COMUNICAÇÃO Campanha da Unesco combate crimes contra jornalistas Grupo de especialistas independentes da ONU pediu que líderes mundiais parem de incitar ódio e violência contra a mídia e garantam punição aos responsáveis por ataques.

Publicado em: 02/11/2018 18:10 Atualizado em:

No Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, lembrado nesta sexta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) promove uma campanha mundial de conscientização sobre a violência praticada contra profissionais de mídia. Segundo a Unesco, a cada quatro dias no mundo há uma morte de jornalista, com 1.010 óbitos de profissionais de mídia contabilizadas nos últimos 12 anos devido ao desempenho da atividade de buscar levar informações ao público. Ainda de acordo com a ONU, em nove de cada dez casos os assassinos ficam impunes.

Em mensagem para a campanha deste ano, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, destacou o aumento dos casos de ataques e assédio contra jornalistas mulheres. “É nossa responsabilidade garantir que os crimes contra jornalistas sejam punidos”, disse. Este é o quinto ano em que a Unesco promove a iniciativa.

“Devemos cuidar para que os jornalistas possam trabalhar em condições de segurança, as quais permitam o florescimento de uma imprensa livre e plural. Somente em um ambiente desses nós seremos capazes de criar sociedades justas, pacíficas, e verdadeiramente progressistas”, diz a mensagem.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, um grupo de especialistas independentes de direitos humanos da ONU pediu aos líderes mundiais que parem de incitar ódio e violência contra a mídia e garantam a punição dos responsáveis por ataques. O comunicado afirma que “estas últimas semanas demonstraram mais uma vez a natureza tóxica e o alcance exagerado do incentivo político contra jornalistas, e exigimos que isso pare”. No documento cita diretamente o caso do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado no início deste mês.

Brasil - Em nota oficial publicada no dia 30, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), representante máxima da categoria, registrou o que foi definido como "Futuro incerto para a democracia, o Jornalismo e os jornalistas", expressando "preocupação com o futuro da nação brasileira, após a eleição da chapa formada pelo capitão reformado Jair Bolsonaro e pelo general Mourão, também reformado, para governar o país a partir de 1º de janeiro de 2019". 

A nota repudiava a violência contra jornalistas em vários estados e, em especial, as declarações ofensivas à categoria pelo assessor de Bolsonaro, Eduardo Guimarães. "Os muitos casos de agressões contra jornalistas ocorridos durante a campanha eleitoral e a indiferença de Bolsonaro diante dos ataques reforçam o que a trajetória política dele já demonstrara: o político de ultra-direita é avesso a críticas e não admite ser questionado publicamente, mesmo quando as questões dizem respeito à sua atuação como homem público", diz o documento. "O Jornalismo e os jornalistas têm papel fundamental para a democracia e a constituição da cidadania e que governantes democráticos submetem-se à crítica e, principalmente, à vontade da maioria que, no Brasil e no mundo, é constituída pela classe trabalhadora", conclui a nota.

Um dos casos mais recentes de violência contra comunicadores no país foi condenado pelo Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York. A organização pediu apuração rápida para esclarecer o atentado contra Eduardo Braga (62 anos), proprietário e comentarista da Rádio União, de Jaguaruna (CE). Em 21 de setembro, ele foi baleado na perna por pistoleiros que entraram no estúdio, supostamente por falar sobre questões políticas locais.

No mais recente ranking organizado pelo CPJ, divulgado no final de outubro, o Brasil aparece como um dos 14 países do mundo que menos pune os responsáveis pelo assassinato de jornalistas. Levantamento divulgado no mês passado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) indica que foram registrados no país 137 casos de agressões contra profissionais de comunicação em contexto político, partidário e eleitoral, de janeiro até o primeiro turno das eleições. 

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) contabilizou uma morte e 82 casos de violência contra 116 jornalistas no Brasil em 2017, segundo seu levantamento mais recente, divulgado em fevereiro. O Relatório de Violência e Liberdade de Imprensa – 2017 da Fenaj, que tem cobrado que as empresas de comunicação, inclusive de rádio e TV, garantam a proteção de jornalistas e demais profissionais, tem números distintos, apurados pelos sindicatos de jornalistas de todo o País. Segundo o Relatório, em 2017 foram registrados 99 casos de agressões contra jornalistas e não ocorreu nenhum caso de assassinato em decorrência do exercício profissional do Jornalismo. Em 2017, houve um único caso de morte motivada por atuação na comunicação, a do blogueiro Luís Gustavo da Silva, assassinado no Ceará.

Com informações de Felipe Pontes, da Agência Brasil


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