Holanda Em Roterdã, é fácil sentir a atmosfera de uma metrópole vibrante e moderna Uma mistura de 170 nacionalidades e estilos de vida faz da cidade uma das mais marcantes do país, com uma atmosfera surpreendente que revela uma metrópole sintonizada com a vida cultural

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 25/11/2016 17:23 Atualizado em:

A contemporaneidade da cidade completa o temperamento dos moradores: vibrante e arrojada. Foto: Juliana Saad/Esp CB/D.A Press
A contemporaneidade da cidade completa o temperamento dos moradores: vibrante e arrojada. Foto: Juliana Saad/Esp CB/D.A Press

O impacto da segunda maior cidade da Holanda, com 600 mil habitantes, é imediato. Ao chegar, é fácil sentir a atmosfera de uma metrópole vibrante que desfila contemporaneidade com suas construções modernas abrigando projetos dos mais renomados arquitetos do mundo, como Renzo Piano e Norman Foster e também o OMA (Office for Metropolitan Architecture), do arquiteto Reem Koolhas (que retornou à cidade natal para revitalizar o centro urbano — é dele o Museu Kunsthal — e fazendo o uso misto de espaços para agregar outro significado à área portuária). E há ainda o escritório MRVD (dos arquitetos Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries), que projetou o premiado Markthal, monumental mercado da cidade.

Portanto, não é de se estranhar que em Roterdã se respira uma vibe muito particular e uma rica vida cultural, com museus de renome, galerias de arte, obras e grafites espalhados pela cidade, maior porto de carga da Europa (e 100º do mundo). Uma das estruturas mais marcantes é a ponte estaiada Erasmus (apelidada de “O Cisne” por flutuar no horizonte) — projetada por Ben van Berkel para ligar as partes norte e sul, cruzando o Rio Maas — Ela é um dos símbolos da cidade, reconstruída após quase ruir por um bombardeio alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Contemporânea, Roterdã tem moradores de mais de 170 nacionalidades, com estilos de vida diversos que contribuem para tornar a cidade ainda mais interessante. É servida por uma extensa malha de rodovias, ferrovias, metrôs, trams (bonde elétrico) e vias navegáveis, o que gerou o apelido “porta de entrada para a Europa”. Nada mais adequado. Prédios como a estação Centraal, o Roterdã Building e o próprio Markthal falam muito disso nos dias atuais. Mas não se pode esquecer a arquitetura do período modernista Nieuwe Bouwen, como o Museu Charbot e a Van Nellefabriek, de 1931, agraciada com um lugar na lista dos patrimônios mundiais da Unesco. Kim Heinen, do Turismo de Roterdã, conta que essa mescla de edificações modernistas e contemporâneas é um dos trunfos da malha urbana e do planejamento urbanístico da cidade.

Os tours arquitetônicos são uma das melhores maneiras de se conhecer a cidade A área do Museumpark abriga uma série de importantes museus em um parque urbano dotado de jardins, pomares e muito espaço pontuado por leves e transparentes intervenções arquitetônicas que exibem o que a cidade tem de melhor. O local concentra alguns dos melhores museus da cidade, como o Kunsthal Rotterdam (apelidado de Museum of Everything, “Museu de Tudo”), em um centro cultural alojado em mais um edifício arrasador projetado pelo OMA.

O Kunsthal arma cerca de 25 exposições por ano sobre os mais diverso temas e, por isso, é genial. E se você for a Roterdã e gostar de moda, não perca a retrospectiva do fotógrafo Peter Lindbergh em cartaz até março de 2017. Mais uma novidade bacana na cidade: a Luchtsingel, apelidada de Ponte Amarela e aberta em julho de 2015, feita com a colaboração (via um inédito crowfunding) de pessoas físicas e jurídicas que, em contrapartida, ganharam ripas de madeira com seus nomes entalhados ao longo da lateral da ponte de 400 metros de comprimento, projeto do escritório de arquitetura ZUS. Ela paira suspensa sobre ruas, avenidas e ferrovias conectando três áreas da cidade e fazendo um percurso que chega até a estação de trem e metrô, Rotterdam Centraal.

No entorno, espaços urbanos revitalizados ganham vida em lojas de design, hotéis, terraços ao ar livre, bares, restaurantes e clubes. Tudo muito bacana e descontraído, como a Holanda sabe fazer muito bem. Uma concentração interessante de vida noturna também emergiu nos arredores da Promenade Luchtsingel: vale ouvir jazz no Bird, ou dançar ao som pop do bar ao ar livre Annabel ou se jogar nas festas organizadas pelo BAR e pelo Biergarten.

Juntos, eles formam o quadrilátero da diversão de Schiestraat. Anote aí Dica para quem curte arquitetura: ainda no Museumpark, não deixe de conhecer o Het Nieuwe Instituut, que tem uma das maiores coleções de arquitetura do mundo. O arquivo e a biblioteca têm rascunhos, diários, modelos, fotografias e mais de 35 mil livros sobre arquitetura. O trabalho de todos os arquitetos holandeses famosos desde 1800 está representado no local. Na saída, passe no café do Het Neue, um dos melhores da cidade.

Comprinhas
A editora de estilo holandesa Bodil Jurg conta que a vibração da cidade pode ser sentida na moda, no design e nos bares, cafés e restaurantes. Ela percorre Roterdã cheia de estilo em sua bicicleta e dá três dicas superlegais para quem curte compras e moda: “Vá ao Distrito Norte da cidade (Rotterdam Noord), pontuado por casas pré Segunda Guerra, parques e canais, um dos lugares mais gostosos da cidade e passeie pelo roteiro de boutiques bacanas como a Isis inc., a Nest e o Contemporary Showroom, localizadas nas ruas da moda, Zwaanshals e Zaagmolenkade. E não deixe de passar no estúdio/butique da designer Daisy Kroon, uma das criadoras mais talentosas de Roterdã, com seu estilo único e divertido, que adoro usar.

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