exclusivo "Sou candidata em 2020, independente do que aconteça", diz vice-prefeita de Camaragibe

Por: José Matheus Santos

Publicado em: 27/02/2019 13:40 Atualizado em:

Nadegi afirmou que atuará de forma discreta durante o processo de impeachment do prefeito Demóstenes Meira (Foto: Reprodução)
Nadegi afirmou que atuará de forma discreta durante o processo de impeachment do prefeito Demóstenes Meira (Foto: Reprodução)
A vice-prefeita de Camaragibe, Nadegi Alves de Queiroz (PSDC), afirmou que não dialoga com o prefeito Demóstenes Meira (PTB), alvo de processo de impeachment na Câmara Municipal, desde o rompimento político entre os dois em janeiro de 2017, ainda no início do atual mandato. Segundo afirmou com exclusividade ao Diario, Nadegi será candidata à prefeitura de Camaragibe nas eleições de 2020, independentemente se assumir o Executivo municipal com eventual saída do prefeito via impeachment. 

“Sou candidata a prefeita em 2020. Independentemente se eu assumir a prefeitura ou não, eu serei candidata no ano que vem. Vou ouvir as pessoas para construir essa candidatura. Quero ser a candidata da população”, afirmou a vice-prefeita. Caso assuma a prefeitura com eventual impeachment do prefeito Meira, Nadegi teria direito de se candidatar à reeleição no proximo ano. 

A respeito da postura que deve adquirir durante o processo de impeachment do prefeito Meira, Nadegi afirmou que atuará de forma discreta, de maneira semelhante ao ex-vice-presidente Itamar Franco durante o processo de afastamento de Fernando Collor. “Fico mais no perfil de Itamar Franco, porque deixei (de estar com) o prefeito em janeiro de 2017 e me coloquei na situação de observadora, não fui pra rua fazer campanha contra o prefeito, deixei que ele trabalhasse e que fizesse o seu trabalho”, afirmou Nadegi, que já foi vice-prefeita em outras duas ocasiões. “Meu papel é ser discreta e de defesa do povo, estive no ato contra fechamento do hospital do município, tivemos no Ministério Público recentemente, ouvindo pessoas na rua, colhemos assinaturas, portanto, estou a favor dos servidores e da população”, destacou. 

Nadegi também disse que opta por não dialogar com Meira: “não tenho diálogo nem institucional, pessoal tampouco politicamente com o prefeito (Meira) por conta própria”. Segundo a vice, Meira ainda chegou a procurá-la para conversar, mas ela não aceitou. “Discordo do estilo praticado por ele”, disse. 

Com o processo de impeachment aberto nessa terça-feira (26) pela Câmara de Vereadores, Nadegi, a primeira na linha sucessória do prefeito, disse que não articulará com os vereadores contra o prefeito, mesmo estando rompida com o gestor. “Não converso com vereadores sobre impeachment, porque isso é questão da Câmara. Trato apenas sobre minhas preocupações com projetos travados, como a não aprovação da Lei de Orçamento Anual (LOA) e outros projetos, o que prejudica o povo”, afirmou. 

A vice-prefeita camaragibense ainda enumerou os motivos pelos quais rompeu a aliança vitoriosa na eleição de 2016 logo após ela e Meira terem assumido o Poder Executivo. “Tivemos esse rompimento porque, em 2017, ele teve atitudes preocupantes e intempestivas. Como exemplos, baixou um decreto revogando todos os contratos em vigor, tirou direitos de servidores, quis fechar um único hospital da cidade, também o fato de querer fechar o hospital que foi comprado com o dinheiro do povo para o dono. Portanto, um dos motivos foi a maneira de conduzir as situações”, afirmou Dra. Nadegi, como é conhecida pelos populares, ao Diario

Entenda o caso

Nesta terça-feira (26), em um plenário lotado, com mais de 200 pessoas na sessão, gritos, xingamentos e pressão dos moradores, os vereadores de Camaragibe aprovaram o pedido de abertura do processo de impeachment do prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB). O gestor foi denunciado por improbidade administrativa, além de suposto atraso no repasse ao fundo de Previdência do município e irregularidade no asfaltamento de 13 ruas da cidade e falta de licitação. 

Dos 13 vereadores presentes, cinco votaram a favor, quatro contra e houve quatro abstenções. A iniciativa de cassar o mandato do petebista ocorreu após um áudio vazado em que o gestor exigiu que os cargos comissionados participassem de um bloco carnavalesco em que sua noiva, a secretária de Assistência Social do município, Taty Dantas, era uma das atrações. Ontem, durante a análise da matéria na Câmara, três vereadores da base governista deixaram o local e foram xingados pelas pessoas que acompanhavam a sessão. 

Após aceitação da denúncia, houve o sorteio para formação da comissão que analisará o processo de impeachment. Foram sorteados os vereadores Roberto da Loteria, que atuará como presidente, além de Leo Família e Délio Júnior, todos da oposição. O grupo terá o prazo de cinco dias para analisar a denúncia. Passado esse prazo, o prefeito terá 15 dias para se defender, em seguida o processo será votado em plenário. Ontem, durante a escolha dos integrantes da comissão, os legisladores favoráveis ao prefeito deixaram a Câmara, ficando apenas os da oposição. 
 



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