Posse 'Queremos a paz viva, do debate, do contraditório', diz Paulo Câmara Paulo Câmara faz discurso de posse que extrapola as barreiras de Pernambuco, com tom nacionalizado.

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/01/2019 18:58 Atualizado em: 01/01/2019 19:57

Paulo Câmara faz revista às tropas, em frente à Assembleia Legislativa, após a posse. Foto: Léo Malafaia/Diario de Pernambuco
Paulo Câmara faz revista às tropas, em frente à Assembleia Legislativa, após a posse. Foto: Léo Malafaia/Diario de Pernambuco

A palavra “paz” esteve entre as mais usadas, nesta terça-feira (01), no discurso de posse do governador Paulo Câmara (PSB), reeleito com 1.918.219 votos no primeiro turno. Na tribuna da Assembleia Legislativa, diante de deputados, aliados e militantes do PSB, o governador preocupou-se em mencionar seis vezes o nome paz, seguido de ponderações em relação ao cenário nacional, cujo principal protagonista será o presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Precisamos de paz, porém não a paz do silêncio imposto pela força. Queremos a paz viva, do debate, do contraditório, da liberdade de opinião. A paz da democracia”, destacou. “Precisamos de paz para trabalhar, vencer a miséria, a violência e o desemprego, para ajudar milhões de jovens a encontrar um futuro melhor e mais proveitoso”.

Paulo Câmara tomou posse, oficialmente, às 15h34, ao lado da vice-governadora, Luciana Santos (PCdoB), que fez o juramento compatível às 15h35. O governador foi o único a falar, além do presidente da Casa, Eriberto Medeiros (PP). O discurso dele foi lido, conforme o protocolo, antes de Bolsonaro discursar ao país e dizer que iria “libertar o Brasil do socialismo”. A fala de Paulo teve mais a intenção de agregar, ao contrário do tom adotado pelo novo presidente. O governador lembrou que todos que assumiram os cargos de governador viveram a campanha mais radicalizada dos últimos tempos, sendo necessário desarmar os palanques. “Temos que juntar os cacos espalhados à nossa frente, efeito da polarização desmedida”.

O governador afirmou que o novo presidente teria seu apoio quando trabalhasse em prol de Pernambuco e do Nordeste, porém ressaltou, mais uma vez, a disposição de combater o que considera retrocesso, como a privatização da Chesf. Ele também se mostrou preocupado com a possibilidade da perda de direitos históricos e direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Destacou, neste sentido, que será uma voz contrária a essas perdas. “É nosso dever político, cívico e moral nos mobilizarmos para que essas conquistas, entre outras, não sejam revogadas ou mitigadas por nenhuma onda de conservadorismo ou de autoritarismo”.   

Integrante do Partido Socialista Brasileiro, Paulo Câmara ressaltou a importância de se ter um olhar inclusivo, investindo num discurso que ultrapassa as barreiras de Pernambuco. “Cabemos todos no Brasil multirracial, multicultural e multieconômico, que há gerações estamos construindo desde o ano 1500”.

O substantivo “democracia” foi usado quatro vezes nas palavras do governador, que entrou na Assembleia ao lado do líder da oposição e do líder governista, respectivamente Silvio Costa Filho (PRB) e Isaltino Nascimento (PSB). Ele enviou um recado indireto aos militantes que estão em confronto nas redes sociais, especialmente, seja por defenderem o fortalecimento das forças armadas, seja por terem histórico de mobilização popular. “O amor ao Brasil não é monopólio de nenhum brasileiro, seja civil ou militar. A forma de expressar este sentimento depende de cada um. Morrer em um campo de batalha é uma forma de amar o Brasil. Ocupar as ruas em defesa da democracia também é”.

Vice-governadora diz que pretende honrar a história das grandes mulheres de Pernambuco, no exercício do cargo. Foto: Léo Malafaia/Diario de Pernambuco
Vice-governadora diz que pretende honrar a história das grandes mulheres de Pernambuco, no exercício do cargo. Foto: Léo Malafaia/Diario de Pernambuco

Em entrevista à imprensa, Luciana Santos falou sobre o fato de representar as mulheres como vice de Paulo Câmara, a primeira da história pernambucana a ocupar o cargo. “tenho um senso de responsabilidade muito grande, de fazer jus a essa transição, da combatividade, da irreverência, das mulheres pernambucanas, das grandes batalhas, entre elas as heroínas de Tejucupapo... É esse legado que vou procurar representar, me movendo pelas mesmas inspirações que as moveram no seu tempo, que são a Justiça, a igualidade e a equidade”, destacou, lembrando que será dedicada na causa da emancipação das mulheres e nos desafios lhe destinados pelo governador. 



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