Consequências Filho de empresário imitou Bolsonaro no WhatsApp para pedir votos Revelação foi feita pelo próprio André Marinho, filho do suplente de Flávio Bolsonaro, em vídeo no YouTube. Especialistas não enxergam crime eleitoral no episódio

Por: Deborah Fortuna

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 29/11/2018 18:59 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Youtube
Foto: Reprodução/Youtube
Em vídeo que viralizou nas redes sociais, o filho do empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no Senado, disse ter enganado eleitores ao imitar a voz do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha presidencial. André Marinho, 24 anos, contou o episódio em vídeo publicado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) no YouTube. 

O vídeo com André faz parte de uma série de vídeos do programa de entrevistas do MBL chamado Teste do sofá. Ao lado do deputado federal eleito Kim Kataguiri (DEM-SP) e deputado estadual eleito Arthur do Val (DEM-SP), youtuber do canal Mamãe Falei, o filho do empresário mostra a capacidade de imitar várias pessoas, inclusive o presidente eleito. 

André diz, então, que falas suas passaram a ser divulgadas pelo WhatsApp como se fossem o próprio Jair Bolsonaro. Em um dos casos, ele diz que gravou um áudio dirigido a garimpeiros de Serra Pelada (PA), segundo ele um "reduto petista". O jovem conta que chegou a forçar a voz para soar abatido, pois Bolsonaro já havia sofrido o atentado a faca. 

"Estamos aqui agradecendo as orações, e dizer que conto com vocês aí para o que der e vier. Vocês sabem que terão em mim um defensor implacável de agora em diante, tá ok? Valeu pessoal", diria a mensagem. Marinho revela, então, ter recebido muitas mensagens de garimpeiros "chorando". "Então, eu devo ter virado uns 50 mil votos", brincou. "Eu não sei se isso é crime eleitoral ou não, mas eu tava correndo esse risco", disse.   
 
"Sem consequências" 
O advogado eleitoral Francisco Emerenciano acredita que o vídeo não possa ser considerado crime eleitoral. "É uma manifestação pessoal", afirmou. "Até porque não haveria gravidade suficiente para desequilibrar o pleito. Não dá para ver gravidade no caso. Na minha opinião, óbvio, poderia ser considerada uma brincadeira de mal gosto, mas não haveria consequências no processo eleitoral", avalia.   
 
O especialista em direito eleitoral Daniel Falcão, professor do IDP, afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só poderia se manifestar sobre o caso se fosse provocado, ou seja, se alguém fizesse uma reclamação à Justiça sobre o fato. "Mas isso também é muito difícil. A eleição acabou. Esse é o tipo de questão que não se provoca depois da eleição", opina. 



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