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Samba Em terra de frevo, quem samba é rei Com barracão localizado na Bomba do Hemetério, a escola Gigante do Samba possui sete títulos consecutivos no carnaval pernambucano

Publicado em: 12/02/2015 09:00 Atualizado em: 12/02/2015 12:17

Odilha trabalha no acabamento das fantasias diariamente e é a mais velha da escola com 86 anos. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press (Annaclarice Almeida/DP/D.A Press)
Odilha trabalha no acabamento das fantasias diariamente e é a mais velha da escola com 86 anos. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

No número 63 da rua das Crianças, Bomba do Hemetério, Zona Norte, a alegria tem as cores verde e branco. É la onde fica o barracão da escola Gigante do Samba, fundada em 1942. Com sete títulos consecutivos no concurso do Carnaval do Recife, a agremiação é a única que nunca deixou de desfilar desde a sua criação. A consagração, no entanto, não reflete a realidade financeira da escola, que conta com a dedicação de componentes fiéis para levar o samba à avenida.
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

A produção para o desfile desse ano iniciou em julho de 2014. Com cerca de 2.200 integrantes, a agremiação prepara um apresentação que vai contar com cinco carros alegóricos, além de três tripês (destaques). “Fazemos questão de doar as fantasias de todos os componentes. Nossa comunidade é pobre e nossa intenção é promover samba e cultura”, assevera Luiz Mário, 57 anos, secretário geral há 15 anos e integrante da agremiação desde menino.

A escola, que integra o grupo especial ao lado de Galeria do Ritmo, Estudantes de São José e Unidos de São Carlos, recebe o incentivo de R$ 16 mil da prefeitura do Recife. “Esse valor mau cobre os custos com dois carros alegóricos. A cota é dividida em duas parcelas. A primeira, sai em dezembro, mas a outra só chega muito depois do carnaval”, explica o presidente da Gigante, Rivaldo Lacerda. Segundo ele, a despesa de um desfile chega a R$ 300 mil, valor bancado com cachês de apresentações, bingos, aluguel da quadra da escola para eventos, além das doações de pequenos empresários da comunidade.

A paixão é, sem dúvida, o combustível que garante a sobrevivência da escola, que este ano tem como tema “Bumbais, festa da raça. Salve Amazonas”. No barracão da agremiação, a aposentada Odilha Benedita, 86, a mais velha da ala das bahianas, chega cedo para iniciar o trabalho de acabamento das fantasias. A rotina é a mesma há 27 carnavais. “Quando fiquei viúva, em São Paulo, voltei para o Recife só para poder desfilar com a minha escola”, relata ela, que demonstra o tamanho do amor pela escola mostrando uma pequena queimadura, resultado do trabalho com a cola quente.

Esse ano, Odilha vai dividir táxi com as amigas para chegar na Avenida Dantas Barreto, no Centro, onde desfila às 0h30 da segunda-feira de carnaval. Espera encontrar mais estrutura para os componentes das escolas. “Temos que fazer roda de mulheres para poder trocar de roupa”, conta. A Prefeitura do Recife garantiu que haverá estrutura de camarim para a troca de figurino. Quando colocar a fantasia, que vai homenagear Nossa Senhora da Conceição, Odilha promete: “A que mais vai rodar na avenida sou eu”.

Ângelo cria as esculturas dos carros alegóricos e vai controlar o gorila de quatro metros que será s atração do desfile da escola esse ano. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press (Annaclarice Almeida/DP/D.A Press)
Ângelo cria as esculturas dos carros alegóricos e vai controlar o gorila de quatro metros que será s atração do desfile da escola esse ano. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press


A arte de dar vida às alegorias

No barracão das alegorias, uma equipe formada por marceneiros, eletricistas e artistas plásticos estão empenhados em concluir a ornamentação dos carros que vão desfilar na avenida. Um deles, em particular, costuma levar trabalho para casa. Ângelo Cavalcanti, 46, se apresenta: “Sou a pessoa que torna real o sonho do carnavalesco”.

Há 10 anos, é um dos responsáveis por dar vida aos carros alegóricos, que tem como base chassis de veículos. A coordenação do desfile de agremiaçãoes proíbe carros motorizados, mas todos possuem geradores próprios para manter a iluminação. Além do trabalho braçal de modelar as ferragens para dar forma a imagens, Ângelo projeta os movimentos das esculturas. Esse ano, um gorila de quatro metros será dominado por ele. “Vou ficar escondido atrás do macaco para ordenar os movimentos dos braços, pernas e cabeças”, conta ele, que ano passado deu vida a um elefante.
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Os movimentos das alegorias são controlados por meio de rodanos e cabos de aço, que também são comandados pelos motoristas que alinham os carros. “É uma satisfação ouvir o público gritar toda vez que a escultura se mexe”, diz Ângelo. O artista não é remunerado pelo trabalho no dia do desfile, mas faz questão de vê sua obra ser o centro das atenções na avenida.

> Desfile Grupo Especial
Segunda-feira (16), às 21h30, Av. Dantas Barreto
EScolas: Premiação - 1º R$ 20 mil / 2º R$ 15 mil / 3º 10 mil
Estudantes de São José / Galeria do Ritmo/ Unidos de São Carlos / Gigante do Samba

> Desfiles Grupos 1, 2 e de acesso
Segunda-feira (16), a partir das 22h30, Estrada Velha, Bongi

Grupo 1 (180 componentes):
Premiação - 1º R$ 10 mil / 2º R$ 7 mil / 3º R$ 5 mil

Escolas: Rebeldes do Samba / Imperadores da Vila de São Miguel / Unidos da Escailabe / Limonil


Grupo 2 (120 componentes)
Premiação - 1º R$ 5 mil / 2º 3 mil / 3º 1,5 mil

Escolas: Queridos da Mangueira / Escola de Samba Criança Adolescente do Recife

Acesso (80 componentes) - não tem premiação
Escola: Raio de Luar

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