partido Mesmo com bancada expressiva no Congresso, PT está enfraquecido

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 08/02/2019 09:05 Atualizado em:

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Em uma semana de funcionamento do Congresso, o PT percebeu que enfrentará uma situação ainda mais difícil que a esperada depois da vitória eleitoral de Jair Bolsonaro no ano passado. Para analistas e parlamentares experientes de outros partidos, a legenda terá de refazer sua estratégia se não quiser virar pó nas próximas eleições municipais, em 2020, e nacionais, em 2022. “O PT terá de se reinventar e repensar as lideranças e os discursos”, avisa Paulo Calmon, diretor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB). “O partido ainda tem uma militância fiel, mas isso tende a minguar.”

O PT saiu das urnas com um resultado que, se ficou bem aquém de seu auge, ainda fazia inveja aos partidos tradicionais. Chegou ao segundo turno da eleição presidencial e conquistou a maior bancada na Câmara, com 56 eleitos. Em segundo lugar, veio o PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, com 52 cadeiras. No Senado, o resultado foi pior, passando à quarta bancada, empatado com o PSD, com seis parlamentares.

Na eleição da mesa da Câmara, porém, o partido ficou sem qualquer assento. No Senado, teve de se contentar com a terceira suplência — na qual foi colocado de última hora, após discussão da bancada no plenário —, que ficou com o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. “Pela regra da proporcionalidade, o partido teria um cargo titular na mesa, a quarta secretaria”, afirma o diretor de documentação do Departamento Intersindical de Análise Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz.

Segundo essa tradição, os partidos devem ter cargos na Mesa Diretora e nas comissões de acordo com o tamanho de suas bancadas. É um acordo de cavalheiros que não tem prevalecido, porém, no novo Congresso.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), se queixou no plenário, ontem, em tom ameno, que a proporcionalidade não estava sendo mantida. Depois, em entrevista, disse reconhecer que houve uma derrota, já que o partido havia apoiado para presidente da Casa o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que perdeu para Davi Alcolumbre (DEM-AP) em uma derrota acachapante. Além de sair derrotada na disputa, a legenda foi contrária, por razões estratégicas, ao voto aberto, o que contraria a história da sigla, destaca Queiroz. “Em outro momento, o partido não votaria assim.”

A prova do poder dos partidos virá agora na distribuição das comissões nas duas casas do Congresso. Pelo critério da proporcionalidade, Costa disse que o PT ficaria com a de Relações Exteriores. Ele sabe que isso não vai ocorrer e espera ter, ao menos, a dos Direitos Humanos. Nem isso, porém, está garantido. Na Câmara, é ainda pior. O bloco que o PT integra deverá começar a fazer escolhas após o preenchimento da 10ª comissão entre as 25 existentes.

Para Queiroz, o PT não entendeu ainda o tamanho do problema. “O DEM virá com tudo, não terá pena”, alerta. O partido é também o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso em Curitiba por corrupção, disse que era preciso “extirpar o DEM da política brasileira”. Muitos no DEM retribuem o desejo em relação ao PT, ainda que não abertamente.

Mesmo entre os partidos de esquerda, porém, o PT enfrenta dificuldades. Um parlamentar de uma legenda que tradicionalmente se aliou aos petistas afirma que a sigla de Lula não pode mais esperar que tome as decisões e os outros se enquadrem. “Os brasileiros querem uma oposição de outro tipo, que não parta para o quanto pior melhor”, diz.


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