 150 crianças da creche, receberam fardamento novo. Tudo milimetricamente passado a ferro pelas mães.

 “Não cheguei a ver a primeira-dama, mas a visita ficou ligada à história da minha família”, revela Amara. As crianças ficaram a poucos metros da primeira-dama de fala incompreensível. A avó paterna dos meninos, Maria Áurea da Conceição, esteve frente a frente com Rosalynn Carter. E da primeira-dama ganhou um broche. A peça seria a joia mais preciosa da viúva Maria Áurea. Sempre que falava da visita, ela demonstrava o valor sentimental do broche, com o qual foi sepultada na década passada. O encontro da viúva e da primeira-dama aconteceu na casa 21, hoje na Rua Monte Alegre, da vila em construção pelo governo estadual.

Ali, no imóvel de tijolos aparentes e telhas inglesas, de dois quartos, sala, banheiro, cozinha e terraço minúsculo, Rosalynn entrou, quebrando o protocolo. Aproximou-se de Maria Áurea. Essa de lenço na cabeça, hábito comum na época a mulheres do campo e de forte religiosidade, e com a neta Maria Eliane Salvino de Oliveira, de um ano e três meses de idade, no colo. A poucos metros, na rede, outro neto, irmão de Eliane. A casa da viúva era abrigo dos netos, para que as mães pudessem trabalhar em “casas de família”. Na pobreza de quem havia sido retirada do Coque, na Ilha Joana Bezerra, devido à enchente de maio de 1977, a avó se encantou com a simplicidade e o estender a mão de Rosalynn Carter.

Maria Eliane, hoje aos 41 anos, compreende o encantamento da avó Áurea, de quem cresceu ouvindo falar de Rosalynn Carter. Grau de encantamento comparável ao de se deparar com uma princesa. No caso da primeira-dama, sem carruagem.

A chegada dela na periferia recifense se deu em um Landau, carro exclusivo do governador. Para facilitar o deslocamento da norte-americana, Moura Cavalcanti cedeu o veículo oficial e passou a usar o da primeira-dama do estado, Margarida Cavalcanti.

Daquele tempo, as memórias de Maria Eliane são orais. Na época, analisa, fotografia era para pouca gente. Comprar jornal era impensável para famílias muito pobres e de “leitura pouca”. E, agarrada ao que tanto ouviu na infância e juventude, imagina o cortejo da Rosallyn Carter pelas ladeiras da hoje UR-10.

Rosalynn decidiu subir parte do morro de Dois Rios após conhecer a Creche Tio Zé. Na creche, esteve nas salas, no berçário, presenteou funcionários com broches e recebeu, de um dos alunos, de 6 anos de idade, uma boneca de pano. A boneca, confeccionada pelos alunos da creche, seria para a filha caçula do casal Carter, Amy.

Do meio da ladeira, a norte-americana enxergava uma paisagem ainda dominada pelo verde. As casas, em pequenas clareiras, pontuavam uma das áreas para que o Recife, alagável, se expandia. Muros e pedras se tornaram assentos para os curiosos. Seguiam os passos da primeira-dama.

Alguns ganharam acenos. Outros apertos de mão. Crianças, até abraços. Quebra de regras não se repetiu no chá do fim da tarde, na casa dos Steiner, em Piedade. Na mansão da Avenida Bernardo Vieira de Melo, a mesa posta, os vestidos finos das senhoras da sociedade, exigiam protocolo, troca de presentes, gestos refinados. Assim foi feito.

Sobre as prisões

15 de maio
O padre Lourenço Rosebaugh e o missionário Thomas Capuano, norte-americanos, são detidos por agentes da DP de Roubos e Furtos, na Av. Sul, quando puxavam uma carroça com destino a Afogados

18 de maio

Os norte-americanos são soltos após sofrerem agressões físicas na delegacia. Nesse intervalo, dom Helder e pessoas ligadas à Arquidiocese haviam procurado os dois em delegacias e hospitais

26 de maio

Com a repercussão do caso e a proximidade da visita da primeira-dama dos EUA ao Recife, o governador Moura Cavalcanti determina rapidez na apuração do caso  

1º de junho
A Embaixada dos EUA envia nota de protesto ao Itamaraty. Era, segundo a embaixada, a preocupação sobre o caso e a esperança do governo investigar e chegar a “uma conclusão satisfatória”.

8 de junho
Vinda de Brasília, Rosalynn desembarca no Recife. Abre espaço na agenda oficial e conversa com Lourenço Rosebaugh e Thomas Capuano, no Consulado dos Estados Unidos, na Boa Vista

9 de junho
Fontes do governo Ernesto Geisel vazam a informação de que o presidente dissera a Rosalynn Carter ser contrário à influência da campanha sobre direitos humanos do governo norte-americano

13 de julho

A PF não renova o visto de Thomas Capuano. Obrigado a retornar aos EUA,  o missionário deixa o Recife no dia 21. A justificativa foi de que a permanência seria ”inconveniente aos interesses nacionais”.

5 de agosto
Relatório da Comissão Especial de Inquérito, para investigar as prisões e agressões dos norte-americanos, aponta o detento Severino Alves da Silva, o Chupa dedo, como autor da violência contra os religiosos

6 de agosto
Sacerdotes da Ordem dos Oblatos de Maria, a qual pertencia padre Lourenço Rosebaugh, questionam o relatório da Comissão Especial de Inquérito. E o diretor da ordem fala em inverdades no relatório

15 de setembro
O juiz Francisco Rodrigues dos Santos rejeita a denúncia contra Chupa dedo. Para ele, “era um despropósito e uma injustiça”  reparar o vexame “envolvendo criminalmente um bode expiatório”

19 de setembro
O promotor Fernando de Freitas Henriques não apresenta recurso, ao TJPE, à decisão do juiz Francisco Rodrigues dos Santos e dá por encerrado o processo contra
Chupa dedo. O caso é arquivado


Uma mulher elegante e simples

A aposentada Maria Luzinete da Silva, 72 anos, está correta. Se retornasse ao Recife, Rosalynn Carter, hoje aos 89 anos, teria dificuldade em reconhecer os lugares onde esteve. A população da cidade aumentou quase 50%. Saiu de 1,1 milhão de habitantes para 1,6 milhão, vindo junto os arranha-céus, as ocupações dos morros, a poluição. Mas Luzinete adota como um dos parâmetros para sua interpretação algo menor: a ladeira da Rua Monte Alegre. Nela, a primeira-dama saudou os moradores e recebeu aplausos.

Do topo da ladeira, Maria Luzinete viu Rosalynn Carter passar. “Era muita segurança. Quase ninguém conseguia chegar perto dela”, recorda, definindo a mulher de Jimmy Carter como simples e muito elegante. Atualmente, do mesmo lugar em que se postou em junho de 1977, a aposentada se depara com imóveis de um e dois pavimentos. A altura das casas encobriu parte do horizonte, embora, dando passos para o lado, seja possível ver o prédio que ocupa o lugar da casa 21 da Rua Monte Alegre, onde a primeira-dama entrou.

Essas mudanças podem ser explicadas pelo multiplicar dos habitantes. Estivador aposentado, Reginaldo Ferreira Sales, 66, consta entre os desbravadores da UR-10. Na década de 1960, segundo ele, era possível contar facilmente as casas existentes. “Tinha umas 360. Todas dentro do mato”. Incluída em tal realidade, a dele, fincada na esquina da Rua Monte Alegre.

A contabilidade atual é, pelo seu olhar, “dez vezes maior”. Por motivos interligados, terrenos desapareceram com as ocupações e as doações e as vendas de áreas pelo governo do estado.

 

No lugar da estrada de terra batida, paralelepípedos e asfalto, pavimentos convidativos aos carros. E o piso fortalecido facilitou o vai e vem dos ônibus. Encurtaram as caminhadas dos moradores. Quando Rosalynn Carter pisou na UR-10, operários como Reginaldo andavam dois ou três quilômetros para chegar ao terminal do ônibus. E hoje descem e sobem nos coletivos a palmos de casa.

As ocupações ocorreram de Norte a Sul da comunidade, inicialmente chamada de Dois Rios. Nem as extremidades das encostas escaparam. Nessas, pontos comerciais. Cada metro é disputado para garantir algo que aumente a renda ou estenda os limites das casas.

A antiga Creche Tio Zé, antes pertencente à Cruzada de Ação Social e hoje da Prefeitura do Recife, sofreu com as invasões. O entorno do muro foi ocupado. Primeiro, por imóveis de um pavimento. Agora, os imóveis subiram. Ultrapassam a altura do antigo muro da creche.

“De quase todos os lugares que a gente olhava, antigamente, dava para ver a creche”, conta Maria Luzinete. Ela trabalhou no estabelecimento por mais de duas décadas. Hoje os olhos se perdem no emaranhado de casas agarradas.


A salvação aos olhos está no velho e confundível telhado da unidade escolar. Exceto a cobertura das duas salas construídas em 1984, o restante é original. Manteve-se a estrutura inaugurada pela Cruzada de Ação Social, no ano de 1975, com piso de cimento queimado, telhas canais gigantes e áreas externas amplas para as 207 crianças, de 0 a 5 anos.

Novo cenário com os velhos problemas

As portas dos barracos abertas no muro da linha férrea da Avenida Sul, em São José, sentenciam a incapacidade do poder público em solucionar o problema da habitação no Recife. Em 1977, quando o padre Lourenço Rosebaugh, católico, e o missionário Thomas Capuano, menonita, foram presos e torturados, o assunto permeava a luta desses dois religiosos norte-americanos. Ambos viviam nas ruas. Procuravam enfrentar os mesmos problemas de quem não tinha onde morar e nem ao certo o que comer, beber e vestir. Tornaram-se mendigos. Por esta aparência foram detidos e levados à Delegacia de Roubos e Furtos, em 15 de maio. A abordagem policial ocorreu perto da comunidade Estrada de Ferro, lugar em que se ergue desde 2014 a Favela da Linha.

Nas margens da linha férrea, a história se repete. Não como farsa, mas novamente como tragédia. Há cerca de 100 famílias sob barracos de madeira, papelão e plástico. Aqui e acolá, alguns tetos de alvenaria, de construção possível porque os trens sumiram com a privatização da Rede Ferroviária Federal. A alvenaria é exceção e algo do tipo inexistia na época do episódio dos norte-americanos. A comunidade da Estrada de Ferro era de pobreza extrema.

“Encostados ao muro da linha, os barracos tremiam quando os trens trafegavam”, detalhou Maria Lúcia Moreira, ex-secretária da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife. Uma vez criada, em 1977, após a vinda de Rosalynn Carter, a comissão acompanhou o caso do padre e do missionário dos EUA.

Mãe de três filhos, Sandryelle Gomes de Santana Xavier, 23, mora na Favela da Linha desde 2014. Embaixo de um teto improvisado teve duas crias, Maxwell, 1 ano, e Maria Sofia, três meses. Abraão, 3 anos, nasceu antes dela e do companheiro chegaram ao local, vindos da Favela do Papelão. “Nunca ouvi falar nessa história dos padres presos na Avenida Sul. Achava bom que tivesse um desses por aqui para ajudar a gente”, disse.

As prisões dos religiosos aconteceram quando eles se dirigiam, empurrando uma carroça, para Afogados. Iam buscar restos de alimentos para distribuir com os pobres de rua. Os alimentos recolhidos eram utilizados em sopas, distribuídas nas imediações do Mercado de São José. Sujos e sem camisa, os dois que pediram as bênçãos de dom Helder Camara para mendigar, foram abordados por policiais. Disseram ser religiosos. Apresentaram documentos. Como as fotos não correspondiam ao retrato dos então mendigos, pararam atrás das grades. Apanharam. Levaram dezenas de rasteiras na cela. Quase perderam os sentidos. Foram ameaçados a comer fezes e serem violentados sexualmente. Sumiram dos olhos da Igreja Católica por 72 horas, que, a pedido de dom Helder se mobilizou para procurá-los.

Mazelas expostas após as prisões

Em uma época de acirramento político, a dimensão alcançada pelo caso do padre Lourenço Rosebaugh e do missionário Thomas Capuano jogou luzes sobre as condições das unidades prisionais. E ao modo de se conduzir as investigações policiais no país. Tal qual o presente, a lógica de se colocar lado a lado presos comuns, mas de periculosidade distintas. Semelhante ao passado, a vagarosidade no andamento processual, exceto em casos de forte apelo popular e político.

A passagem de Rosalynn Carter pelo Recife evidenciava para o mundo que prisões arbitrárias no Brasil não se resumiam aos adversários políticos. Reproduziam-se em relação aos considerados empecilhos à ordem social. Nada que defira da atualidade. Após a segunda agressão de padre Lourenço Rosebaugh, em janeiro de 1979, enquanto este telefonava de um orelhão na Praça Dom Vital, em São José, o Diario ilustrou isso ouvindo moradores de rua assistidos pelo sacerdote. Nos depoimentos, desabafos. Eram os bêbados, os mendigos e prostitutas as vítimas da repressão. Os marginais ficavam, segundo os relatos, à vontade.

Curioso anotar que o caso dos religiosos não fora o único a envolver prisão e tortura de norte-americanos em Pernambuco. Três anos antes, em 1974, agentes do Regime Militar sequestraram o pastor e representante da revista Time Fred Morris, amigo de dom Helder Camara. Entre as acusações contra o pastor a de que seria elo do arcebispo com os comunistas. Nascia ali um desentendimento dos EUA com os militares.

Vivia-se em alerta. “Estávamos há menos de uma década do AI-5, na época de guerrilhas. E o clima era tenso”, ilustrou Luiz Otávio de Melo Cavalcanti, presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e, em 1977, secretário estadual de Planejamento. Luiz Otávio integrou a comissão organizadora da visita de Rosalynn à capital pernambucana. Na sociedade brasileira acentuava-se o antiamericanismo, alimentado pelos indícios da participação dos Estados Unidos no golpe militar.



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.