Saúde com apoio internacional Custos e carência de serviços motivam uma nova onda de aquisições em saúde privada por empresas

Publicação: 20/05/2017 09:00

O setor de saúde privada no Brasil está atraindo uma nova fase de investimentos. O motor vem da necessidade de escala e eficiência para combater a subida dos preços e ainda de uma carência de oferta de atendimento. Isso faz com que empresas de planos procurem parceiros interessados em apostar no Brasil.

O quadro de operadoras deve encolher mais. Controlada pela Bain Capital, a Notredame Intermédica atraiu seguradoras estrangeiras e investidores ao promover um processo de procura por aplicadores ao mesmo tempo em que tenta  emplacar uma oferta inicial de ações, em um processo chamado de dual track.

Um dos players que teria avançado na disputa, conforme fontes, é a Hapvida. A empresa, que tem sido sondada para operações de fusão e aquisição, teria se unido à chinesa Fosun, que controla a gestora Rio Bravo no Brasil, e oferecido R$ 10 bilhões na primeira fase da concorrência, desbancando outros interessados.

Foram os custos e a forte regulação que levaram grandes seguradoras a sair do mercado de planos de saúde individuais e familiares nos últimos anos. “Existem várias carências no setor, geradas por uma falta da integração entre os diversos tipos de prestadores no atendimento da saúde”, comenta a sócia da PwC especializada em saúde, Eliane Kihara.

O modelo verticalizado é visto como uma das principais saídas para equilibrar essa equação e justifica o interesse de estrangeiros. “Nosso modelo é menos suscetível a impactos inflacionários da saúde, uma vez que a rede própria permite um custo mais acessível”, diz Jorge Pinheiro, da Hapvida.

O NotreDame Intermédica alega que esse modelo permite oferecer planos de saúde até 20% mais baratos. Além dos negócios de grande porte, especialistas acreditam no surgimento de novos negócios em áreas de tecnologia, serviços médicos de baixa complexidade e todo tipo de atendimento que contribua para reduzir a concentração dos atendimentos na ponta mais cara da cadeia.

Neste contexto, a Bradesco Saúde teria conversado com a norte-americana Cigna para uma possível parceria no Brasil, de acordo com fontes. As conversas podem explicar o movimento da Bradesco Saúde de criar um Conselho de Administração separado das demais empresas que estão sob o guarda-chuva do braço segurador do banco. No entanto de acordo com o vice-presidente do Bradesco, Alexandre Gluher, tal passo é uma revisão da governança do grupo. “Diz respeito à melhorar a governança da empresa para prepará-la para um mercado mais competitivo”, explicou ele, em recente conversa com jornalistas. (Estadão Conteúdo)

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