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Lançamento Relatório apresenta agenda positiva para reduzir danos do crack no Brasil Documento estuda iniciativas de saúde pública, segurança e cidadania e enumera sugestões para lidar com usuários e apoiar comunidades

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/02/2017 14:16 Atualizado em: 02/02/2017 14:28

A Open Society Foundations (OSF), fundação internacional que promove a justiça e os direitos humanos, lança nesta quinta-feira, em Olinda, o relatório “Crack: Reduzir Danos - Lições Brasileiras de Saúde, Segurança e Cidadania”. Elaborado com base em três pesquisas realizadas em diferentes períodos de 2015, o relatório analisa iniciativas locais de saúde pública, segurança e cidadania no Brasil e apresenta uma agenda positiva com sete lições aprendidas para tratar pessoas em situação de rua que usam crack.

Para marcar o lançamento do relatório, a OSF promove uma série de eventos públicos com especialistas brasileiros e as canadenses Sarah Evans, coordenadora sênior do Programa de Saúde Pública da Open Society e autora do relatório, e Liz Evans, pioneira na implementação de programas de saúde para usuários no Canadá e diretora executiva do dois maiores programas de redução de danos para usuários de drogas injetáveis em Nova York - New York Harm Reduction Educators (NYHRE) e Washington Heights Corner Project.

Em Olinda, será realizado nesta quinta-feira, das 19h às 23h, um debate no Hotel Sete Colinas,ma Rua de São Francisco, bairro do Carmo. O encontro contará ainda com a presença ainda de Ingrid Farias (diretora da Associação Brasileira de Redução de Danos) e José Luiz Ratton (coordenador do Núcleo de Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas de Segurança da UFPE), com moderação do jornalista Bruno Paes Manso (Ponte Jornalismo / Carta Capital).

“Crack: Reduzir Danos” apresenta três abordagens que obtiveram sucesso em mudar a dinâmica de Cracolândias brasileiras. “Aproximação - A cena de drogas da R. Flavia Farnese”, realizado pela ONG Redes da Maré, do Rio de Janeiro, “Programa de Braços Abertos”, da Prefeitura de São Paulo e “Atitude - Atenção Integral aos Usuários de Drogas e seus Familiares”, do Governo do Estado de Pernambuco. O projeto da Maré foi alvo de investigação participativa envolvendo pesquisadores e membros da comunidade; em São Paulo e Pernambuco, os programas foram avaliados de forma independente por pesquisadores de centros acadêmicos e universidades brasileiras.

"Em um momento de crise no sistema prisional brasileiro e urgência na discussão sobre a segurança pública no país, estes projetos demonstram que o Brasil tem todas as condições de desenvolver respostas nacionais em sintonia com os consensos internacionais e que contribuem para a saúde pública e para a redução do encarceramento e dos homicídios das pessoas em situação de rua que usam crack", diz Sarah Evans, coordenadora sênior do Programa de Saúde Pública da Open Society e autora do relatório.  

Apesar de diferentes em formato, os três projetos analisados compartilham do princípio chave de buscar entender as pessoas que habitam esses locais e tratar seus problemas de forma pragmática, em benefício de toda a comunidade local e do entorno.

Confira as sete lições para reduzir danos do uso de crack por pessoas em situação de rua:

1. Não exigir abstinência dos usuários de drogas como pré-condição para participar dos programas de atendimento e assistência

2. Ouvir os usuários e valorizar vínculos familiares e relações existentes, bem como sua autonomia

3. Garantir oferta de moradia como fator-chave de estabilidade na vida dos usuários

4. Proporcionar oportunidades de treinamento, emprego e geração de renda para ajudar a reinserir os usuários no mercado de trabalho e na comunidade

5. Criar medidas para reduzir a vulnerabilidade de pessoas em situação de rua que usam drogas à violência e homicídios

6. Oferecer diversidade de tipos de tratamentos para o uso de drogas, garantindo acesso de usuários à saúde clínica e mental como deve ser de direito de todos os cidadãos

7. Engajar as agências de governo de forma multisetorial, inclusive os órgãos de segurança pública, e envolver organizações de base comunitária.



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