Verão carioca Purgatório da beleza e do caos O Rio de Janeiro continua lindo e continua sendo uma boa opção para as férias deste mês de janeiro

Por: Érica de Paula - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/01/2018 15:31 Atualizado em: 07/01/2018 15:50

 (Visit.Rio/Divulgação)

Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, vaidade. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é, definitivamente, o lugar para você “pagar” os seus sete pecados capitais, sejam eles quais forem. A 2.277 quilômetros de distância do Recife - ou a mais ou menos 2h40 de voo - alguns delitos urbanos unem as duas capitais, como a violência, o trânsito caótico, os homens e mulheres sarados na praia e a vaidade dos famosos. Mas o pecado principal dos recifenses em relação aos cariocas talvez seja (um pouco de) inveja.

Com a cidade inteira esculpida à mão (não tem outro jeito dela ter surgido), o morador da capital fluminense leva uma vida em um compasso diferente. Um deles disse: “Se trabalho de manhã, vou à praia a tarde. Se trabalho à tarde, vou à praia de manhã. Os cariocas vivem assim...”.

Tem como não ter inveja? Sim, nós também temos praias e elas são belas - e vantagem nossa, de águas mornas -  mas o ritmo no Sudeste é diferente. Aproveitando o verão para entrar em uma nova frequência, que tal um passeio para conferir o que o Rio tem?

Recebendo 6,6 milhões de turistas por ano, a cidade maravilhosa pode ser um destino certo para as suas férias de janeiro. Lugar para ficar pode apostar que não falta.  Os megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 ajudaram a aumentar a oferta de hospedagem. 

Em 2009, quando o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos, a cidade do Rio se comprometeu a ter uma rede hoteleira com 40 mil quartos, praticamente o dobro do que possuía - e atingiu a meta. Uma das empresas que aproveitaram o boom hoteleiro foi a rede norte-americana Marriot. Só no Brasil, há 21 hotéis da marca e seis deles são no Rio de Janeiro. O mais famoso é o JW Marriot, na Praia de Copacabana, um hotel cinco estrelas com a pegada totalmente para estrangeiros. O Sheraton, que se integrou ao portfólio Marriot há alguns anos, é o hotel com mais jeitinho brasileiro. Um resort imenso com piscinas, quadras de tênis, restaurantes com chefs renomados e uma praia particular. 

Se você acha que isso não é para o seu bolso, é possível contratar um day use e utilizar todas as dependência do hotel sem necessariamente estar hospedado. Um pouco mais afastado dos pontos turísticos, na Barra da Tijuca, a área mais nova e moderna da cidade também tem opções para quem está a trabalho ou veio ao Rio para eventos específicos. Centro de Convenções, Parque Olímpico, Cidade do Rock e os Estúdios Globo ficam nas redondezas. 
Defina o perfil de viagem e escolha o lugar onde ficar. O fato é: não importa quantas vezes você já esteve no Rio, há sempre algo novo para ver ou reviver. Dos lugares clichês que não podem faltar ao roteiro como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar a pontos que nem mesmo os cariocas conhecem bem, como a Ilha da Gigóia, na Lagoa da Tijuca. 

O importante é ir para a rua, como ainda insistem os cariocas apesar do noticiário de insegurança, e aproveitar a cidade. “Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vós já sentiu o mistério, o sono, o vício, as ideias de cada bairro?”, perguntava o cronista João do Rio no livro A alma encantadora das ruas, publicado em 1908. Continua valendo.

Aproveite também para ir à novíssima Zona Portuária, onde aconteciam as festas ao final de cada dia olímpico. Lá é possível ver o mural do grafiteiro Eduardo Kobra, que foi considerado pelo Guinness Book o maior do mundo (15 metros de altura e 170 de comprimento) e o incrível Museu do Amanhã, repleto de interações tecnológicas.

Cristo Redentor

 (Visit.Rio/Divulgação)


Bem no alto do morro do Corcovado, a 710 metros do nível do mar, está a  mais famosa escultura Art Déco do mundo: a estátua do Cristo Redentor. De braços abertos sobre a Guanabara a imagem eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo torna-se o Norte da bússola enquanto se anda pela Zona Sul. Você sempre o procurará e irá achar Cristo olhando para você. O monumento é acessível via trem, van ou carro. No site visit.rio, administrado pela secretaria de turismo da cidade, é possível ter acesso a informações detalhadas sobre os trajetos. A dica, para quem não conhece, é fazer o passeio de 20 minutos com o Trem do Corcovado. Os preço variam de acordo com a opção escolhida (R$ 40 a R$ 103).

Museu do Amanhã

 (Érica de Paula/DP)


De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos ir? Estas perguntas norteiam os curiosos visitantes do Museu do Amanhã, um dos destaques da revitalização da região portuária do Rio de Janeiro. O convite é para examinar o passado, reconhecer tendências do presente e explorar cenários possíveis para os próximos 50 anos a partir das perspectivas da sustentabilidade e da convivência. A maioria das peças da exposição é interativa, o que faz a imersão e a experiência ainda mais interessantes. A Íris, a assistente virtual, acompanha você (através de um cartão) por todas as cinco etapas do passeio: cosmos, Terra, antropoceno, amanhã e nós. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h). Nas terças-feiras o ingresso é gratuito e nos demais dias custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Parque Lage

 (Visit.Rio/Divulgação)


Depois de subir ao Cristo, aproveite para conhecer, aos pés do Morro do Corcovado, o Parque Lage. Originário de um antigo engenho de açúcar, o parque faz parte da memória histórica da cidade. Projetado em 1840 pelo paisagista inglês John Tyndale, o jardim de estilo romântico europeu divide as atenções com a floresta nativa de Mata Atlântica. Muito procurado por famílias, especialmente nos finais de semana, o parque conta com boa estrutura para a diversão das crianças, com brinquedos e grande área ao ar livre. Na principal edificação do espaço, um casarão do século 19, funciona a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, que oferece formação gratuita para artistas iniciantes. No pátio central da mansão, à beira da piscina, aproveite para almoçar no Bistrô Plage  que oferece refeições (do café da manhã ao jantar) com produtos orgânicos.

Pão de Açúcar

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É difícil escolher a vista mais bonita do Rio, é uma escolha muito pessoal e, sem dúvida, o 360° que é visto de cima do Pão de Açúcar é a minha preferida. Perdoe-me quem discorda, mas é simplesmente deslumbrante. A 369 metros acima do nível do mar, após pegar dois bondinhos, o primeiro saindo da Praia Vermelha e o segundo do morro da Urca, descortina-se uma paisagem única. Dá pra ver o Cristo, a enseada de Botafogo, a orla de Copacabana e a entrada da Baía de Guanabara. Lá em cima tem lojinhas e restaurantes, claro, com preço para turista, mas vale a pena tomar um drinque para baixar o calor e apreciar a vista. No verão, o anfiteatro é palco para show e eventos noturnos. Os ingresso custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia).

Bondinho de Santa Tereza

 (Érica de Paula/DP)


Após uma polêmica reforma de mais de cinco anos, passear no bonde de Santa Teresa é como uma viagem no tempo. Saindo da estação inicial que fica na Rua Lélio Gama, no Centro do Rio de Janeiro, o bondinho atravessa os Arcos da Lapa e vai desvendando a cidade após uma cortina de árvores. As saídas ocorrem a cada 30 minutos. O custo do passeio é de R$ 20, o valor é pago na ida e a volta é inclusa. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, 8h às 17h45, e no sábado de 10 às 18h. Moradores cadastrados, estudantes da rede pública uniformizados e com vale-estudante, pessoas acima de 60 anos portando CPF e portadores de vale social não pagam o embarque.  Em Santa Teresa o passeio histórico continua. Reserve um dia para passear entre os antigos e históricos casarões, museus, ateliês e barzinhos descolados.

Se não tiver tempo de passar o dia inteiro no bairro, dois lugares são imperdíveis. O primeiro é a famosa escadaria Selarón, que fica entre Santa Tereza e a Lapa. Obra do artista plástico chileno Jorge Selarón, a escadaria, que começou a ser "customizada" em 1990, reúne diversos azulejos de várias partes do Brasil e do mundo. O segundo, e não menos importante, é o Centro Cultural Parque das Ruínas. Com uma bela vista da Baía de Guanabara e do Centro da cidade, no espaço acontecem exposições e há programação especial para as crianças no final de semana. O palacete era morada da carioca Laurinda Santos Lobo, conhecida como a “marechala da elegância”.  Nos anos 1920, ela reunia intelectuais e artistas no espaço que hoje é um dos mais belos projetos premiados do arquiteto Ernani Freire e casa de trabalhos experimentais de artes plásticas.

Ilha da Gigóia

 (Érica de Paula/DP)


Bem distante, literalmente, dos principais roteiros cariocas está a Ilha da Gigóia. A mais ou menos 17 km da Praia de Copacabana, o pequeno arquipélago às margens da Lagoa da Tijuca tem aproximadamente três mil moradores. Para ter acesso, nada de carros. O único meio de se chegar a Gigóia é por barco. Também não espere luxo, a não ser que você conheça algum dos moradores mais abastados que moram em belas casas à beira da lagoa. O lugar tem um clima bucólico e é possível atravessar toda a ilha em uma caminhada de 20 minutos através de algumas vielas. O nativo Wagner Pereira, 36 anos, além de fazer a travessia leva os turistas para um passeio de 30 minutos (R$ 25) pelas 10 ilhas que existem na lagoa com parada final na Gigóia. Entre os mangues é possível ver até jacarés. Quem quiser ir mais além, é possível conhecer o Rio por outro ângulo. Wagner faz um passeio de 1h20 (para ir e mais 1h20 para voltar) da Barra da Tijuca até o Recreio (8 km). O preço deste passeio é R$ 50 e tem que ter no mínimo 6 passageiros. Para quem não quer ir embora e gosta de ficar em contato com a natureza, existem alguns hostels e pousadas. Fãs de esportes aquáticos, obviamente, são muito bem-vindos. É possível praticar de stand up paddle a jet ski.
 
* A repórter viajou a convite do Grupo Marriot
 


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