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| Marina Motta rodou o mundo em 11 intercâmbios. Foto: Carol Mayer/Divulgação |
Depois de passar por Sidney, na Austrália; Orlando, nos Estados Unidos; Toronto e Vancouver, no Canadá; La Rochelle e Paris, na França; e duas vezes por Colônia, na Alemanha, e Bournemouth, na Inglaterra, em um total de 11 intercâmbios, Marina Motta acumulou conhecimento de sobra sobre roteiros turísticos e destinos de viagem. E todas as dicas podem ser conferidas no livro
Intercâmbio de A a Z, de autoria da jovem. No Recife, onde mora e trabalha na agência
Student Travel Bureau (STB), a ilustre viajante, formada em Relações Internacionais e Administração, conversou com o
Pernambuco.com sobre em que pé anda o turismo local, se comparado a outros lugares, e o que recomenda para quem vem à cidade. Sobre as últimas viagens que fez, destacou a da África do Sul e compartilhou fotos conosco.
Dentre as cidades pelas quais você passou, em qual delas você se sentiu mais próxima ao Recife?Recentemente, fui à África do Sul e adorei conhecer a Cidade do Cabo. De certa forma, lembra o Recife em relação às praias, às belezas naturais, à gastronomia e aos ritmos musicais. Além de ser uma cidade marcada pela imigração europeia. E, infelizmente, temos em comum, também, a insuficiência do transporte público e da segurança. Não é um destino de viagem perfeito, mas por isso mesmo se torna interessante pra se desbravar.
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| No Cabo da Boa Esperança, próximo à Cidade do Cabo, na África do Sul. Foto: Arquivo Pessoal |
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| Aprendendo danças típicas em uma tribo zulu, em viagem pela África do Sul. Foto: Arquivo Pessoal |
Por outro lado, em qual destino de viagem você se sentiu, culturalmente, mais distante da capital pernambucana?Tenho facilidade pra me adaptar às cidades que visito. Odeio frio, então minha maior dificuldade é sempre em relação à temperatura. Quando fui ao Canadá, iria passar seis meses em Toronto, mas optei por passar os três primeiros meses em outra cidade, Vancouver, e só depois seguir pra lá. Driblei o inverno de -30º C, indo pra outro de -3º C. Já valeu a pena. Só não consegui escapar do frio na França, quando fui conhecer a região dos Alpes. Passei uma semana vivendo a -20 ºC.
Recife pode se inspirar em alguma cidade estrangeira para potencializar o turismo local?Na própria Cidade do Cabo, por exemplo. Passei 12 dias lá e, pra o turista, a cidade funciona muito bem. Apesar de existirem problemas estruturais, eles já conseguem oferecer uma programação de, no mínimo, quatro dias, com praias, safáris, ilhas e mergulhos. Recife merece uma programação mais extensa pra deter o visitante por mais tempo na cidade. Hoje em dia, a maioria das pessoas vem, passa dois dias e segue pra o litoral. O ideal seria captarmos turistas por mais tempo, pra criar essa imagem de turismo estendido na capital. Cartagena, na Colômbia, pode ser um espelho também. Por ser uma cidade histórica e litorânea, como o Recife, e estar em excelente estado de conservação.
Quais pontos turísticos são imperdíveis para quem vem de fora conhecer o Recife?Se alguém viesse passar um fim de semana a passeio, diria pra se hospedar em um dos hotéis de Boa Viagem. Dá pra aproveitar a praia, caminhar e tomar uma água de coco no calçadão. Minha dica de almoço é o
Chica Pitanga. Um dos melhores self-service do bairro, com um ótimo custo-benefício. À tarde, iria às compras no
Shopping Recife, que é nosso maior centro comercial, no coração de Boa Viagem. À noite, recomendo uma ida ao Segundo Jardim da orla, onde tem opções de bares com caipirinha, caipiroska e petiscos típicos. No segundo dia, seguiria até Olinda. Adoro o astral da Cidade Alta. A tapioca da Sé é um clássico. E o almoço pode ser no restaurante
Oficina do Sabor, do chef César Santos. No turno da tarde, visitaria a
Oficina Brennand, na Várzea. As cerâmicas são incríveis.
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| Mar de Boa Viagem é um dos atrativos da capital pernambucana. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press |
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| Tapioca no Alto da Sé, em Olinda, com vista para o Recife. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press |
Você já recepcionou amigos estrangeiros?O casal que me acolheu em La Rochelle, na França, já veio duas vezes ao Recife. Como passei seis meses lá, criamos um laço que se mantém até hoje. Quando eles vieram, se hospedaram na minha casa. Aproveitei pra levá-los ao litoral norte. Fomos até a Coroa do Avião e eles amaram. Acho que os gringos preferem praias mais tranquilas. Embora Porto de Galinhas seja linda, acaba sendo uma praia bastante movimentada pra quem quer apenas relaxar. Eles também tiveram a oportunidade de ir a Fernando de Noronha, que é maravilhoso. Aproveitaram muito, mas acharam caro, quando comparavam com as praias da Indonésia e da Tailândia, por exemplo.
Conheça o arquipélago de Fernando Noronha, um paraíso pernambucano
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| A Coroa do Avião foi um dos pontos altos da programação turística montada por Marina Motta. Foto: Secretaria de Turismo de Pernambuco/Divulgação |
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| O arquipélago de Fernando de Noronha é obrigatório para quem visita Pernambuco. Foto: Ministério do Turismo/Divulgação |
O que Pernambuco tem que nenhum outro destino tem?Nós somos o melhor destino. E viajar serve pra nós valorizarmos ainda mais o que temos. Eu, particularmente, adoro o nosso clima. O fato de não termos inverno e estarmos a duas quadras da praia. O que nos falta é saber fazer uso das nossas ferramentas, do nosso potencial. Sinto falta, por exemplo, de termos uma casa de shows com música e dança típicas de Pernambuco. Algo como as casas de tango da Argentina ou as casas de flamenco da Espanha. Os turistas iriam adorar um espaço pra comer, beber e dançar nos moldes pernambucanos.
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