O martelo também é delas Leiloeiras demarcam territórios ocupados, em sua maioria, por homens e provam que também são boas na hora de fechar um negócio

Wagner Souza
Especial para o Diario
wagner.antonio@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 28/05/2016 09:00

Fátima Alves e Flávia Bonna buscam reconhecimento profissional nos leilões (Malu Cavalcanti/ Esp. DP )
Fátima Alves e Flávia Bonna buscam reconhecimento profissional nos leilões
O universo corporativo muda com o tempo e uma das marcas mais significativas disso é o aumento da participação feminina no mercado. Hoje, o cenário é diferente. As mulheres estão ocupando espaços em que o homem, ainda, predomina. O segmento de leilões também vem passando por essa mudança: dos 61 leiloeiros cadastrados na Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe), 11 são mulheres. O número ainda é pequeno, comparado-se ao total, mas a presença feminina no setor é expressiva.

“No início da minha carreira como leiloeira, senti um pouco a pressão do preconceito. Todo mundo ficava com aquele olhar de ‘será que ela consegue?’. Com o tempo fui fazendo meu nome e provando que era capaz de atuar no ramo”, comenta Flávia Bonna, 33 anos, leiloeira há três anos da Leilão Pernambuco. Ela conta que o preconceito é muito velado. “Ninguém vai chegar e dizer que você não é capaz, mas no fundo sentimos uma resistência por parte da ala conservadora. Hoje, isso não me incomoda mais, porém, no início, era muito desconfortável. Meu medo era não conseguir vencer as expectativas. Depois que reconheci para mim mesma que sou boa, passei a me importar menos com os possíveis questionamentos por ser mulher. Tenho minha consciência tranquila para fazer um bom trabalho”, desabafa.

Leiloeira há pouco menos de um ano, Fátima Alves, 54, diz que ainda está se adaptando à nova rotina. “Como estou inserida em leilões de veículos, acho que existe um certo preconceito com as mulheres porque o público supõe que nós não compreendemos de carro. E isso é fundamental para qualquer leiloeiro: entender bem o produto. Isso é novo para mim. O importante é manter a serenidade”, relata.

De acordo com a professora e pesquisadora de questões relacionadas a gênero da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Soraya Barreto, as mulheres provam que são capazes de desempenhar qualquer função. “O objetivo de trabalhar nesse tipo de profissão é justamente a conquista de espaços, os quais não são dados por uma questão cultural e machista de uma sociedade misógina, na qual os papéis demarcados são separados para um determinado gênero. Nós, mulheres, buscamos uma igualdade de lugares com equivâlencia de direitos”, destaca.

"Ninguém vai chegar e dizer que você não é capaz, mas no fundo sentimos uma resistência por parte da ala conservadora", Flávia Bonna, leiloeira há três anos em Pernambuco

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