Alto-mar Mercado de cruzeiros no país sofre pela falta de competitividade No entanto, a demanda de brasileiros em busca de viagens de navio continua em alta, para destinos nacionais e internacionais

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 29/03/2016 14:58 Atualizado em: 29/03/2016 15:01

Nesta temporada, de acordo com a Empetur, 25 cruzeiros fizeram uma parada no Recife. Foto: Paulo Paiva/DP
Nesta temporada, de acordo com a Empetur, 25 cruzeiros fizeram uma parada no Recife. Foto: Paulo Paiva/DP

A crise econômica e a distorção na competitividade têm afetado o mercado de cruzeiros no Brasil. A redução na oferta é comprovada com o número de navios, que era de 20 na temporada 2010/2011 e caiu pela metade nesta temporada. E, se o cenário não melhorar, em breve os números serão mais alarmantes, já que para 2016/2017 apenas cinco navios estão confirmados até o momento, segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Abremar). No entanto, em contrapartida, a demanda continua em alta e os brasileiros estão em busca de viagens de navio dentro e fora do país.

Um dos problemas enfrentados pelo mercado brasileiro é a falta de infraestrutura, distorções que acabam aumentando os custos para realizar cruzeiros internamente. "Faltam terminais, destinos, piers, tem a questão da regulação trabalhista e da cabotagem. Essas distorções aumentam os custos e acaba que Caribe e China estão conseguindo atrair mais navios", explica Marco Ferraz, presidente da Clia Abremar.

Ele ressalta que a associação tem feito um trabalho para que o Brasil volte a ser competitivo. "Estamos trabalhando para que Florianópolis (SC) volte a ser um destino e gostaríamos de utilizar Vitória (ES) também. Porto Belo já deve sair o alfandegamento. Ubatuba (SP) e Cabo Frio (RJ) são novos destinos neste ano. Salvador (BA) está com um terminal novo. Natal (RN) ainda tem o calado baixo e a ponte não permite navio maior que 52 pés", detalha.

Quanto ao Recife, que já foi destino de saída de cruzeiros, a ideia é fazer com que a capital pernambucana volte a ser destino. "Existe essa vontade e estamos trabalhando com os órgãos responsáveis para viabilizar. Estamos vendo como podemos reduzir os custos, como baixar o ICMS caso abasteça em Pernambuco", afirma o presidente da Abremar. Marco ainda afirma que o desejo é manter um navio no Nordeste a temporada inteira. "Com uma junção de esforços, com Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas, que tem um projeto de terminal, poderíamos ter algo competitivo", declara.

O Recife, atualmente, recebe navios de passagem. Nesta temporada, de acordo com a Empetur, 25 cruzeiros fizeram uma parada na cidade, com desembarque de 28 mil passageiros. São turistas que acabam passando uma média de quatro horas na capital pernambucana. O impulso na economia é positivo. "O movimento cresce muito no Centro de Artesanato, nos restaurantes nos armazéns e até mesmo nos museus. A gente tem trabalhado muito para que o turista fique com uma boa impressão da cidade e os recebemos muito bem, com postos de informações. Fizemos um pesquisa e 92% disseram que a hospitalidade aqui é boa/ótima", destaca Ana Paula Vilaça, presidente da Empetur.

Mas o impacto econômico poderia ser melhor caso a cidade voltasse a ser destino, já que os turistas poderiam passar alguns dias antes de embarcar no cruzeiro. "A questão de taxas é um problema geral, mas estamos em contato com a Abremar para entender as dificuldades e conseguir captar mais cruzeiros", reforça a presidente da Empetur.

Mesmo com alta do dólar, promoção de passagens aéreas tem atraído brasileiros para cruzeiros no exterior. Foto: Nando Chiappetta/DP
Mesmo com alta do dólar, promoção de passagens aéreas tem atraído brasileiros para cruzeiros no exterior. Foto: Nando Chiappetta/DP

Oferta e demanda
A queda na oferta acabou afetando o número de passageiros brasileiros que fizeram um cruzeiro. Segundo dados da Abremar, na temporada passada, foram 550 mil brasileiros e nesta, que termina em abril, serão entre 400 e 450 mil. "Para o próximo ano ainda não temos previsão, mas será um número ainda menor", ressalta o presidente Marco Ferraz.

No entanto, mesmo com o número de cruzeiros reduzidos, a demanda não diminuiu e os brasileiros estão buscando viajar em navios. "Os cruzeiros são uma ótima opção de férias pois incluem além da hospedagem, todas as refeições, diversas opções de entretenimento e paradas em destinos incríveis. Desta forma, o hóspede consegue facilmente calcular e programar seus gastos", diz Ricardo Amaral, vice-presidente da Royal Caribbean para América Latina e Caribe.

Outros atrativos também passaram a ser oferecidos para os brasileiros. "Como os custos portuários para as armadoras são muito altos, elas estão investindo em outras atrações para que o brasileiro não deixe de viajar, como cruzeiros menores e mais baratos", afirma Yáskara Queiroz, gerente de Vendas da CVC, que acrescenta que promoções também atraem os brasileiros. "Temos facilidades como promoção para o segundo passageiro na cabine dupla, que viaja gratuitamente e só paga as taxas", completa.

Para fora
Engana-se que, com o dólar alto, a procura por cruzeiros internacionais está ruim. Segundo dados da Abremar, na temporada passada, 160 mil brasileiros pegaram navio fora do país. Os números para esta temporada ainda não foram fechados. O impulso é dado também por conta das promoções das companhias aéreas para destinos internacionais.

"Como as companhias aéreas baixaram os preços das passagens, sentimos um aumento na procura pelos cruzeiros internacionais.  Estamos com tarifas bastante competitivas e oferecemos sempre promoções com o intuito de promover nossos navios no exterior. Temos, por exemplo, mini cruzeiros de três noites a partir de R$ 678 por pessoa, um valor bastante atrativo", diz Ricardo Amaral, vice-presidente da Royal Caribbean para América Latina e Caribe.

A companhia ainda oferece descontos, gratuidade para terceiro e quarto hóspedes e vantagens especiais para os brasileiros em cruzeiros no Caribe. O custo-benefício acaba sendo atraente. "As passagens aéreas estão com preços acessíveis e o pagamento do cruzeiro pode ser feito em Real com parcela fixa", explica Yáskara Queiroz, gerente de Vendas da CVC.  A empresa tem uma promoção que consiste no câmbio congelado em R$ 2,99.



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