ELEIÇÕES 2018 Pernambuco segue como oposição Após se contrapor a Michel Temer, governador reeleito Paulo Câmara (PSB) terá de lidar com mais um presidente com a linha política diferente da dele

Por: Rosália Rangel - Diario de Pernambuco

Por: Cláudia Eloi - Diario de Pernambuco

Publicado em: 29/10/2018 08:42 Atualizado em: 29/10/2018 08:54

Foto: Arte/DP
Foto: Arte/DP

Na gestão do presidente Michel Temer (MDB) não foram poucas as queixas do governador Paulo Câmara (PSB) contra a falta de atenção do governo federal para com as demandas de Pernambuco. A partir de 1º de janeiro, o comando do país estará nas mãos de Jair Bolsonoro (PSL). Ele venceu Fernando Haddad (PT), candidato de Câmara. Ainda com várias obras estruturadoras na dependência de verbas federais para serem concluídas, a expectativa agora é para saber qual o olhar que Bolsonaro, com a caneta de presidente nas mãos, terá para os gestores pernambucanos.

Ontem, em nota, o governador Paulo Câmara antecipou a preocupação com a administração que está por vir. “Espero que o presidente eleito Jair Bolsonaro governe para todos, respeitando a Constituição Federal, as instituições democráticas e a Federação. A retórica agressiva deve ficar no passado. Bolsonaro precisa ser presidente de todos e não apenas de uma parcela do Brasil”, destacou o socialista. Câmara também destacou a performance do candidato petista. “Quero elogiar o desempenho irrepreensível de Fernando Haddad, que foi um guerreiro, correto, leal e que fez o que esteve ao seu alcance nessa curta campanha. Torço para que Haddad se mantenha atuante, pois é um importante quadro político que tem muito ainda a oferecer ao Brasil”, finalizou o socialista.

Na avaliação do presidente estadual do PT, Bruno Ribeiro, Bolsonaro não pode governar o país hostilizando quem pensa diferente dele. “Ele não poderá governar o país com frases como as que anunciou no domingo passado de que vai banir a oposição. Ele vai ter que tratar o governador Paulo Câmara, que foi eleito no primeiro turno, com o respeito que governador merece, como representante legítimo do povo de Pernambuco. E sei que o governador saberá impor essa legitimidade e estaremos junto dele para evitar que Pernambuco não seja discriminado pela coragem de discordar de tudo que Bolsonaro pensa e representa”, ressaltou.

Eleito deputado federal ancorado na campanha de Bolsonaro, o presidente estadual do PSL, Luciano Bivar, disse não ter dúvidas de que não haverá no governo do futuro presidente discriminação a Pernambuco nem à região Nordeste. “Não tem isso de governo de oposição. Ele (Bolsonaro) vai lidar com o governador Paulo Câmara sobre os interesses do estado. Vai pensar em governo e não em oposição”, destacou Bivar. “Se ele não fizer isso, vai renegar os votos que recebeu e quem confiou nele”, afirmou. 

O deputado também falou da disposição de colocar o mandato à disposição do estado e do Nordeste. “Não tem como ser diferente. Sou pernambucano. Além disso, temos a segunda maior bancada na Câmara com 52 deputados”, frisou, referindo-se ao número de parlamentares eleitos pelo PSL no primeiro turno das eleições.

Bancada tende a ficar majoritariamente com Bolsonaro

Foto: Arte/DP
Foto: Arte/DP

O Diario procurou saber como a bancada federal de Pernambuco atuará a partir da vitória de Jair Bolsonaro. A pergunta direcionada aos parlamentares teve o objetivo de saber quem ficará na base governista, os que desempenharão o papel de oposição e aqueles que ficarão como independentes. A tendência é que, majoritariamente, se posicionem em favor do presidente eleito.

As bancadas do PSB, do PT, PCdoB e PDT declararam apoio a Fernando Haddad (PT) e se posicionaram no campo da oposição. O MDB ficará independente. Nacionalmente, o Solidariedade, do deputado federal Augusto Coutinho, não fechou questão. Já os deputados eleitos pelo PSC, Patriota e PHS estão com Bolsonaro. 

Na avaliação do deputado federal André Ferreira (PSC), Bolsonaro representa a esperança. “Essa eleição mostrou que a política tem que mudar. A forma de fazer política mudou. Se Haddad fosse eleito ficaria como independente, mas o que for bom para o Brasil eu voto favorável. A população quer que o país volte a crescer e gerar empregos”, disse André Ferreira (PSC).

Outros deputados, a exemplo do PRB, afirmaram que vão se posicionar depois de fazer uma reflexão interna. De acordo com o deputado federal Sílvio Costa Filho (PRB), seu partido decidiu aguardar a agenda que o novo presidente eleito vai apresentar. “Votaremos a favor das pautas que sejam de interesse do país. É importante dizer que temas de relevância para o Brasil como a economia e a geração de emprego precisa entrar na pauta”.

Segundo o deputado socialista Danilo Cabral, a visão de país do candidato do PSL é oposta às bandeiras defendidas pelo PSB. “Somos a favor da democracia, da soberania nacional, do respeito às diferenças e a defesa dos direitos sociais do nosso povo. O presidente eleito sempre defendeu o contrário disso”.

Tadeu Alencar (PSB) acredita na força de movimento nacional que reúna as pessoas que tenham compromisso com a democracia e a formação de uma ampla frente contra o pensamento autoritário, retrógrado e repressivo, defendido, segundo ele, por Bolsonaro.

Eleito pelo MDB, Raul Henry informou que atuará como independente. “É preciso cumprir uma agenda nacional mínima. É preciso ter compromisso com a responsabilidade fiscal e a retomada de crescimento do país”, declarou.

O deputado Augusto Coutinho, do Solidariedade, lembrou que seu partido resolveu liberar o voto da bancada e de todos os diretórios no segundo turno. “Meu voto pessoal foi em Bolsonaro, mas nos reuniremos após a eleição para nos posicionarmos oficialmente”, disse.
 


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