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Ilhas de calor Pesquisa inédita mede temperatura em 11 pontos da capital e cria um ranking do calor Sufocada por prédios da orla, Boa Viagem é campeã

Por: Marcionila Teixeira - Diário de Pernambuco

Publicado em: 04/05/2015 09:05 Atualizado em: 04/05/2015 09:18

A Avenida Antônio Falcão foi considerada uma das áreas mais quentes da capital.Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press
A Avenida Antônio Falcão foi considerada uma das áreas mais quentes da capital.Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press
Funcionária de uma loja na Avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem, Eliane Cavalcanti, 52 anos, usa uma sombrinha com proteção solar para andar pela via. “O calor está tão grande que sinto irritação e coceira na pele”, lamenta. O desconforto é a consequência das temperaturas da via que é campeã do calor no Recife, segundo pesquisa do Departamento de Geografia da UFPE. Os cientistas instalaram, pela primeira vez, 11 pontos de medição de temperatura na cidade.

Com dados coletados durante 60 dias, em dez bairros, o estudo Recife Ilhas de Calor (Recica), do grupo Tropoclima, revelou um ranking, e Boa Viagem está no topo. A análise também aponta os edifícios do bairro como responsáveis pela pouca ventilação nas ruas próximas da orla e em áreas vizinhas, como o bairro da Imbiribeira, segundo colocado no levantamento.

Em média, a variação de temperatura entre o ponto mais quente e o mais ameno do Recife foi de dois graus. A Antônio Falcão, no entanto, apresentou, no período da manhã, picos de seis graus acima do ponto de referência. A base são 25,9 graus, captados na estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na Várzea.

Na avaliação do coordenador da pesquisa, Ranyére Nóbrega, a falta de vegetação e a impermeabilização do solo e a altura dos prédios de Boa Viagem, que forma uma barreira na circulação de ar, contribuem para o clima quente. “Observamos a necessidade de um planejamento para a construção, além de uso de material adequado. Edifícios espelhados, por exemplo, consomem mais energia e refletem o calor para quem está do lado de fora. Existem planos diretores em outras cidades do Nordeste que limitam a altura dos edifícios da orla a seis andares”, reflete.

Um exemplo concreto é a Imbiribeira, afetado diretamente pelos prédios de Boa Viagem. “Se os edifícios promovem sombra para o Parque Dona Lindu à tarde, ao mesmo tempo diminuem a intensidade dos ventos na Imbiribeira, levando mais calor à localidade”, compara.

Célia Batista, 64, mora na Imbiribeira há 44 anos e tem percebido o aumento do calor nos últimos três anos. “Até na varanda do primeiro andar o calor está insuportável. Tem horas que o vento para”, fala. Já no Dona Lindu, terceiro colocado no ranking do calor, o vento que vem do mar ameniza o incômodo. “Aqui é muito quente, mas o vento do mar alivia na hora do esporte”, comenta Zeca Martins, 18 anos, praticante de skate.

Vento
No bairro de São José, na altura da Estação de Tratamento da Compesa, o efeito é o mesmo observado na Imbiribeira, com os prédios de Boa Viagem impedindo a ventilação, segundo avaliação de Nóbrega. Em quinto lugar no ranking, a Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, cercada de concreto e pouco verde, é “salva” exatamente pela ventilação.

“Na primeira parte do estudo não fizemos ranking, mas a Conde da Boa Vista estava em destaque junto com Boa Viagem. Na época, contávamos apenas com imagens de satélite, que não trabalham a questão do vento. Nesta etapa, foi possível perceber, por exemplo, que a Boa Vista tem um canal de vento e o calor se intensifica mais na vizinhança”, explica. O estudo acontece desde 1998 e os primeiros resultados foram divulgados há dois anos.

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