Investigação PF faz busca e apreensão em empresas ligadas ao senador Romero Jucá A propina chegaria a R$ 4 milhões e teria sido paga por "uma grande empreiteira" ao senador do MDB

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 08/11/2018 08:18 Atualizado em: 08/11/2018 12:30

enador do MDB teria recebido propina de uma grande empreiteira
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
enador do MDB teria recebido propina de uma grande empreiteira (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Polícia Federal deflagra a Operação Armistício nesta quinta-feira (8), que mira o repasse de R$ 4 milhões ao senador Romero Jucá (MDB-RR). Nove endereços de empresas suspeitas de pagar propina ao parlamentar são alvo de busca e apreensão, sendo sete na capital paulista, um em Santos e outro em Campo Limpo Paulista, todas cidades do estado de São Paulo. A ação faz parte de uma investigação maior, sobre repasses de propina para políticos por parte da Odebrecht.

Segundo a PF, o dinheiro ilegal foi pago em 2012 para facilitar a aprovação de uma resolução do Senado que se destinava a restringir a chamada guerra fiscal nos portos brasileiros. A propina teria sido paga por "uma grande empreiteira que tinha interesse na edição do ato", de acordo com as informações da PF. As buscas foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

Os delatores Claudio Melo Filho - então diretor de relações institucionais da Odebrecht -, Carlos Fadigas e Marcelo Odebrecht mencionaram a atuação de Jucá quando firmaram suas colaborações premiadas, baseando a abertura da investigação.

Delação

A resolução unificou as alíquotas do ICMS para acabar com a disputa fiscal entre os Estados para aumentar os desembarques em seus portos. Melo Filho, que disse ter conduzido as negociações com Jucá sobre a matéria, disse que o senador, por ter sido "líder de vários governos", era enxergado pela empresa como "a porta de entrada" para a defesa dos interesses da empresa no Senado. Após a aprovação da resolução, porém, Jucá teria solicitado o pagamento pedindo ajuda para o processo eleitoral.

O diretor também disse acreditar que Jucá não era apenas uma liderança política do MDB, mas que ele "concentrava a arrecadação e distribuição dos recursos destinados ao partido", e atuava em parceria com os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eunício Oliveira (MDB-CE).

Segundo relatos, a preferência dada a Jucá na interlocução sobre a guerra dos portos deixou um outro parlamentar "chateado": o então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS). Ele teria procurado interlocutores na Odebrecht para entender por que não havia sido "contemplado na discussão". Após o movimento, Delcídio teria recebido um pagamento de R$ 500 mil. (com Agência Estado)


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