defesa 'É delírio do povo', diz advogado de Adélio Bispo sobre suposta ligação com PCC

Por: Luiz Ribeiro

Por: Estado de Minas

Publicado em: 01/03/2019 19:13 Atualizado em:

Foto: PM/MG
Foto: PM/MG
O advogado criminalista Zanone Manuel de Oliveira Junior, que defende Adélio Bispo de Oliveira, o esfaqueador do presidente Jair Bolsonaro, negou que tenha recebido dinheiro de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa comandada de dentro de presídios, como pagamento seus honorários. 

A Policia Federal apresentou a Bolsonaro áudios que mostram o possível interesse da facção criminosa no atentado de que foi vítima, em Juiz de Fora (Zona da Mata), em 6 de setembro do ano passado, quando o então candidato a presidente estava em campanha. A informação foi classificada por Zanone como “delírio do povo”. 

Nesta sexta-feira, a Justiça Federal acatou pedido de liminar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais e anulou a operação da Policia Federal contra o advogado Zanone Oliveira, feita em 21 de dezembro ano passado, quando ele foi alvo de busca e apreensão, visando descobrir quem pagou os horários para que defendesse o esfaqueador de Bolsonaro. 

A decisão é do desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), em Brasília. As conversas relacionadas ao PCC foram captadas pelo setor de inteligência e sustentam uma das linhas de investigação de inquérito que apura se Adélio Bispo agiu a mando de alguém. 

O fato foi divulgado pelo próprio presidente da Republica, durante café da manhã com alguns jornalistas, quando ele relatou ter ouvido os áudios. 

Segundo o Jornal O Estado de São Paulo, o presidente teve acesso ao material da PF em encontro no Palácio do Planalto, segunda-feira passada, e estavam presentes o delegado federal responsável pelo caso, Rodrigo Morais, o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o superintendente da PF em Minas Gerais, o delegado Cairo Costa Duarte. 

A publicação também revelou que, atualmente, o inquérito sobre o atentado está na fase final e a principal linha de investigação tenta esclarecer se o PCC teve participação no ataque. Um dos focos é saber se a facção criminosa financiou a defesa de Adélio no caso, divulgou.

Ouvido pelo Estado de Minas nesta sexta-feira, o advogado Zanone Manuel de Oliveira Junior negou categoricamente que tenha recebido. “Claro que não pagou”, rebateu o defensor, que foi conciso, evitando mais comentários sobre o tema. 

Questionado sobre qual sua opinião sobre a investigação da PF e sobre a informação divulgada em relação a facção criminosa, Zanone respondeu apenas: “Isso é delírio do povo”. 

No dia 6 de dezembro passado, em entrevista ao Estado de Minas, Zanone Manuel de Oliveira Junior revelou que apresentou o valor de R$ 300 mil para defesa de Adelio Bispo até a fase final do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Também no inicio de dezembro, reportagem publicada pelo site da Revista Veja revelou que em depoimento sigiloso à Polícia Federal, o advogado de Adelio contou detalhes de como foi contratado para defender o esfaqueador de Bolsonaro. 

Segundo o texto, no depoimento ele disse que foi contratado por “um desconhecido”, com o qual se reuniu em seu escritório em Belo Horizonte na manhã de 7 de setembro, e que, na ocasião, o advogado disse que cobrava, em média, R$ 50 mil em honorários. No entanto, ainda segundo o site da revista, o “contratante” achou o valor alto. 

“O criminalista, então, topou dar um desconto de 83% — e receber R$ 25 mil até a conclusão da investigação da Polícia Federal. “Aquela pessoa aceitou a proposta e pagou inicialmente o valor de R$ 5 mil em dinheiro”, disse Zanone. O restante seria pago em outras parcelas mensais. No entanto, o interessado em ajudar Adélio “desapareceu”, relatou a reportagem de “Veja”. 

Justiça Federal anula operação
No dia 21 de dezembro passado, o advogado Zanone Oliveira Junior foi alvo de mandados de busca e apreensão, cumpridos pela Policia Federal em um hotel em Contagem, na região Metropolitana, onde o advogado mora e possui um escritório. O objetivo foi descobrir quem pagou os honorários de Zanone para defender Adelio Bispo de Oliveira, o autor do atentado contra Bolsonaro. 

Foram apreendidos um telefone celular do advogado e um HD com câmeras de segurança do prédio, além de livros de caixa, recibos e comprovantes de pagamentos de honorários do advogado. Mas, nesta sexta-feira, por decisão do desembargador Neviton Guedes, do TRF1, em atendimento a mandado de segurança impetrado pela OAB-MG, toda operação foi anunciada. 

Os mandados de busca e apreensão tinham sido autorizados pelo juiz Bruno Souza Savino, da Terceira Vara Federal de Juiz de Fora. No despacho, o desembargador suspende “a busca e apreensão de livro-caixa, recibos e comprovantes de pagamento de honorários e do aparelho telefônico do advogado representado, bem assim qualquer ato de análise ou perícia dos materiais apreendidos em decorrência dessa decisão, protegidos pelo sigilo profissional; para resguardar o pedido final, de ofício”.

“Também determino o sobrestamento da busca e apreensão de imagens de circuito de segurança do Hotel Maison Royal”, sentencia. Ainda na liminar, o Neviton Guedes, “para resguardar a reversibilidade da presente decisão”, determinou “o recolhimento e o acautelamento em juízo, imediatamente” de todo o material apreendido” na operação de 21 dezembro. 

Questionado sobre a anulação da operação pela Justiça Federal, Zanone Oliveira foi lacônico: “já era esperado”, disse.


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