aliança Doria defende PSDB aliado a Bolsonaro A proposta deve dividir o partido, já que parte dos tucanos, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é crítica ao novo presidente

Por: AE

Publicado em: 29/10/2018 11:25 Atualizado em:

Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
A vitória em São Paulo tornou João Doria homem forte do PSDB e deve provocar uma guinada à direita da legenda que nasceu há 30 anos com a bandeira da social democracia. Em seu primeiro discurso como governador eleito, o tucano afirmou que "haverá mudança na correlação de forças" do partido e defendeu que a sigla esteja na base do governo Jair Bolsonaro (PSL) em Brasília. 

No evento que comemorou sua vitória em um clube da Avenida Paulista, região central da cidade, Doria afirmou que "o PSDB precisa sintonizar com o momento atual do nosso país" e que, "a partir de 1° de janeiro acabou o muro", fazendo referência a fama da legenda de não tomar lado em muitos debates. "Faremos isso sem apagar a história de ninguém", afirmou.

A proposta deve dividir o partido, já que parte dos tucanos, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é crítica a Bolsonaro. Aliados de Doria defendem que a executiva nacional do partido seja reformulada para se adequar à nova realidade da legenda. "O PSDB tem que passar por uma refundação. O partido precisa perder caricatura de muro", disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), um dos integrantes da ala 'cabeça preta' do partido.

Nenhum integrante da cúpula nacional do PSDB esteve presente no evento. O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, e Fernando Henrique também nem sequer ligaram para parabenizar o tucano pela vitória. 

O governador eleito fez elogios aos dois, mas ressaltou que o partido mudará de postura. 

"Não recebi ligação nem de FHC nem de Alckmin e quero aproveitar para dizer que, a partir de janeiro, acabou o muro. Este será um novo PSDB, um partido ao lado do Brasil de hoje", afirmou.

O tucano relatou que conversou por telefone com Bolsonaro e prometeu a ele que ajudaria seu governo. "Ficamos de ter encontro essa semana. De minha parte, eu já disse hoje que estaremos apoiando o governo Bolsonaro", afirmou. "É hora de pacificar o Brasil. Não podemos começar o ano com o País dividido", disse Doria, que cantou o hino nacional e levantou a bandeira brasileira durante o ato. 

Ao falar sobre o futuro do PSDB, Doria pregou mudanças. "Temos que compreender voz do povo. Não precisamos relegar nossa história, mas viver o presente. São Paulo vai liderar esse processo e faremos isso sem destruir ninguém".

Principal partido de oposição durante os governos do PT, o PSDB sofreu uma dura derrota nas urnas neste ano. Com apenas 4,7% dos votos, Alckmin teve a pior votação da história dos tucanos em uma eleição presidencial. Com a vitória em São Paulo, o número de Estados que o PSDB comandará a partir de 2019 chega a três este ano, desempenho inferior ao de 2014, quando a sigla venceu em cinco. Além de Doria, Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Reinaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul foram eleitos.

Governo. O ex-prefeito dividiu a mesa com sua esposa, Bia Doria, de seu vice, Rodrigo Garcia (DEM), do prefeito Bruno Covas e do presidente estadual do partido, Pedro Tobias, o ex-ministro Gilberto Kassab (PSD) e Joice Hasselmann, deputada federal eleita pelo PSL. Garcia será o responsável pela montagem de seu secretariado. Segundo Doria, Alckmin seria bem recebido em seu time. "Não avaliamos isso, mas um homem que governou São Paulo por três vezes tem toda habilitação para comandar uma Secretaria", disse.

Nova disputa

O governador de São Paulo Márcio França (PSB) disse ter saído "vitorioso", apesar da derrota em São Paulo, e deixou em aberto disputar uma nova eleição. "Eleição é assim, acaba uma começa outra", afirmou.


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