Fiscalização Deputados de oposição fazem blitz no Hospital Agamenon Magalhães

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/02/2019 18:31 Atualizado em: 25/02/2019 18:44

Deputados de oposição fazem vistoria surpresa na unidade de saúde do estado. Foto: Ivaldo Reges/Divulgação (Foto: Ivaldo Reges/Divulgação)
Deputados de oposição fazem vistoria surpresa na unidade de saúde do estado. Foto: Ivaldo Reges/Divulgação
A Blitz da Oposição da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, na manhã desta segunda-feira (25), a segunda vistoria a um hospital da Região Metropolitana do Recife. Desta vez, a unidade escolhida foi o Hospital Agamenon Magalhães (HAM), na Zona Norte do Recife. Assim como ocorrido na semana passada, quando visitaram o Hospital Getúlio Vargas, na Zona Oeste, a bancada oposicionista voltou a se deparar com diversos problemas que atingem médicos e pacientes do HAM.

Participaram da visita o líder da oposição, Marco Aurélio (PRTB), os vice-líderes Antonio Coelho (DEM) e William Brígido, e os deputados Clarissa Tércio (PSC), Priscila Krause (DEM) e Romero Sales Filho (PTB). Segundo Marco Aurélio, a situação chega a ser pior que a do Hospital Getúlio Vargas.

"Um cenário de guerra que se repete. Vimos coisas até piores do que verificadas na vez anterior. Por exemplo, na porta do banheiro feminino tinha uma senhora de 86 anos deitada no chão, e na frente dela tinha um lixeiro. Quando abriram a porta o banheiro, estava completamente cheio de fezes. Então esta é a situação da saúde que o governo do PSB diz que está certa. Nós vamos continuar lutando e mostrando a verdadeira cara da saúde de Pernambuco, e mostrando que esse governo que está aí não tem respeito pelo povo de Pernambuco", criticou Marco Aurélio.

O deputado Antonio Coelho destacou a postura dos profissionais da saúde do HAM, que mesmo em condições de extrema dificuldade, mantêm seu compromisso com a saúde dos pacientes. "É um quadro muito triste e desolador, mas a lição que fica é o do heroísmo dos profissionais de saúde do Estado. Encontrei profissionais que recebem menos de um salário mínimo, funcionários terceirizados com três meses de salários atrasados, e mesmo assim enfrentam e tratam com dignidade esses pacientes, ressaltou o parlamentar.

Por sua vez, a deputada Priscila Krause enumerou outros problemas encontrados no HAM. "Na emergência geral, clínica médica, a capacidade de 30 pacientes é ignorada, tendo 97 pacientes internados e sem as condições mínimas. Fora isso, não existem leitos de isolamento para pacientes com doenças infectocontagiosas, causando risco de transmissão de doenças para demais pacientes e até para os funcionários", colocou a democrata.

O deputado Romero Sales Filho ressaltou que a situação das emergências poderia ser amenizada com a conclusão das obras do prédio anexo. No entanto, a obra está paralisada há quase cinco anos. "Esse prédio anexo poderia ser utilizado para desafogar a emergência, mas está totalmente abandonado desde 2014. A obra já consta no relatório de obras paralisadas do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um equipamento que melhoraria as condições de atendimento, e que não foi finalizado como previsto. Lamentavelmente estamos vendo que a saúde não é prioridade para este governo", afirmou Romero.

Para o deputado William Brígido, a sensação é que o clima nos hospitais públicos é de guerra civil. Um sentimento de tristeza, de dor, é desumano. As pessoas deveriam ser tratadas como seres humanos e não são. Ouvi o relato de uma enfermeira que ganha R$ 700. Imagina como é trabalhar nesse clima. São verdadeiros super-heróis", destacou. "O descaso e abandono com a saúde do nosso Estado é um desrespeito aos pernambucanos que depositaram a confiança de mais quatro anos nesse Governo. A inversão de prioridades é lamentável. De um lado o carnaval do luxo que vem aí. Do outro, a saúde entregue às moscas", completou Clarissa Tércio.

Defesa - O líder da bancada do governo, Isaltino Nascimento (PSB) rebateu as críticas da oposição, afirmando que o governo tem um alto grau de comprometimento na área de saúde. “Somos o estado do Nordeste que mais investe na saúde. A obrigação seria investir 12%  do orçamento e Pernambuco chegou aos 15,6%, para o desprazer de alguns membros aqui da oposição”, afirmou o socialista durante discurso no plenário da Assembleia. 

“A oposição precisa analisar também a crescente migração das pessoas que estavam nos planos privados de saúde e que partiram para o SUS por não ter mais como pagar. Também é necessário debater a diminuição dos repasses feitos para a saúde pelo governo federal e aprofundar a qualidade da atenção básica dada à população de cada município”, ressalta Isaltino. 
 
De acordo com o deputado, o Agamenon Magalhães cumpre seu papel de prestar assistência com prioridade para os casos mais graves, sem recusa de pacientes, mantendo a porta das emergências sempre abertas. “Por mês, são mais de 5 mil atendimentos nas emergências, além de mais de 20 mil internações e 200 mil procedimentos ambulatoriais todos os anos”, justificou.
 
O parlamentar destacou, ainda, que o hospital vem ampliando a oferta de serviços ano a ano. “Além do aumento de produção, o Agamenon Magalhães ampliou o serviço de hemodinâmica para atendimentos em tempo integral, 24h por dia, realizando o diagnóstico e tratamento de problemas cardíacos”, disse ele, acrescentando que. O governo do estado também ampliou em 14 os leitos de UTI no Hospital, sendo 8 de clínica geral e 6 na unidade coronariana, e um novo tomógrafo começou a funcionar em dezembro de 2018, com capacidade para 600 exames/mês”.
 
Segundo o deputado, o Agamenon também tem feito um importante trabalho para diminuir a mortalidade materna na unidade, conseguindo uma redução de mais de 50% entre maio de 2017 e maio de 2018.  “Além disso, desde 2015, foram convocados, para reforçar o quadro de funcionários do Agamenon Magalhães, quase 900 servidores concursados, entre médicos neonatologistas, enfermeiros obstetras, neuropediatras e outros profissionais de saúde, médicos e não médicos. Sobre os funcionários terceirizados que atuam na emergência da unidade, a Secretaria Estadual de Saúde informa que não tem medido esforços para regularizar a situação. O repasse à empresa será efetivado, inclusive, ainda nesta semana”, complementou.


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