Alepe Depois da votação concluída, Eriberto é reconduzido à presidência da Assembleia Houve bate-chapa para as 1ª e 2ª vice-presidências e para a 1ª Secretaria da Casa de Joaquim Nabuco

Por: Cláudia Eloi - Diario de Pernambuco

Por: José Matheus Santos

Publicado em: 02/02/2019 12:47 Atualizado em: 02/02/2019 13:04

Candidato único ao comando da Alepe, Eriberto Medeiros obteve 42 votos. Foto: Alepe / Divulgação
Candidato único ao comando da Alepe, Eriberto Medeiros obteve 42 votos. Foto: Alepe / Divulgação
No retorno dos trabalhos legislativos, os deputados estaduais participaram ontem na Assembleia Legislativa de Pernambuco em “dois atos”. O primeiro deles, a cerimônia de posse da 19ª legislatura, aconteceu num clima de descontração e aconchego dos amigos, políticos e familiares dos parlamentares. O segundo ato, a eleição para a Mesa Diretora, ocorreu em meio a muita articulação, conversas de bastidores e promessas políticas que correm riscos de não serem cumpridas. Sem chegar a um consenso foi inevitável o bate-chapa para alguns cargos.

A votação da Mesa foi secreta e conduzida pelo deputado Antônio Moraes (PP), por ser o mais antigo da Assembleia, iniciando o sexto mandato. O presidente da Casa, o deputado Eriberto Medeiros (PP), foi eleito como já era esperado, numa candidatura única. Logo após a abertura dos trabalhos para a votação dos cargos da Mesa, os deputados que decidiram bater chapa ocuparam a tribuna e discursaram para fazer os últimos apelos aos colegas de parlamento, na tentativa de conquistar os votos dos indecisos.

Para a 1ª secretaria, o deputado Clodoaldo Magalhães (PSB) disputou com o também socialista, Isaltino Nascimento. O deputado Francismar Pontes (PSB) estava na disputa, mas ontem desistiu de concorrer. Na queda de braço, Clodoaldo venceu com 35 votos. Minutos antes da solenidade de posse, Isaltino deixou transparecer irritação com um suposto movimento dentro da Alepe para fazê-lo sair da disputa. “Estão tentando me tirar de todo jeito, mas sou candidato. Forças ocultas não queriam que colocasse meu nome”, disse o deputado, sem detalhar quem pretendia minar sua candidatura.

Parlamentares eleitos fizeram juramento conjunto na posse da 19ª legistatura. Foto: Roberto Soares / Alepe / Divulgação
Parlamentares eleitos fizeram juramento conjunto na posse da 19ª legistatura. Foto: Roberto Soares / Alepe / Divulgação
Um dos motivos de tensão na Alepe aconteceu na disputa para a 2ª vice-presidência. Se apresentaram como candidato os deputados Alberto Feitosa (PSD), Romário Dias (PSD), Guilherme Uchoa Júnior (PSC) e Alberto Feitosa (Solidariedade). O deputado Manoel Ferreira (PR) também concorreria, mas, após apelos de Uchoa Júnior, ele abriu mão da disputa.

Nos bastidores, circulou a informação de que Romário e Feitosa abriam mão da disputa desde que Manoel Ferreira fosse o candidato. Porém, diante da insistência de Uchoa Júnior, os dois decidiram ir para o enfrentamento. “Uchoa Júnior tem muitos negócios aqui dentro (Alepe) e há um consenso que ele não deveria se candidatar nesta eleição porque está entrando agora na Assembleia. Ele podia ter ficado fora e esperado a próxima eleição da Mesa”, disse um parlamentar em reserva. A insistência de Uchoa Júnior deu resultado. Ele venceu a disputa com 25 votos.

Outro bate-chapa aconteceu pela 1ª vice-presidência entre os deputados Aglailson Victor (PSB), estreante na política, e Simone Santana (PSB), que está em seu segundo mandato. A vitória do deputado Aglailson Victor seria vista pelo Legislativo como uma derrota do Palácio das Princesas, já que Simone Santana é sogra do deputado federal João Campos (PSB). A deputada, no entanto, levou a melhor na disputa. Ela obteve 25 votos.

Promessas de rodízios nos cargos

A avidez por cargos foi tamanha que alguns deputados chegaram a fazer acordos mesmo sem ter a garantia de que seriam cumpridos. Um deles envolveu a 2ª secretaria. Os deputados Cleiton Collins (PP) e Claudiano Martins (PP) iriam bater chapa, mas Collins abriu mão da disputa após ser acordado que Claudiano assumirá o cargo agora, durante dois anos, e Collins, na próxima eleição da Mesa Diretora, terá o apoio de Claudiano, que obteve 39 votos, e do PP para disputar o cargo.

Acordo semelhante aconteceu entre a deputada Tereza Leitão (PT) e o deputado Rogério Leão (PR). A petista, com 47 votos, ficou na 3ª secretaria com o compromisso de apoiar a candidatura de Leão na próxima eleição da Mesa. 

“É um acordo muito arriscado. Só Deus sabe se será cumprido porque a eleição da Mesa acontece a cada dois anos. A pessoa que acordou agora pode até não se candidatar para não atrapalhar o outro, mas qualquer deputado pode ser candidato e não tem como impedir isso”, comentou um deputado em reserva. Já o deputado Álvaro Porto (PTB) foi reeleito para a 4ª secretaria sem nenhum concorrente.
 
Na escolha para líder da oposição, Marco Aurélio (PRTB) foi indicado para ficar um ano no cargo e a deputada Priscila Krause (DEM) assumirá no ano seguinte. Ainda não está definido quem será o líder do governo Paulo Câmara. (Colaborou José Matheus Santos)


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.