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Estudo » Videogames têm cenas de violência contra personagens femininas Especialistas afirmam que esses games influenciam na falta de empatia de garotos pelas vítimas de agressão no mundo real

Correio Braziliense

Publicação: 24/05/2016 21:33 Atualização: 24/05/2016 21:38

Os videogames podem ter efeitos sobre o comportamento de jogadores quando endossam traços de personalidade.
Foto: Youtube/Reprodução.
Os videogames podem ter efeitos sobre o comportamento de jogadores quando endossam traços de personalidade. Foto: Youtube/Reprodução.

Especialistas que estudam a influência dos videogames sobre o comportamento de usuários têm demonstrado preocupação com títulos que exploram episódios violentos e sexistas. O receio é que jogos em que se misturam cenas de assassinato e agressão a personagens femininas possam banalizar discursos e ações de ódio contra mulheres. Embora os defensores desse tipo de diversão eletrônica argumentem que os gamers saibam diferenciar a brincadeira da realidade, alguns estudos têm sugerido que essa separação não é tão simples.

Um dos trabalhos mais recentes, feito por cientistas das universidades de Ohio, nos Estados Unidos, e de Milão, na Itália, concluiu que jogos com cenas de violência contra mulheres têm o potencial de diminuir a empatia de garotos pelas vítimas de agressão no mundo real. “Jogar videogames violentos e sexistas intensifica a masculinização (características de agressividade, dominação, força, competitividade e independência), especialmente entre os participantes que se identificam muito com os personagens machistas e agressivos. Nossa hipótese é que favorecer essa masculinização pode reduzir a empatia em relação a mulheres vítimas de violência”, escreveu a equipe no artigo, cujos resultados foram publicados na revista Plos One.

Segundo o psicólogo social Alessandro Gabbiadini, líder da pesquisa, os videogames não são simples entretenimento e podem ter efeitos sobre o comportamento de jogadores quando endossam traços de personalidade, como impulsão e agressão. “Precisamos analisar o sexismo e a violência nos videogames porque eles influenciam nossas vidas e nossa visão de mundo. Eles podem influenciar, por exemplo, como garotos veem garotas”, destaca o estudioso ao Correio.

Comparação
Para avaliar a ocorrência desse efeito a curto prazo, o time de cientistas observou 154 estudantes italianos voluntários, com idades entre 15 e 20 anos e de ambos os sexos. Os participantes foram separados aleatoriamente em três grupos. Um jogou títulos sexistas e com cenas de violência — foram utilizados o GTA Vice City e o GTA San Andreas —; outro os games Half life 1 e 2, que contêm cenas de violência, mas não sexistas; e, por fim, a terceira parte de jovens foi direcionada para franquias sem violência nem sexismo, como Dream pinball e Qube 2.

Os participantes tinham 30 minutos para jogar e, em seguida, respondiam a questionários sobre o nível de interesse pelo jogo, o quanto achavam as personagens sexualizadas e o quanto se identificavam com características dos avatares masculinos. Em uma última etapa do experimento, os jovens deveriam indicar, numa escala, o quanto se sentiam sensibilizados a partir de duas fotos: uma mostrava um garoto segurando o rosto de uma menina com uma mão e com a outra fechada em punho, e a segunda, uma mulher chorando com um olho roxo e a figura de um homem ao fundo.

Os resultados mostraram que os garotos se identificavam mais do que as garotas com os personagens masculinos dos games violentos, além de apresentarem menor empatia pelas vítimas das fotos. Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores: no grupo dos garotos, os que mais se identificaram com o personagem masculino dos jogos violentos e sexistas foram os que demonstraram menor empatia. Isso porque, de acordo com o estudo, jogos como GTA endossam crenças consideradas machistas, o que diminui a empatia em relação às mulheres vítimas de violência.

“Utilizamos como parâmetros de crença masculina perguntas como: ‘Garotos devem ser encorajados a encontrar meios de demonstrar habilidades físicas?’ e ‘É OK para um cara usar todo e qualquer meio para convencer a menina a ter relações sexuais?’. Notamos que o GTA aumenta essas crenças masculinas, enquanto Half life, apesar de violento, não”, explica o psicólogo e comunicador Brad Bushman, coautor do estudo.

Estereótipos
A pesquisa do time de Ohio e Milão não é a única a se debruçar sobre o tema. Em um estudo de 2008 feito por cientistas do Lenior-Rhyne College, nos EUA, publicado no Journal of Experimental Social Psychology, foi observado que estudantes do sexo masculino expostos por determinado tempo a imagens de personagens de games masculinos e femininos estereotipados se mostraram mais tolerantes ao assédio sexual de professores contra alunas.

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