Ministério 'Acabou isso', diz ministra sobre diferença salarial entre homem e mulher Em coletiva no CCBB, a futura ministra da Mulher, Família e Direitos humanos, Damares Alves ressaltou que irá proteger o direito à vida, "seja de mulheres, índios, idosos ou crianças"

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Por: Rodolfo Costa - Correio Braziliense

Publicado em: 06/12/2018 16:43 Atualizado em:

Foto: Reprodução/ Youtube
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A futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, anunciada na tarde desta quinta-feira (6), afirmou que nenhum homem vai ganhar mais que mulher desenvolvendo a mesma função profissional. Segundo ela, ela vai proteger o direito à vida, seja de mulheres, índios, idosos ou crianças. As declarações foram dadas durante coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde ocorrem as reuniões da equipe de transição.

“Nenhum homem vai ganhar mais que mulher nesta nação desenvolvendo a mesma função. Isso já é lei e o Ministério Público está aí para estar fiscalizando. E se depender de mim, vou para a porta da empresa que o funcionário homem desenvolvendo o papel igual ao da mulher está ganhando mais. Acabou isso no Brasil”, enfatizou a futura ministra.

Damares é atual assessora do senador Magno Malta (PR-ES). De acordo com ela o Ministério é muito amplo e ainda receberá a Fundação Nacional do Índio (Funai). A futura ministra enfatizou que é preciso ter políticas públicas para defender a vida das mulheres e crianças.

“Nós vamos trazer para o protagonismo políticas públicas que ainda não chegaram até as mulheres. Será prioridade a mulher ribeirinha, a mulher pescadora, a mulher catadora de ciri, a quebradora de coco, essas mulheres que estão invisíveis”, disse. “Na questão infância nós também vamos dar uma atenção especial, porque está vindo para a pasta a secretaria da infância e o objetivo é propor para a nação um grande pacto pela infância. Nunca a infância foi tão atingida como nos dias de hoje”, completou.

Damares ressaltou que 30 crianças são assassinadas por dia no Brasil e que o país recebeu o título de pior nação da América do Sul para abrigar meninas. “O nosso objetivo que em poucos anos essa será a melhor nação do mundo para ser menina.Nós vamos trabalhar a proteção da infância de forma integral, trabalhando com o Ministério da Saúde, Educação e Desenvolvimento. A infância vai estar no protagonismo com certeza. A criança precisa ser protegida no país”, enfatizou.

Pauta LGBT

Damares ressaltou que é “mulher, mãe e pastora evangélica”. Sobre a pauta LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros), apontou que o assunto é delicado, mas que a relação dela com os movimentos é muito boa. “Eu tenho entendido que dá para ter um governo de paz entre o movimento conservador, movimento LGBT e demais movimentos. É para isso que nos propomos. Vamos sentar com todas as associações, movimentos e toda a representatividade”, alegou.

De acordo com ela, as políticas de direitos humanos vão focar no povo que é invisível. “Este povo também vai vir para o protagonismo. Os ciganos! Temos em torno de 1,2 milhão ciganos. A mulher cigana circula nas ruas de maneira invisível. Esta mulher será vista por este governo. Ainda nesta nação, se abrir dicionário de português o que significa cigano: enganar, mentiroso e trapaceiro. Não é. É cidadão brasileiro e vai ser respeitado”, disse.
 
Funai
Damares foi anunciada pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. “Ela é advogada e educadora e ela também receberá na pasta a Funai, visto que, ela, inclusive, é mãe de uma índia. Pela manhã, um grupo de indígenas se manifestou no CCBB para que a Funai continuasse sobre responsabilidade do Ministério da Justiça. A ministra alegou que pode recebê-los “com todo o prazer”.

“Temos 305 povos indígenas no Brasil. Falam-se 200 línguas indígenas. Essa nação é linda, bela e plural. Este governo vem para atendê-los. Quando descobrimos que alguns povos ainda matam suas crianças. Tem povos que quando o bebê é filho de mãe solteira ele não pode sobreviver. A partir deste momento comecei um diálogo com os povos e este diálogo acabou se prolongando de tal forma que estou há 15 e 16 anos cuidando de crianças indígenas no Brasil.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) defendeu, em entrevista à TV Bandeirantes no início de novembro, que, no que depender dele, não haverá mais demarcação de terra para índios no Brasil. Questionada sobre isso, Damares ressaltou que é um tema que os dois terão que conversar. “Eu acredito que o presidente quando falou tinha informações muito importantes para falar isso. Tinha embasamento. Particularmente, questiono algumas áreas indígenas, mas é um assunto que vamos falar muito e discutir, sempre lembrando que este Ministério trabalhará interagindo com os demais ministérios. Não será decisão tãos somente do ministério dos Direitos Humanos”, afirmou.

Damares também foi questionada sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que tem a intenção de delegar exclusivamente ao Congresso Nacional o dever de demarcação de territórios indígenas e quilombolas. “Vamos conversar muito com o Congresso sobre isso. A demarcação de área é um tema delicado, polêmico, mas não vamos falar desse tema agora e resolver essa questão agora, pois este novo governo vem com novas propostas. Vamos ouvir o Ministério da Justiça sobre demarcação, da Saúde, da Cidadania. A questão da demarcação é muito mais do que terra. Precisamos entender que o mais precioso bem que está em área indígena é o índio. O índio será visto dessa forma. Índio não é só terra. Índio é gente, é ser humano”, defendeu. 
 

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