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Ataques de tubarão Vinte anos após a proibição de esportes náuticos, governo desiste de instalar tela de proteção Após decreto estadual foram registrados 49 ataques, com 19 mortos e 23 feridos

Publicado em: 31/03/2015 07:33 Atualizado em: 31/03/2015 08:22

Placa indica perigo de ataque de tubarão na praia de Boa Viagem.Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Placa indica perigo de ataque de tubarão na praia de Boa Viagem.Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
A proibição de esportes náuticos em 32 km do litoral pernambucano, uma das primeiras medidas tomadas para tentar evitar ataques de tubarões, completou 20 anos. Duas décadas depois, surfistas e banhistas continuam se arriscando no trecho entre Bairro Novo, em Olinda, e Itapoama, no Cabo, no qual o saldo de mortes impressiona. A instalação de uma tela de proteção, uma das alternativas consideradas para tornar o banho de mar tranquilo e liberar a prática esportiva, foi descartada.

O decreto estadual 18.313 foi publicado em 6 de janeiro de 1995. Nesses 20 anos ocorreram 49 ataques, com 19 mortos e 23 feridos, revela o tamanho do desafio que Pernambuco ainda não conseguiu vencer: entender melhor o comportamento dos tubarões e melhorar a convivência com os animais.

Depois de muita polêmica, a instalação de uma tela de 400 metros, não está mais nos planos da Secretaria de Defesa Social (SDS). Segundo o presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), coronel Clóvis Ramalho, o alto custo e a demora em elaborar um estudo de impacto ambiental fizeram o comitê desistir do projeto. “Desde o Workshop Internacional realizado no ano passado já havia a indicação de que o uso dessa tela seria inviável para o nosso litoral”, contou Ramalho.

Ele credita a continuidade dos ataques a fatores como a insistência das pessoas em entrar nos trechos de risco e o número de bombeiros, que “não conseguem estar em todos os locais ao mesmo tempo.”

O banho de mar nunca foi proibido, mas os bombeiros podem retirar banhistas da água contra sua vontade, caso julguem que estão se arriscando demais, e as placas de advertência alertam para o risco de ataque, desencorajando as pessoas a entrarem na água.

De acordo com Ramalho, essas placas serão modificadas para ganhar mais informações. Também estão sendo confeccionadas placas para serem colocadas nos pontos onde começa e termina a proibição. “Muitas placas são roubadas e outras danificadas pela maresia. Estamos fazendo um estudo para modificar as informações de alerta e colocar novos avisos”, disse.

O último ataque de tubarão no estado aconteceu em 23 de julho de 2013, quando a turista Bruna Gobbi, 18 anos, morreu após ser mordida em Boa de Viagem. Na manhã de ontem, algumas pessoas que estavam tomando banho a poucos metros do local onde Bruna foi atacada foram orientadas por guarda-vidas a tomarem cuidado. Três crianças que estavam no mar desacompanhadas foram orientadas a sair e seus pais alertados a não as deixarem sozinhas.

“Estamos fazendo nosso trabalho. Muitas pessoas ainda desrespeitam os limites”, disse um bombeiro que preferiu não ter o nome publicado. A turista paulista Thaís Homem de Mello, 35, disse que vem ao Recife todos os anos e sempre frequenta Boa Viagem. “As pessoas estão mais educadas e os bombeiros precisam agir menos. Mas é preciso ter cuidado ao escolher os locais para tomar banho.”

Saiba mais

Proibição de esportes náuticos

Área proibida

Da praia de Bairro Novo (Olinda), na altura do Fortim do Queijo até a praia de Itapoama (Cabo de Santo Agostinho) - 32 km é a extensão do perímetro de proibição

100 placas de alerta para ataques de tubação existem no trecho da proibição

60 homens do Corpo de Bombeiros trabalham na orla para orientar os banhistas na área de proibição, uma média de 533 metros de área por bombeiro

7h às 17h é o horário em que os bombeiros trabalham nas praias


O que é proibido:

Natação (competição)
Mergulho
Surfe
Body boarding

Ataques desde 1992

24 mortes
35 feridos

23 de julho foi a data do último ataque de tubarão no estado

59 vítimas de ataque desde o início da contagem, em 1992

31 surfistas
28 banhistas

Sexo

53 Homens
2 Mulher
4 Não identificado

Trimeste

10 jan-mar
18 abr-jun
19 jul-set
12 out-dez

Cidade

27 Recife
21 Jaboatão dos Guararapes
6 Cabo de Santo Agostinho
3 Olinda
1 Paulista
1 Goiana

Os tubarões mais temidos dos mares de Pernambuco

Tigre
Tamanho médio: 3,2 a 4,2 metros
Peso: 385–635 kg
Distribuição: ocorre em todos os ocenos, evitando as águas mais frias no Norte e no Sul extremos

Cabeça-chata
Distribuição: costas das Américas do Sul,
Tamanho médio: 2,25 (macho e 2,45 (fêmea)
Peso: 95kg (macho) e 130kg (fêmea)
Central e Norte, Caribe, África, Oceania, Sul da Ásia e subcontinete indiano

Fonte: Cemit, Corpo de Bombeiros

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