AÇÕES RenovaBR tem pauta econômica alinhada e diverge sobre costumes

Por: AE

Publicado em: 18/02/2019 11:04 Atualizado em: 18/02/2019 11:12

Eduardo Mufarej (primeiro da esq. para a dir), fundador do RenovaBR, com candidatos eleitos no ano passado. Foto: SARA DE SANTIS/RENOVABR
Eduardo Mufarej (primeiro da esq. para a dir), fundador do RenovaBR, com candidatos eleitos no ano passado. Foto: SARA DE SANTIS/RENOVABR
Com nove deputados federais, um senador e um arco partidário que vai do PSL ao PDT e PSB, os eleitos do grupo de renovação política RenovaBR inauguraram sua primeira "legislatura" com um discurso afinado com a pauta econômica do governo e críticas à "caixa preta" do Poder Judiciário.

Até agora, apresentaram ou trabalham em projetos de lei com focos diferentes. "Temos abertura e capacidade de diálogo com pessoas de opiniões diferentes, sempre pensando em fazer o País andar para frente", afirmou o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG).

Uma das primeiras ações de três integrantes do grupo foi criar um gabinete compartilhado. O local terá oito funcionários especializados em temas como econometria, análise de dados, gestão de políticas públicas e temas jurídicos. Alguns profissionais serão responsáveis por acompanhar comissões específicas. 

Segundo a deputada Tábata Amaral (PDT-SP), trata-se de uma forma inovadora de gerir o dinheiro público. "Com isso, pudemos economizar 20% da verba de gabinete." Os funcionários serão importantes para subsidiar os trabalhos do deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) e do senador Alessandro Vieira (PPS-SE), que vai liberar parte de seu gabinete para a empreitada. 

Bolsas. No ano passado, o RenovaBR foi a base de lançamento da candidatura presidencial do apresentador Luciano Huck, que teria o então governador capixaba Paulo Hartung como vice. O projeto, porém, acabou não se concretizando, mas o RenovaBR transformou-se num programa bem-sucedido de bolsas para formação de políticos em início de carreira.

Com sede própria e uma orçamento de R$ 5 milhões, o grupo tem Huck como um dos seus patrocinadores. Em seu primeiro ano de atividade, o RenovaBR formou 133 lideranças. Entre eles, 120 registraram candidatura no TSE e 17 foram eleitos (um senador, sete deputados estaduais e nove deputados federais). Cada integrante recebeu uma bolsa que variou entre R$ 5 mil e R$ 12 mil e participou de um curso de 5 meses.

Entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, os parlamentares foram para a sala de aula participar do curso Gestão Estratégica para Mandatos Legislativos. A iniciativa foi aberta e recebeu outros 56 parlamentares eleitos que não faziam parte do grupo. 

Em 2019, os eleitos, todos neófitos, voltaram à sala de aula, dessa vez para aprender sobre regimento, reformas, atuação parlamentar e outros temas ligados ao mandato. "Não há muita convergência na pauta de costumes, mas tende a ter bastante na econômica, especialmente sobre a necessidade da reforma da Previdência", disse o empresário Eduardo Mufarej, fundador do RenovaBR.

"É necessária uma reforma dura que atinja a todos na proporção que cada um aguente. É preciso ser rigoroso com o topo do funcionalismo, que tem mais privilégios e que causa os maiores déficits. É um sacrifício que todos teremos que fazer pela sustentabilidade fiscal do País. Apoio capitalização (para financiar a Previdência) e uma transição cuidadosa", disse o deputado Felipe Rigoni (ES), do PSB.

Projetos do RenovaBR vão da 'CPI da Toga' à atualização da Lei Maria da Penha

A ação de maior visibilidade do RenovaBR foi a chamada "CPI da Lava Toga". Apresentada pelo senador Alessandro Vieira (PPS-SE), a iniciativa, que acabou arquivada por, segundo Vieira, pressão de ministros do Superior Tribunal Federal sobre o Senado, é tratada como uma bandeira do grupo. 

"O RenovaBR acredita que a renovação política também passa pela Justiça. Por isso, reforça a importância da participação da sociedade no apoio à CPI das Cortes Superiores, proposta pelo líder Alessandro Vieira e que tem o objetivo de apurar eventuais desvios de atuação dos Tribunais Superiores do País", afirmou um comunicado divulgado pelo grupo. 

O deputado federal Marcelo Calero (PPS-RJ) é um dos que apoiariam uma CPI com esse propósito na Câmara. O ex-ministro da Cultura também é favorável a uma reforma política para haver uma maior participação dos cidadãos. 

Apesar do discurso afinado, os projetos de lei apresentados por parlamentares do RenovaBR não seguem uma linha unificada. A deputada e líder indígena Joenia Wapichana (Rede-RR), por exemplo, quer tornar hediondos os crimes ambientais quando eles afetarem gravemente ecossistemas e colocarem em risco a vida e a saúde humanas.

Já o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) assinou uma proposição que atualiza a Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006) para verificar a existência de registro, posse ou porte de arma de fogo em nome de agressores, determinando sua suspensão imediata. O novo texto sugere também a apreensão da arma de fogo dos infratores. 

Fundador do RenovaBR, Eduardo Mufarej disse que a ideia não é atuar em bloco, apesar do atual governo incentivar a formação de frentes temáticas no Congresso. Segundo ele, o grupo tem afinidade, o que colabora para abrir pontes entre as "forças antagônicas" que atuam no Congresso.


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