Viagem Conheça o local do repouso dos Faraós, uma viagem dos sonhos Num ambiente carregado de história, de encantos e mistérios, revela parte da origem da humanidade em seus templos e monumentos colossais

Por: Paulo Lannes - Correio Braziliense

Publicado em: 15/03/2018 08:10 Atualizado em:

Na capital, Cairo, a surpresa fica por conta da modernidade. Foto: Paulo Lannes/Esp. CB (Foto: Paulo Lannes/Esp. CB)
Na capital, Cairo, a surpresa fica por conta da modernidade. Foto: Paulo Lannes/Esp. CB


Onde o Sol é para todos

Uma viagem ao Egito faz parte do sonho de muitas pessoas e não é à toa. Para além das famosas Pirâmides e dos templos milenares espalhados pelas areias do deserto, o país africano possui uma cultura viva que oferece atrações aos turistas do início do dia ao fim da noite. Tem opção para todos os gostos: agitação e compras nas ruas do Cairo, história nos templos de Luxor, contemplação no cruzeiro pelo rio Nilo e descanso à beira do Mar Vermelho no balneário de Sharm El-Sheikh. 

Qualquer viagem à terra dos faraós começa pelo Cairo. A capital do Egito, que passa a impressão de ser bastante suja e caótica em um primeiro momento, possui uma beleza única que é revelada aos poucos. Além de servir de morada para cerca de 10 milhões de pessoas, é um dos principais centros urbanos da cultura islâmica em todo o mundo.

A Cidadela, construída pelo líder muçulmano Saladino no século 12, domina o horizonte da capital egípcia por estar em um terreno elevado e ter, em seu centro, a gigantesca Mesquita Mohammed Ali — toda feita em alabastro, mineral bastante comum no país, que também serve para a criação de souvenires e vasos elaborados — que está aberta para turistas de qualquer credo. A região, com belos jardins e pequenas construções antigas, hoje museus que contam  a vida particular da antiga corte islâmica e dos militares egípcios, está cercada por muros que estão de pé desde a Idade Média, levando o turista a fazer uma viagem no tempo. Uma dica: suba em uma das torres do pátio sul para apreciar a bela vista dos minaretes e das cúpulas que formam o highline do Cairo.

O Cairo conta,  ainda, com pontos turísticos de outras religiões. Foto: Paulo Lannes/Esp. CB (Foto: Paulo Lannes/Esp. CB)
O Cairo conta, ainda, com pontos turísticos de outras religiões. Foto: Paulo Lannes/Esp. CB


O bairro islâmico localizado no sopé da cidadela oferece uma atração à parte para quem tem vontade de conhecer a cultura local. Ao passear por ruas como Sharia Al-Azhar e Bein Al-Qasreen, o turista poderá verificar belos prédios e templos construídos durante o período Otomano, na Era Medieval, e calçadas repletas de comerciantes vendendo jogos de jantares e taças de cristal a vestuário de cashmere puro e mobiliário de madrepérola feito à mão. Mas, segure-se para fazer as compras no Mercado Al-Khalili, um dos mais antigos em funcionamento do mundo, pois é lá que fica o histórico café El Fishaway, frequentado por egípcios famosos como o ator Omar Shariff (protagonista do filme Doutor Jivago) e o escritor Naguib Mahfouz (o único árabe a ganhar o Prêmio Nobel em Literatura). Tomar um chá enquanto egípcios fumam seus narguilés é uma experiência única. À noite, a pedida é ir a centros culturais como o Wikala al-Ghouri, que diverte tanto turistas como moradores locais, com as apresentações de dervixes, dançarinos rodopiantes bastante tradicionais no país.

O Cairo conta,  ainda, com pontos turísticos de outras religiões. No bairro Copta, onde vivem os cristões, é possível conhecer a Igreja Suspensa, construída sobre um portão medieval, e a Igreja de São Sérgio, que permite a visita de turistas à gruta que teria sido o refúgio para a família sagrada na fuga pelo Egito. Aqueles que têm interesse no judaísmo são contemplados pela Sinagoga Bem Ezra, que ocupa o prédio de uma antiga igreja copta e conta com ornamentos da era Bizantina.

Balada

Quem busca modernidade também é bem-vindo no Cairo. Gezira, uma ilha no meio do rio Nilo, abriga o Complexo da Ópera — com uma casa de shows que recebe apresentações internacionais e um museu de arte moderna — e a Torre do Cairo, ambos construídos no século 20. A torre, que possui 185 metros de altura, tem o formato de um tubo de treliça com o topo que lembra a flor de lótus. No alto, há um mirante e um restaurante com vista para toda a cidade. Em dias claros, pode-se ver até as famosas Pirâmides de Gizé. É de tirar o foôlego.

Ainda à beira do rio Nilo, os visitantes podem aproveitar restaurantes dos modernos barcos estacionados ao longo da margem para experimentar os pratos típicos do país — ou voltar à noite para dançar na discoteca ou assistir aos shows cheios de dançarinas do ventre e de dançarinos dervixes. 

Entre os pratos mais tradicionais do país, estão os famosos Kebabs, o Koshary, que mistura macarrão, arroz, lentilha e grão de bico em um único prato, e os pães árabes sempre acompanhados de molhos feitos de especiarias locais. Por fim, vale uma visita à Praça Tahir, local que abrigou as principais manifestações da Primavera Árabe de 2011, ladeado por gigantescos hotéis de redes internacionais e pelo imperdível Museu Egípcio — instituição que exibe o mais importante acervo do Egito Antigo de todo o mundo, incluindo as múmias dos mais importantes faraós e o tesouro de Tutancâmon. 

Preciosidades do Egito Antigo

Mesmo com tantas possibilidades de passeios em suas ruas movimentadas, o ponto alto da capital do Egito fica justamente em seus arredores. É na planície de Gizé, localizada a 20 quilômetros do centro, que se encontram as famosas Pirâmides, túmulos gigantescos que no passado abrigaram as múmias e os tesouros dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. Saqueado ainda na Antiguidade, os locais encontram-se completamente vazios, mas ainda é possível entrar na Pirâmide de Quéops, que foi a maior construção do mundo até o século 19. Hoje, os três monumentos são considerados Patrimônios da Humanidade pela Unesco e também compõem, juntos, a única construção eleita entre as sete maravilhas do Mundo Antigo a permanecer de pé até os dias de hoje.

Conhecidas pela monumentalidade, pela durabilidade (a mais antiga delas tem mais de 5 mil anos) e pela exatidão geométrica, o local é capaz de tirar o fôlego dos turistas mais experientes. Afinal, é lá que se encontra também a grandiosa Esfinge, que vigia a entrada da Pirâmide de Quéfren. Apesar de estar bastante mutilada pelo tempo (ela possui mais de 4,5 mil anos) e pelos constantes saques europeus, a estátua se encontra incrivelmente preservada — ainda é possível ver o corpo de leão e a expressão do rosto humano, provavelmente o do faraó que guarda a entrada —, provocando comoção nos turistas que por ali passam e também nos moradores da região, que lhe deram o título de Abu al-Hol (Pai do Terror).

Porém, essas não são as únicas estruturas do Egito Antigo localizadas em áreas próximas do Cairo. É no sítio arqueológico de Saqqara, distante 25 quilômetros da capital, que se encontram diversas pirâmides escalonadas e os túmulos mais antigos do país encontrados até agora. Erguida pelo arquiteto e sacerdote Imhotep, o mais importante do país na Antiguidade, a pirâmide de Djoser possui seis andares, um corredor ladeado por 40 pilares e frisos com esculturas de Najas, a serpente sagrada. Ao lado dela, a pequena pirâmide de Teti permite uma visita ao seu interior, repleto de hieróglifos (escrita do Egito Antigo) em suas paredes e em seus tetos. Já o túmulo de Mereuka conta com pinturas coloridas que remontam o cotidiano de trabalhadores e dos faraós. Próximo à região, tem também a cidade antiga de Mênfis. É lá que fica o Museu a Céu Aberto, com diversas estátuas de diferentes dinastias faraônicas, inclusive a colossal estrutura de pedra de Ramsés II, com 13 metros de altura e mais de 120 toneladas, e várias fábricas de tapete (conhecidas como escolas), que permitem visitas na área de manufatura, além de venderem as peças feitas à mão.  (PL)



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