Investigação Coaf relata movimentação anormal na conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro Movimentações eram 'incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira'

Por: Diario de Pernambuco

Por: AE

Publicado em: 06/12/2018 09:33 Atualizado em: 06/12/2018 12:06

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Foto: Arquivo/Agência Brasil
O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Foto: Arquivo/Agência Brasil
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicou uma movimentação anormal na conta do ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O valor chega a R$ 1, 2 milhão, segundo o Estado de S. Paulo.

Fabrício José Carlos de Queiroz, que também é policial militar, atuava como motorista e segurança do deputado e foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro deste ano. 

O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar. Além disso, o relatório divulgado pelo conselho cita que foram encontradas na conta, transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse uma atividade cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”.

Na folha de pagamento da Alerj de setembro, o nome de Queiroz, que era lotado com cargo em comissão de Assessor Parlamentar III, símbolo CCDAL- 3, no gabinete de Flávio Bolsonaro, consta com salário de R$ 8.517. Ele ainda acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar.

Ao longo de um ano, o órgão também encontrou cerca de R$ 320 mil em saque na conta mantida pelo motorista do filho de Bolsonaro. Desse total, R$ 159 mil foi sacado numa agência bancária no prédio da Alerj, no centro do Rio. 

Funcionários
Nem Flávio Bolsonaro nem o seu ex-motorista foram alvo da operação que prendeu dez deputados fluminenses, deflagrada no dia 8 de novembro. O Ministério Público Federal investiga o envolvimento dos parlamentares estaduais em um esquema de pagamento de "mensalinho" na Assembleia. 

Queiroz foi citado na investigação porque o Coaf mapeou, a pedido dos procuradores da República, todos os funcionários e ex-servidores da Alerj citados em comunicados sobre transações financeiras suspeitas.

Para traçar um padrão entre as movimentações financeiras, em parte utilizadas para pedir a prisão de funcionários da Alerj, o Coaf organizou os dados em uma lista com 22 nomes. O motorista de Bolsonaro é o 20.º no documento de 422 páginas que reúne informações sobre R$ 200 milhões em transações realizadas em contas de funcionários da Alerj. Na conta em nome de Queiroz, o Coaf identificou a movimentação de R$ 1,2 milhão no período de 12 meses. 

O Coaf é a unidade responsável por monitorar e receber todas as informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão do cliente. Quando a transação é em dinheiro, o banco informa sempre que o valor for igual ou superior a R$ 50 mil. 

Michelle Bolsonaro
Uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. A compensação do cheque em favor da mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro aparece na lista sobre valores pagos pelo PM. “Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf.

O Coaf é a unidade responsável por monitorar e receber todas as informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão do cliente. Quando a transação é em dinheiro, o banco informa sempre que o valor for igual ou superior a R$ 50 mil. 

Defesas
Procurado para se manifestar sobre o relatório do Coaf, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz respondeu que não sabe "nada sobre o assunto".

A chefia de gabinete de Flávio Bolsonaro afirmou que Queiroz trabalhou por mais de dez anos como segurança e motorista do deputado, "com quem construiu uma relação de amizade e confiança".

A assessoria afirmou ainda que o filho mais velho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, não tem "informação de qualquer fato que desabone" a conduta do ex-assessor parlamentar. 

"No dia 16 de outubro de 2018, a pedido, ele foi exonerado do gabinete para tratar de sua passagem para a inatividade", informou o gabinete, por meio de nota. 

Além de motorista e segurança, Queiroz era um dos principais assessores do deputado estadual e agora senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL). Ele chegou a acompanhar o parlamentar em agendas de campanha do pai do deputado, o então presidenciável Jair Bolsonaro.

Reserva
Fabrício de Queiroz era vinculado ao gabinete parlamentar de Flávio Bolsonaro com cargo em comissão de Assessor Parlamentar III, símbolo CCDAL - 3.

Após a exoneração de Queiroz da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi publicada, no último dia 21 de novembro, a transferência do ex-assessor para a reserva remunerada da Polícia Militar, como subtenente, após 35 anos de serviços prestados. 

Procurada pela reportagem, a assessoria de Jair Bolsonaro não respondeu sobre o assunto, nem sobre o cheque no valor de R$ 24 mil que teria sido destinado a Michelle Bolsonaro. A futura primeira-dama não foi localizada.


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