• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
SAÚDE Recife tem mais obesos que a média nacional Congresso reunirá especialistas na discussão sobre como melhorar o quadro

Por: Alice de Souza - Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/04/2017 16:31 Atualizado em:

O recifense está mais gordo. Em uma década, a quantidade de pessoas obesas na capital cresceu de 11,9% para 20%, segundo dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada nesta semana pelo Ministério da Saúde. O percentual recifense está acima da média nacional, uma porta aberta para diabetes e hipertensão. A partir de hoje, especialistas nacionais e internacionais debatem no Recife os riscos associados ao ganho excessivo de peso, durante o 17º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica.

A obesidade atinge hoje um em cada cinco brasileiros. No Recife, mais de 200 mil pessoas são consideradas obesas. O número pode crescer, já que na última década também vem aumentando na cidade a quantidade de pessoas com excesso de peso. Se em 2006, 43,3% da população com idade igual ou maior de 18 anos tinha excesso de peso, o percentual saltou para 55,6% no ano passado.

“O Brasil ocupa hoje os primeiros lugares no mundo quando se fala em obesidade. Houve crescimento do poder aquisitivo e o nível de desnutrição diminuiu. Porém, a população começou a comer mais e mal, com alimentos pobres em nutrientes e ricos em calorias”, explicou a presidente da comissão organizadora do congresso e tesoureira da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Pernambuco (Sbem-PE), a endocrinologista Maria Amazonas.

O consumo regular de feijão diminuiu entre os brasileiros, nos últimos cinco anos. Apesar de a ingestão de hortaliças e frutas ter crescido, ainda não é considerada suficiente, pois só ocorre com um entre cada três adultos durante cinco dias da semana.

A reboque desses índices veio a maior prevalência das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (cardiovasculares, respiratórias, diabetes e câncer), responsáveis por sete entre cada 10 mortes no país. Recife tem a maior quantidade de hipertensos dentre as capitais do Nordeste. Um em cada três maiores de 18 anos está com a pressão elevada. “As células gordurosas produzem substâncias que aumentam riscos para câncer de pâncreas, mama, intestino e outros”, detalhou Maria Amazonas.

Se faz necessária a conscientização quanto à mudança nos hábitos alimentares e também a prática de exercícios físicos, alertam os especialistas. Andrew Magalhães, 28 anos, tem mãe e irmãos obesos. Desde que descobriu a diabetes da avó, decidiu mudar de estilo. “Diminuí refrigerante e açúcar. Claro que, às vezes, a gente acaba comendo outras coisas, mas procuro evitar. Também pratico exercício três vezes por semana”, contou.

O impacto do exercício físico na manutenção ou perda de peso será um dos temas debatidos no congresso, promovido pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Também estão na programação simpósios, mesas-redondas e debates sobre transtornos alimentares e obesidade na infância e adolescência. São esperados 1,2 mil participantes. As inscrições poderão ser realizadas durante o evento. 

SAIBA MAIS
  • 18,9% da população está obesa
  • 19,6% das mulheres estão obesas
  • 18,1% dos homens estão obesos
  • A prevalência de obesidade duplica a partir dos 25 anos
Metas brasileiras para reduzir a obesidade até 2019
  • Deter o crescimento da obesidade na população, estabilizando em 17,9% a quantidade de obesos
  • Reduzir em 30% o consumo de refrigerantes e sucos artificiais
  • Aumentar em 17,8% o consumo de frutas e hortaliças
Descubra se você está com excesso de peso
  • O Índice de Massa Corporal (IMC) classifica o peso e é indicador de risco para a saúde, já que tem relações com várias complicações metabólicas.
Calcule o seu IMC dividindo o seu peso pela altura ao quadrado
  • Considera-se excesso de peso = IMC igual ou maior que 25 kg/m2
  • Considera-se obesidade = IMC igual ou maior que 30 kg/m2

Fonte: Vigitel 2016, Abeso e SBEM-PE


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.