• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Ciência Pernambucano cria emissor de luz capaz de matar bactérias resistentes

Publicado em: 23/11/2014 15:42 Atualizado em:

Caio Guimarães participou de pesquisa nos Estados Unidos que buscava ajuda para os militares em guerra. Fotos: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Caio Guimarães participou de pesquisa nos Estados Unidos que buscava ajuda para os militares em guerra. Fotos: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Substituir antibióticos por luz no tratamento de infecções causadas por bactérias multirresistentes é uma realidade que está mais próxima dos pernambucanos. Um estudante de engenharia elétrica-eletrotécnica da Universidade de Pernambuco (UPE) desenvolveu este ano, durante estágio no Wellman Center, laboratório de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dois equipamentos capazes de irradiar em tecidos humanos luz em uma frequência que mata em cerca de uma hora micro-organismos imunes ao tratamento comum.

Caio Guimarães, 23 anos, esteve no Wellman Center por meio do programa Ciências Sem Fronteiras e participou de pesquisa patrocinada pelo exército norte-americano para encontrar meios de eliminar a bactéria Acinetobacter baumannii, encontrada em ferimentos de soldados no Iraque e resistente a 21 antibióticos.

Quando Caio se integrou ao grupo, os norte-americanos já haviam descoberto que certas frequências de luz visível eram capazes de atacar o DNA de bactérias, eliminando-as. Testes em ratos mataram micro-organismos em 62 minutos.

Caio desenvolveu uma espécie de lanterna portátil, com lâmpadas de led calibradas para irradiar uma frequência exata de luz, que é visível e sem efeitos colaterais no ser humano. Também criou uma microagulha biodegradável para guiar a luz da fonte externa para dentro dos tecidos humanos. “Conseguimos otimizar a entrega de luz em 300%, permitindo atingir bactérias em partes mais profundas. Como é biocompatível, a agulha pode ser absorvida pela pele e tem menor risco de alergia”, explicou.

Os dispositivos ganharam o prêmio de público no evento que reuniu os melhores trabalhos do Wellman Center no verão. Em fevereiro de 2015, o trabalho será apresentado no Photonics West, uma conferência de fotomedicina em São Francisco, na Califórnia.

No próximo mês, Caio retomará as pesquisas com os professores do Instituto de Ciências Biológicas da UPE Bruno Carvalho e Márcia Morais. Os protótipos serão aplicados em colônias de bactérias encontradas em hospitais do Brasil, associadas aos casos de sepse (infecção generalizada).

“O primeiro passo serão testes nas bactérias que podem levar os pacientes à morte”, disse Bruno Carvalho. Atualmente, 25% dos internamentos em leito de UTIs no Brasil acontecem por síndrome séptica, e 55,7% dos pacientes morrem.

Estudante enviou 2 mil e-mails aos EUA
Pesquisas no Brasil prosseguirão no próximo mês
Pesquisas no Brasil prosseguirão no próximo mês
Caio Guimarães chegou ao Wellman Center por sua insistência. Quando terminou os estudos na Hofstra University, em Nova York, pelo Ciências Sem Fronteiras, ele estava decidido a pesquisar junto ao MIT e Harvard. Fez uma busca na internet e listou o nome de vários professores. Mandou mais de dois mil e-mails pedindo uma vaga. Só recebeu duas respostas. Uma delas, do inventor do primeiro laser feito a partir de material humano e animal, o ph.D Andy Yun.

“Ele não aceitou de primeira. Pediu mais informações. Mandei e, depois de dez dias sem resposta, liguei para ele, que solicitou mais duas cartas de recomendação”, conta Caio.

As cartas chegaram, mas a resposta definitiva de Yun só veio depois de outro contato do estudante brasileiro. “Fazia mais de uma semana, já estava agoniado para ligar. Quando estava escrevendo um e-mail, a carta de aceitação chegou.” Yun, nas palavras de uma professora do MIT, havia decidido “ver o que Caio podia oferecer”.

Antes de chegar à pesquisa sobre utilização de iluminação para combater bactérias multirresistentes, Caio teve reuniões com quatro pesquisadores do laboratório. A pesquisa foi desenvolvida com a dermatologista Jeesoo An, integrante do time de estudiosos de Andy Yun. “Um talvez foi tudo o que eu sempre precisei na minha vida.”

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.