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Complexo do Curado Sindicato diz que mais de cem detentos fugiram e dois detentos foram mortos Um dos detentos morreu depois de invadir e fazer uma mulher refém em uma casa nos arredores do presídio

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 23/01/2016 16:26 Atualizado em: 23/01/2016 20:30

O clima é de tensão no Curado e nos bairros vizinhos, onde a polícia faz buscas pelos fugitivos. Foto: Roberto Ramos/DP
O clima é de tensão no Curado e nos bairros vizinhos, onde a polícia faz buscas pelos fugitivos. Foto: Roberto Ramos/DP

Mais de cem detentos foragidos, 40 recapturados e dois detentos mortos. Estes são os números da fuga em massa do Complexo do Curado repassados pelo presidente do sindicato dos agentes penitenciários, João Carvalho. "O serviço de inteligência já havia conseguido debelar três tentativas de fuga anteriormente, mas deste vez não foi possível. Precisamos de mais investimentos em segurança nas penitenciárias", cobrou Carvalho, em entrevista o Diario. A Secretaria de Ressocialização, contudo, fará a contagem oficial neste domingo. 

De acordo com João Carvalho, um documento oficial indica que o diretor do presídio alertou a Secretaria de Defesa Social e a Secretaria de Ressocialização, no dia 8 de janeiro, que a guarita 6 iria ser explodida. Das oito, só quatro tinham guardas. No momento da fuga, apenas dez agentes faziam a segurança de mais de 2 mil detentos. Ao todo, o Complexo do Curado conta com 7 mil detentos. A capacidade, no entanto, é de 1.340 vagas. No estado, são cerca de 32 mil presos, e o déficit é de 21 mil vagas.

O buraco de explosão no muro do Complexo do Curado é fechado.  Foto: Roberto Ramos/DP (Foto: Roberto Ramos/DP)
O buraco de explosão no muro do Complexo do Curado é fechado. Foto: Roberto Ramos/DP

Um dos detentos teria morrido no Hospital Otávio de Freitas. A delegada Vilaneida Aguiar esteve na casa localizada em frente à guarita onde houve a explosão e confirmou a morte de um suspoto preso. Ao lado do corpo, tinha um facão. Ele entrou na casa e teria feito uma mulher refém. A delegada não confirmou as informações do sindicato.

O dono da casa, Jessino Ananias Gonçalves, de 57 anos, afirma que a filha dele, de 22, estava sozinha quando o homem invadiu a casa com um facão. Quando Jessino chegou, o preso já havia sido atingido com um tiro na nuca. A filha está em estado de choque. "Eu moro há 13 anos aqui. Nunca ninguém tinha invadido minha casa", contou o pai. A casa fica em frente à guarita que foi explodida. Além dessa, quatro residências foram atingidas.


A explosão da guarita de segurança do presídio de Frei Damião ocorreu por volta das 14h deste sábado. À noite, foram colocadas tábuas para tapar o buraco temporariamente. Neste domingo, será realizado o conserto. A Polícia Militar continua as buscas nos bairros vizinhos ao complexo. Muitas mulheres de detentos estavam dentro do presídio, já que hoje era dia de visita conjugal. Profissionais do Instituto Criminalística estiveram no Complexo do Curado e informaram que quatro casas foram atingidas pela explosão. Dezenas de feridos estão sendo levados para o hospital Otávio de Freitas e outros hospitais da Região Metropolitana do Recife.

Detentos feridos estão sendo levados para o Hospital Otávio de Freitas. Foto: Cortesia
Detentos feridos estão sendo levados para o Hospital Otávio de Freitas. Foto: Cortesia

Na última quarta-feira, uma fuga em massa semelhante ocorreu na penitenciária Barreto Campelo, quando o muro do local também foi explodido. Cinquanta e três detentos fugiram e, até agora, apenas 11 foram recapturados. Questionado se há conexão com a fuga em massa do Barreto Campelo, o coronel Aílton Araújo, diretor da metropolitana da PM, afirma desconhecer uma conexão. "Preso sempre quer fugir. Se houve lá, foi um estímulo natural", disse.

Visita mantida
A Seres confirmou que as visitas aos detentos neste domingo estão mantidas no Complexo do Curado. A medida é polêmica já que o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, João Carvalho, havia afirmado que, se a visita fosse mantida, os agentes iriam fazer uma operação padrão.

Tensão
Na fuga, muitos presos tentaram invadir as casas de moradores da região. O clima de tensão predominou na área."O fugitivio tentou subir o muro da casa, mas tinha aquelas estacavas que parecem uns pregos, identificaram a pulseira dele e renderam o cara até a vitura passar", relata moradora do bairro Coqueiral.

O comércio e estações de metrô chegaram a fechar. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) anunciou que as estações Werneck, Tejipió, Coqueiral e Cavaleiro foram reabertas ás 18h para embarque e desembarque de passageiros. Já a Alto do Céu e Curado pemanecem parcialmente fechadas.

Vários detentos foram detidos nas proximidades do complexo do Curado, na quadra na Avenida Tempo Feliz. Foto: Cortesia
Vários detentos foram detidos nas proximidades do complexo do Curado, na quadra na Avenida Tempo Feliz. Foto: Cortesia

Itamaracá
Na noite da última quarta-feira, 53 presos da penitenciária Barreto Campelo conseguiram escapar do local. O "resgate" dos detentos foi possível após um grupo de suspeitos - ainda não identificados - iniciar um tiroteio contra os guardas da penitenciária. Enquanto havia a troca de tiros, outros comparsas abriram um buraco abaixo de uma guarita desativada com o uso de marretas por onde os reeducandos escaparam.

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