suspeitas Com fundo partidário, Bivar contratou empresa do filho por R$ 250 mil na campanha eleitoral

Por: Estadão Conteúdo - Estadão Conteúdo

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 15/02/2019 10:16 Atualizado em: 15/02/2019 10:23

Despesa de R$ 250 mil está na mira da Procuradoria Eleitoral de Pernambuco. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP
Despesa de R$ 250 mil está na mira da Procuradoria Eleitoral de Pernambuco. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP
O deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, gastou R$ 250 mil provenientes do fundo eleitoral para contratar a empresa de um dos seus filhos durante a eleição de 2018. Sediada em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, a Nox Entretenimentos está registrada em nome de Cristiano de Petribu Bivar. Foi o segundo maior gasto da campanha dele, segundo o sistema Divulga Contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A contratação está na mira da Procuradoria Eleitoral de Pernambuco, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. Em parecer sobre a prestação de contas de Bivar, o procurador eleitoral Francisco Machado Teixeira se posicionou pela aprovação com ressalvas das contas e citou a necessidade de se investigar o possível “desvio de finalidade” no gasto destinado à empresa do filho do deputado. 

“Foram realizadas despesas com fornecedores de campanha que possuem relação de parentesco com o prestador de contas, o que pode indicar desvio de finalidade. O Ministério Público Eleitoral informa que extrairá cópia dos autos para investigação dos fatos”, afirma o documento da Procuradoria Eleitoral sobre a prestação de contas de Bivar ao qual o Blog do Fausto Macedo teve acesso. 

À época da contratação, a distribuição dos valores recebidos via fundo eleitoral para os candidatos do PSL, conforme ata do partido registrada na Justiça Eleitoral, era de responsabilidade do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele presidiu o PSL durante a campanha eleitoral a pedido do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro. 

O ministro trava uma disputa com o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, e há dúvidas sobre sua permanência no cargo. A crise esquentou depois de suspeitas de irregularidades no uso do dinheiro do Fundo Partidário e de Carlos chamá-lo de mentiroso por Bebianno ter afirmado que conversou com o presidente sobre o tema. O vereador do Rio chegou a divulgar, inclusive, um áudio de conversa de Whatsapp do presidente dizendo que não estava podendo tratar do assunto. No dia da gravação (12/02), o presidente estava ainda internado no Hospital Albert Einstein, em recuperação de cirurgia. 

De acordo com as notas fiscais, a Nox Entretenimentos teria prestado serviços de produção de vídeo para a campanha de Bivar. O telefone registrado pela empresa na Receita Federal é o mesmo do escritório de advocacia Rueda e Rueda, no Recife, que não explicou se divide o espaço com a Nox nem qual sua ligação com a família Bivar. Um dos sócios do escritório de advocacia é Antonio Rueda, presidente do diretório do PSL de Pernambuco no período eleitoral. Outra empresa em que Cristiano Bivar é sócio, a Mitra Participações, aluga salas para o diretório do PSL no Recife. 

Campanha 

Luciano Bivar é presidente do PSL desde 1998 e, atualmente, ocupa o cargo de segundo-vice-presidente da Câmara. Bivar foi um dos parlamentares que mais receberam valores do fundo eleitoral. Dos R$ 9,2 milhões recebidos pelo PSL, a campanha do deputado amealhou R$ 1,8 milhão, o que representa 19,5% do total. 

Na prestação de contas de campanha, a empresa do filho de Bivar aparece na segunda colocação entre as empresas que mais receberam. Em primeiro lugar está a Vidal Assessoria e Gráfica Ltda., de Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, que é vogal (dirigente com direito a voto) do PSL de Pernambuco. A gráfica fica em Amaraji, na Zona da Mata de Pernambuco. 

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo disseram não haver proibição legal na contratação de empresas de familiares com dinheiro do Fundo Partidário, mas afirmaram que a citação a um possível “desvio de finalidade” significa que a Procuradoria Eleitoral vai investigar se os serviços foram efetivamente prestados e a preços de acordo com o mercado. 

Procurado, o deputado Luciano Bivar afirmou, por intermédio da assessoria, que a contratação da Nox Entretenimentos se “deveu ao fato de ela ter oferecido o menor preço para produzir os vídeos da campanha” e que “há contrato, notas fiscais, tudo perfeitamente legalizado”. Sobre as salas em que fica a sede do PSL em Pernambuco, o deputado disse que “o aluguel é em forma de comodato e que, na verdade, ele empresta a sala para o partido, sem custo”. 

O filho do presidente do PSL, Cristiano Bivar, também por meio da assessoria do deputado, declarou que sua empresa foi contratada por vários candidatos e que, no caso de seu pai, prestou serviços de produção de vídeos, jingles e decoração do comitê. Cristiano Bivar declarou ainda que, para desempenhar essa função, também pagou “o projeto arquitetônico, som, palco, projetor, gerador de energia, diesel, mobiliário e as gravações para o programa gratuito de TV”. 

A Nox Entretenimentos, por e-mail, afirmou que o serviço foi efetivamente prestado e a preço de mercado. “Inexiste impeditivo legal na contratação. Tendo inclusive as contas do candidato sido aprovadas sem ressalva pelos órgãos competentes”, pontuou a empresa. 



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