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Duas Rodas Pilote com saúde Confira qual a melhor maneira de conduzir a motocicleta sem comprometer a sua qualidade de vida

Por: Taciana Goes

Publicado em: 31/10/2013 15:25 Atualizado em: 01/11/2013 16:13

 (Bruna Monteiro DP/D.A Press)

Ronaldo Verçosa tem 39 anos, desde os 20 trabalha como motofretista e assume: “Nunca me preocupo com a postura, por enquanto não sinto dores. De todo jeito, meu trabalho é mais light comparado a outros motoboys, tenho muitos intervalos e piloto no máximo por quatro horas”. A vida corrida a bordo de uma moto ou uma planejada expedição até o Alasca pode comprometer a qualidade de vida do condutor. Dentro da aventura, seja diária ou planejada, todo piloto deve incluir um item importante na bagagem: a sua saúde.

No final do dia ou na chegada de uma viagem, é possível sentir os impactos causados pela condução. Tem motociclista que passa de cinco até 10 horas pilotando. “Imagine esse tempo em termos de atrito? É preciso estabelecer pequenos intervalos. Pelo menos a cada três horas será imprescindível parar”, recomenda Graça Araújo, do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

PAUSA
Até para quem passa pouco tempo sobre duas rodas, a prevenção deve ser levada em conta. “Por mais jovem que seja o piloto, a posição com os membros inferiores flexionados causa dores no joelho, quadril, pernas, seja a médio ou a longo prazo”, alerta a fisioterapeuta. Muitos patrões não aprovam a pausa, segundo relato de Evandro*, 25 anos. “Se minha entrega demorar mais do que 20 minutos, ficam achando que eu tava ‘voando’ em algum lugar”, relata o jovem, que apesar da correria adora o que faz. “É fascinante poder estar em vários pontos numa mesma hora”, fala Evandro*.

Pilote com saúde (Arte de Bosco/DP/D.A Press sobre foto de Bruna Monteiro DP/D.A Press)
Pilote com saúde (Arte de Bosco/DP/D.A Press sobre foto de Bruna Monteiro DP/D.A Press)
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ERGONOMIA
Nas salas universitárias nasce a preocupação com o design das motocicletas. E a ergonomia de cada magrela é pensada para dar bem-estar ao piloto. O doutor em arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), João Bezerra de Menezes, um dos fundadores da Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), explica que o tipo de utilização da moto (off-road, rodoviário, trabalho, esportivo etc) define os traços da futura moto. “Não existe uma postura correta em geral. Tudo depende do propósito de uso e também do tipo de estrada. Nas motos para estrada de terra, por exemplo, o motociclista deve ter a postura ereta e a possibilidade de retirar a nádega do assento com facilidade”, exemplifica o especialista.

Para o trânsito, o condutor necessita de membros em posição de equilíbrio e enxergar bem à frente, o que é possível com motos mais leves, como as scooters. “Quem pilota uma esportiva não consegue levantar a cabeça, por isso a utilização é mais para diversão, passeios. A moto é feita para curvas”, conta Menezes. Em suma, não existe moto perfeita, que atenda a todos os tipos atléticos ou não de condutores. No cockpit (conjunto de banco, pedais, guidão), toda a atenção e físico do motociclista são exigidos.

Sérgio Cassoli, instrutor do CT da Honda (Bruna Monteiro DP/D.A Press)
Sérgio Cassoli, instrutor do CT da Honda
ENTÃO, COMO É O CERTO?
O instrutor do Centro de Treinamento da Honda, Sérgio Cassoli enumera os pontos mais importantes para todo motociclista conviver com saúde com a sua motoca:

• Cabeça levantada, olhando sempre o mais adiante possível, dando prioridade para a visão periférica.
• Sente bem próximo ao tanque e mantenha a coluna ereta. Assim, você absorve melhor os impactos passados pela suspensão.
• Mantenha ombros e braços relaxados e apóie sempre as duas mãos no guidão, no centro da manopla.
• Os pés devem estar apontados para frente e apoiados firmes na pedaleira. Jamais pilote descalço.
• Os joelhos devem pressionar levemente o tanque. Lembre-se: motocicleta e piloto formam um conjunto.
• Identifique qual tipo de moto é a ideal para você.
• Escolha o capacete que melhor lhe atenda e que esteja bem justo à sua cabeça.
• A roupa faz parte da pilotagem. No mínimo uma camisa longa ou jaqueta para proteger do sol. O ideal é um material mais resistente. Luvas integrais e botas também reforçam a proteção.
• Longos percursos? É fundamental observar o seu reflexo e concentração. É diferente pilotar 400 km no trânsito e na estrada. O bom senso vai ditar os limites.
• O garupa deve seguir as mesmas regras de proteção do condutor: roupas, calçados, capacete, posição dos pés, etc.

É MELHOR SE CUIDAR...
• Hidroginástica é um bom exercício para motociclistas;
• Elevação dos membros inferiores no fim do dia;
• Pausas a cada três horas de pilotagem.
• Investir na prevenção é mais barato que no tratamento.

VOCÊ PODE TER...
• Problemas na coluna vertebral (cervicalgia, dorsalgia, lombalgia**, etc);
• Desenvolver uma hérnia de disco lombar;
• Aumento na flacidez abdominal com o relaxamento da musculatura.

Fonte: Graça Araújo, professora do Departamento de Fisioterapia da UFPE

*Nome fictício
**A lombalgia é um dos maiores índices de ausência no trabalho, de acordo com a literatura internacional.

Serviço:
Centro de Treinamento Honda Recife - 81 3252-6764

 

 



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