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Educação Parentes de alunos de escola estadual em Petrolina se mobilizam para melhorar rendimento Estudantes vêem na família um exemplo de aprendizado de vida

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 19/06/2017 08:13 Atualizado em:

Quando precisam de ajuda, os estudantes da Escola Estadual Eneide Coelho Cavalcanti, em Petrolina, Sertão do estado, sabem que podem contar não só com os professores e as diretoras. Para auxiliar os alunos na hora da merenda, em relação à disciplina e na hora de fazer atividades, pais e parentes de estudantes se colocam à disposição da comunidade escolar. São voluntários que ajudam os professores no processo de educação não só dos filhos, mas de todos que frequentam a escola. Enquanto usam o colete laranja com a pergunta “posso ajudar?”, deixam de ser pai, mãe, tio e madrinha de um aluno específico para ser o responsável por meninos e meninas que nunca viram.
O objetivo do recrutamento de pais e responsáveis como voluntários, de acordo com a gestora da escola, Jussiclécia Alencar, é unir forças na hora de colaborar na disciplina e melhoria do rendimento escolar dos filhos. “A parceria escola-família tem tudo para dar certo. Com esse projeto, pretendemos aumentar a interação entre esses agentes, buscando a transformação dos educandos na disciplina, rendimento escolar, valores e afetividade”, ressaltou.
A ação, que teve início em julho de 2016, conta com nove voluntários. O auxiliar de pedreiro Allinson Silva, 25, é um deles. Tio do aluno do sexto ano (antiga quinta série) Henrique Cássio, 13 anos, decidiu se voluntariar no projeto para mudar a relação do sobrinho com a escola. O pai do menino mora em Goiás. A mãe foi assassinada. Sem acompanhamento escolar dos pais, Henrique não se concentrava nas aulas, e os professores se queixavam do mau comportamento dele. “Senti que precisava fazer algo. Vim motivado a ajudar meu sobrinho, mas estou à disposição de todos os alunos”, conta.
Na avaliação da gestora escolar, a mudança de comportamento dos alunos que veem um parente na escola é imediata. “Eles se sentem importantes e valorizados quando percebem que a família se importa e está aqui conosco”, ressalta Jussiclécia. Foi o que aconteceu com Anderson Gabriel, 13 anos. Com frequência, os professores chamavam a família para informar sobre a falta de disciplina do aluno. O boletim era repleto de notas vermelhas.
“Decidi ajudar porque a mãe dele passa o dia trabalhando. Eu colocava ele para dentro da sala de aula. Passava um turno duas vezes por semana na escola e foi o suficiente para as notas melhorarem e o bom comportamento aparecer”, diz a madrinha do aluno, a trabalhadora rural Rita de Cássia Souza, 36. Agora, Anderson exibe com orgulho o boletim com notas acima de sete.

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