suspeitas Depoimento de suposta 'laranja' do PSL à Polícia Federal é adiado

Por: José Matheus Santos

Publicado em: 14/02/2019 12:36 Atualizado em: 14/02/2019 12:41

Foto: Reprodução / TSE
Foto: Reprodução / TSE
A defesa da candidata derrotada à deputada federal Maria de Lourdes Paixão (PSL-PE) pediu adiamento do depoimento previsto para a manhã desta quinta-feira (14) na sede da Polícia Federal de Pernambuco. A solicitação foi feita na tarde da quarta-feira (13), um dia após a intimação, e a nova data para depor ainda não foi acertada. Maria de Lourdes é suspeita de ter sido uma postulante “laranja” por ter recebido R$ 400 mil reais do Fundo Público de campanha do PSL. Segundo informações reveladas pela “Folha de S. Paulo”, o dinheiro foi depositado três dias da eleição. No pleito, a então candidata obteve apenas 274 votos. 

O motivo alegado pela defesa para o adiamento não foi divulgado pelo delegado Roberto Carvalho, titular da Delegacia de Defesa Institucional, responsável pelo caso. Maria de Lourdes, que é secretária do PSL em Pernambuco, não é obrigada a comparecer ao depoimento nessa fase, chamada de “Registro Especial”, uma fase de colaboração. A ex-candidata foi convidada a depor na terça-feira (12) pela Polícia Federal. 

Na última quarta-feira (13), o presidente Jair Bolsonaro disse, em entrevista ao Jornal da Record, que deu “carta branca” para que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pedisse investigação à Polícia Federal do caso. “Conforme o compromisso assumido com Sergio Moro logo depois da minha eleição, ele tem carta branca para apurar qualquer tipo de crime sobre corrupção e lavagem de dinheiro”, disse Bolsonaro. 

Já nesta quinta-feira (14), o ministro Sergio Moro disse, em entrevista coletiva, que a determinação do presidente já está sendo cumprida. As apurações deverão ficar sob responsabilidade da Polícia Federal de Pernambuco, porque o estado é o local de supostos acontecimentos dos fatos. De acordo com a assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, a instituição aguarda provocação da Justiça Eleitoral para que haja abertura de investigações. 

Caso não compareça por sucessivas vezes para depor, Maria de Lourdes pode ser alvo de condução coercitiva, que é permitida se um investigado não comparecer por sucessivas vezes a depoimentos. Em dezembro de de 2017, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu investigados ou réus de serem levados coercitivamente por força policial sem que antes tenham sido convidados falar às autoridades. Por enquanto, com a investigação ainda não aberta, a Polícia vai ouvir apenas Maria de Lourdes. Caso inquérito policial seja instaurado, demais suspeitos envolvidos no caso podem ser alvo. 

O fato da suposta candidatura laranja está no pivô da crise instaurada em Brasília. Na época dos fatos, em outubro do ano passado, a verba foi distribuída aos candidatos pelo comando nacional do PSL, sob a presidência de Gustavo Bebianno, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, que se tornou presidente interino da sigla a pedido do presidente Jair Bolsonaro pela proximidade que tinha com o então candidato. Enquanto isso, Bebianno disse que “todos os atos praticados foram regulares” e disse que explicações deveriam ser dadas pelo deputado federal Luciano Bivar, atual presidente nacional do PSL, ligado ao comando do partido em Pernambuco na época da eleição.  



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