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Futuro Projeto usa o tênis de mesa para salvar crianças e adolescentes

Por: Alexandre Barbosa

Publicado em: 21/12/2014 10:32 Atualizado em:

Aos 14 anos, Bruna Silva diz que tem o sonho de se tornar uma atleta. Tudo o que ela quer, hoje, é se divertir. Fala por falar, portanto. Sem ter noção, ao certo, do seu potencial, do futuro. Bruna é um diamante bruto. Talento puro. Energia de sobra. Há três anos, descobriu o tênis de mesa. Ou o tênis de mesa a descobriu por meio do professor Deivson Nascimento, que nem precisou ir muito longe. Encontraram-se na Vila Olímpica de Olinda. Ela praticava handebol, até que viu “uns meninos” jogando tênis de mesa.

Bruna é uma das descobertas do projeto Futuro Campeão, encabeçado por Deivson, que teve início em 2010 e até bem pouco tempo era realizado na Vila Olímpica de Olinda. Com o local em reformas, mudou-se para um colégio próximo, o Compositor Antônio Maria, em Rio Doce. As aulas de tênis de mesa são dadas numa das salas da escola, onde foram colocadas três mesas. Limitação de espaço que reduziu o número de atletas. Bruna continua. Nas segundas, quartas e sextas ela está lá. Como estuda no próprio local, vai em casa, almoça e volta.

Em três anos de tênis de mesa, a menina transformou a brincadeira em esporte. Vem se destacando pelos resultados. Este ano, foi campeã pernambucana infantil. Guarda os troféus e medalhas com carinho. Fez questão de levar todos para mostrar à reportagem. Posou orgulhosa para as fotos. “Ela diz que quer ter mais medalhas que eu”, brinca Deivson. “E vou ter mesmo”, rebate. Sim, seu backhand com as palavras é quase tão bom quanto com a raquete.

Faltas
Apenas dois motivos fazem Bruna faltar a um dia de treino. Quando surge algum imprevisto e tem que cuidar das irmãs pequenas, Gabriela e Eduarda. A mãe, que trabalha como diarista, sai antes das 6h, volta para dar o almoço e sai logo em seguida. Retorna às 18h para servir o jantar, mas logo tem que sair novamente, para um terceiro turno de trabalho. O pai sai às 5h40 e volta às 20h.

O outro motivo é de saúde. Bruna sofre de asma alérgica. Quando tem crise, não tem outro jeito. “Vou para o hospital, nebulizar e tomar remédio, injeção”, diz, com naturalidade. Devido à doença, ela também faz natação. E ainda arruma tempo para as aulas de teatro e dança no colégio. “Vou participar do concurso de talentos”, conta, animada. Mas garante que nada supera o tênis de mesa na sua preferência. “Imagino me tornar uma atleta um dia. Quem não quer?”.

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