diplomação Conciliação em nome do estado Durante a cerimônia de diplomação, o governador reeleito, Paulo Câmara, pregou o fim da intolerância política e fez acenos aos adversários

Por: Rosália Rangel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/12/2018 09:27 Atualizado em:

Paulo Câmara recebeu o diploma ao lado da primeira-dama Ana Luíza Câmara. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP Foto
Paulo Câmara recebeu o diploma ao lado da primeira-dama Ana Luíza Câmara. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP Foto
Ao ser diplomado ontem para o exercício do segundo mandato, o governador eleito Paulo Câmara (PSB) fez um aceno os adversários políticos nos âmbitos nacional e local em favor da administração do estado. No discurso, quando falou em nome de todos os diplomados, o socialista afirmou que “os palanques estão desmontados e as mãos abertas para, outras mãos de boa fé, que queiram ajudar a resolver as nossas questões mais urgentes”, ressaltou. Entre as questões “mais urgentes” citou a retomada do diálogo nas relações políticas. “Fomos levados a um nível exacerbado de intolerância que deixou rastros profundos em toda parte”, avaliou, referindo-se à campanha eleitoral deste ano.

O governador, que na eleição passada apoiou o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, foi diplomático nas palavras optando, inclusive, por ler o discurso e não falar de improviso. “Muitos simplesmente não querem ouvir a voz contrária. E sem ouvir a voz contrária, como fortalecer a democracia, um sistema político que se consolida com o embate dos argumentos?”, questionou.

Paulo Câmara também disse está pronto “para trabalhar em a favor destes acordos no plano nacional, quando estiverem em jogo decisões de relevância para o futuro do Brasil”. O governador quer percorrer mesmo caminho no estado, procurando reunir, segundo ele, quem estiver disposto a contribuir para o desenvolvimento econômico, social e cultural de Pernambuco. “Isto não significa abrir mão de diretrizes ideológicas e programáticas. Mas, ter a grandeza de reconhecer erros próprios e acertos dos adversários, atitudes que caracterizam maturidade política. Foi esse caminho que nosso governo trilhou desde 2015”, argumentou o socialista. 

Ainda no discurso, Paulo Câmara ressaltou que o povo compreendeu a mensagem dele (no governo) e reconheceu que os compromissos assumidos são os mesmos dos quais não abriu nem abrirá mão. “Compromisso em servir, com diálogo e transparência. Dediquei e dedicarei toda a minha vida ao serviço público, do qual tenho orgulho e que é o maior instrumento para assegurar a justiça social numa nação tão desigual quanto a nossa”. 

O governador aproveitou a ocasião para falar dos avanços alcançados pelo seu governo nas áreas de educação e segurança pública. No final do discurso, parabenizou a vice-governadora eleita Luciana Santos (PCdoB) e desejou sorte aos 49 deputados estaduais, 25 federais e aos senadores eleitos Jarbas Vasconcelos (MDB) e Humberto Costa (PT), no exercício de seus respectivos mandatos. 

Dos 25 deputados federais eleitos, não compareceram à solenidade Felipe Carreras (PSB) e Ricardo Teobaldo (Podemos). Daniel Coelho (PPS) e Augusto Coutinho (SD) foram diplomados na última segunda-feira. Dos 49 estaduais, não compareceu Fabíola Cabral (PP).

Em entrevista à imprensa, Paulo Câmara falou sobre a reforma administrativa que pretende mandar promover até o final do ano. “Quando a gente formatar a reforma iremos mandar para Assembleia e começam as negociações. Mas temos todo o mês para trabalhar e vamos deixar essa questão do secretariado para o final do ano”. Em relação a redução de pastas, confirmou que o assunto está sendo analisado. “Fizemos ajustes em 2014, ainda com Eduardo Campos, e outros ajustes devem acontecer. Devemos anunciar tão logo esteja pronto”, garantiu. A cerimônia foi presidida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PE).
 


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